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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

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Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

01
Jul20

Morreste me. Adaptado do livro de José Luís Peixoto

AnnaTree

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(...)

no hospital. Não acredito que possas ter esquecido. Enquanto Esperava pelo meu pai