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. Cavalo ruano corre todo o ano Cavalo baio mais veloz que o raio Cavalo branco veja lá se é manco Cavalo pedrês compro dois por mês Cavalo rosilho quero com filho Cavalo alazão a minha paixão Cavalo inteiro amanse primeiro Cavalo de sela mas não pra donzela Cavalo preto chave de soneto Cavalo de tiro não rincho, suspiro Cavalo de circo não corre uma vírgula Cavalo de raça rolo de fumaça Cavalo de pobre é vintém de cobre Cavalo baiano eu dou pra fulano Cavalo paulista não abaixa a crista Cavalo mineiro dizem que é matreiro Cavalo do sul chispa até no azul Cavalo inglês fica pra outra vez. . Parêmia = provérbio

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03
Abr17

So long, Diana

por AnnaTree

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So long, Diana Sousa Pinto Agora já não vejo o sol Nem seu reflexo lunar levo as asas nos bolsos e o coração a planar neste voo nocturno Nao sei onde vou aterrar sinto as nuvens nos meus pulsos e o leme sempre a consentir sao sempre os mesmos ossos que eu insisto em partir neste voo nocturno só quero mesmo resistir neste voo nocturno sou mais leve do que o ar neste voo nocturno nao sei onde vou acordar em baixo há manchas no canal mas eu nao as quero ver poeira ou plano está frio e as helices a ferver o nariz do avião só obedece a quem quiser agora nao existe nada o meu motor ao ralenti vou revendo em surdina tudo o que eu vivi neste voo nocturno a madrugada vem ai neste voo nocturno sou mais leve do que o ar neste voo nocturno nao si onde vou acordar. Jorge Palma

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coisas declamadas

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 Para possuíres a filosofia

Das cousas, como um cético risonho,

Cheio de uma bondade comovida,

É preciso que tenhas algum dia

Escapado da Vida para o sonho

E voltado do sonho para a vida.

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02
Mar17

Raul Leoni História antiga

por AnnaTree

COISAS LIDAS

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História antiga/No meu grande otimismo de inocente/Eu nunca soube por que foi... um dia,/Ela me olhou indiferentemente,/Perguntei-lhe por que era... Não sabia.../Desde então, transformou-se de repente/A nossa intimidade correntia/Em saudações de simples cortesia/E a vida foi andando para frente.../Nunca mais nos falamos... vai distante.../Mas, quando a vejo, há sempre um vago instante
Em que seu mudo olhar no meu repousa,/E eu sinto, sem no entanto compreendê-la,/Que ela tenta dizer-me qualquer cousa,/Mas que é tarde demais para dizê-la.../Raul Leoni

 

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27
Fev17

Alberto Caeiro

por AnnaTree

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Quando Vier a Primavera Quando vier a Primavera, Se eu já estiver morto, As flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. A realidade não precisa de mim. Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma Se soubesse que amanhã morria E a Primavera era depois de amanhã, Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. Por isso, se morrer agora, morro contente, Porque tudo é real e tudo está certo. Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. O que for, quando for, é que será o que é. Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

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15
Fev17

Ver Para Além do Olhar

por AnnaTree

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Uma coisa é o amor; outra coisa é a paixão. Embora parecidos, é importante distingui-los. Enquanto a paixão não considera limites, rompe as distâncias e tende à fusão; o amor reconhece a diferença, respeita o limite e sabe que a comunhão só pode acontecer na diferença. Enquanto a paixão, ao ver chegar os problemas, entra em crise; o amor entra em acção. A paixão diz: “o problema é teu”; o amor diz: “o problema é meu, também". A paixão diz: “preciso de ti para viver”; o amor diz: "quero dar-te a minha vida". A paixão dura um Verão; o amor é para todas as estações."

Ver Para Além do Olhar

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COISAS OUVIDAS E TRANSCRITAS

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Porque toleramos relações toxicas e insistimos em falar de amor

Ouvido no programa da cadena ser contigo dentro  30/01/2017

 

Se doí é desamor ou é inexistência de amor. O amor não dói e temos que começar a entender isso de uma vez por todas.

Falta de educação ou educação errónea. E os exemplos que nos dão os nossos modelos de referência e quando somos adultos repetimos esses modelos. Dizem que estás a educar quando não estás a tentar ensinar nada aos teus filhos. Isso de «não me separo por causa dos meus filhos» que é tantas vezes ouvido como desculpa para as relações se estendam no tempo; não serve de desculpa pois as crianças assistem a péssimos exemplos dos seus modelos de referência, quando formos grandes repetimos esses comportamentos. Não sabem depois pôr limites ou distinguir o que é negociável e o q nunca devia ser negociável numa relação.

Uma pessoa sabe sempre quando não se sente bem numa relação, porque não se encaixa no que uma pessoa quer. É certo que tentamos normalizar certas situações e acabamos a desculpabilizar comportamentos tóxicos, mas depois o nosso corpo nunca nos engano e começamos a desenvolver ansiedade a sentirmos nos mal a ter pensamentos negativos.

A forma como amamos é feita de auto estima. A auto estima forma se com as doses de reconhecimento que vieram dos nossos pais e também com as doses de afecto e /ou com as doses de carência e de críticas permanentes. Em função da quantidade de afecto ou de desamor que recebes vai te fazer sentir uma pessoa capaz, valiosa ou ao invés uma pessoa incapaz sem valor. Quanto pior uma pessoa se sente com ela mesma mais medo tem de encontrar alguém a quem amar, por isso muitas vezes contentamo nos com a primeira pessoa que se fixa em nós e que muitas vezes não escolhemos

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COISAS LIDAS

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Sabe luisa, pensei escrever sobre um livro de Óscar Wilde. Agora, em frente desta folha, foi irresistível falar consigo, não através dos autores, mas através de mim. Vêm –me as lagrimas aos olhos não sei bem porquê. Talvez pela noção de paralelo, entre o sofrimento solitário e o que hoje pode ser partilhado consigo, dantes, só o papel me ouvia e apenas a ele denunciava as minhas inquietações. Agora posso contar consigo. Contar-me. É impossível não agradecer a quem nos embalou, a quem nos deu abrigo. Ninguém entenderia estas palavras que lhe escrevo, pois as acharia excessivas ou injustas. Não me interessa. As duas sabemos: apesar da minha inconsciência (pois eu teimava em esquecer), a luisa corrigiu a interpretação dessas dores e, como se eu fosse disléxica, trocou as letras das palavras equivocas. Por isso posso agora entregar lhe a dor e quase os segredos. Nem sabia o que eram os segredos, não me eram permitidos; agora até posso dar me ao luxo de os esconder. Chorarei todas as lagrimas que me foram interditas. Choro, porque já desconfio ser possível. Só depois das lagrimas, poderei ver o sol que as seca. Há muitos sóis, não há luisa? Há, não há? Preciso de saber a verdade, para continuar a levantar –me de manhã, festejar o gato e assobiar. Quero tanto acreditar que me posso erguer do seu divã e ser feliz cá fora. Sinto urgência. Mas sei que é longa a cicatrização dos golpes profundos. É preciso tempo para cuidar deles: protegê-los da terra, das águas sujas, dos fumos. Os outros ainda me doem, a natureza ainda me magoa, os animais assustam me e a culpa devora me. Nesta casa tao grande, longe de si, procuro encontrar um espaço quente. Não é fácil encontrar o meu lugar e quando adormeço, os sonhos atormentam –me e lembram-me outras vidas que vivi, bem longe da memoria. Acordo já perdida. Ai começa tudo de novo: inquieta, procuro –me nos livros, nos papeis e na jardinagem desta casa. Tudo isto na ansiedade (esse monstro) de construir a minha morada a minha cabana, onde os pesadelos desistirão de me assombrar e onde as pessoas possam entrar sem que me doam Éramos duas mulheres e nenhuma de nós tinha de ser subalterna. Devíamo-nos respeito e nada mais. Poderíamos tornarmo-nos amigas desde que respeitássemos a liberdade uma da outra. Por mim não haveria mais cobranças. Tinha sido a análise que entendera que mais nada podia exigir de quem me tinha oferecido tudo o que tinha para dar. Não podia passar o resto da vida na frustração de ser amada da forma que sonhara. Tinha chegado a hora de aceitar os meus pais com as suas limitações e não insistir na frustração de querer modifica-los. Quero-a disciplinar o meu rumo sem estar presa a acusações. De qualquer forma, não podia ignorar as feridas que não foram tratadas. Isso era o mais difícil: a minha tendência era esquecer passado e começar uma nova vida, mas percebi que não resultava porque os sonhos não desistiam de mo lembrar e tinha que integrar um passado triste num presente que se estava a tornar, aos poucos, agradável.

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15
Dez16

WYRIAMU

por AnnaTree

COISAS LIDAS

SINAIS DE FERNANDO ALVES

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(...)

No jornal da noite, o homem que há quase três décadas comandou o pelotão da morte pediu ontem desculpas e olhou nos olhos os sobreviventes que ainda recolhem ossos do chão de carnificina. Disseram-lhe os velhos de Wyriamu:»Foi a guerra que passou. Já podemos chorar juntos e apertar as mãos.Apertemos as mãos e choremos as lágrimas que falta chorar».

 Quem tenha visto aquelas imagens sem um estremecimento de coração, não merece senão o lado podre da paz.

Dezembro 1998

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21
Nov16

só o amor me interessa

por AnnaTree

COISAS DECLAMADAS

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Nesta fase em que só o amor me interessa o amor de quem quer que seja do que quer que seja ... o amor de um pequeno objecto o amor dos teus olhos o amor da liberdade o estar à janela amando o trajecto voado das pombas na tarde calma nesta fase em que o amor é a música de rádio que atravessa os quintais e a criança que corre para casa com um pão debaixo do braço nesta fase em que o amor é não ler os jornais podes vir podes vir em qualquer caravela ou numa nuvem ou a pé pelas ruas - aqui está uma janela acolá voam as pombas - podes vir e sentar-te a falar com as pálpebras pôr a mão sob o rosto e encher-te de luz porque o amor meu amor é este equilíbrio esta serenidade de coração e árvores Egito Gonçalves

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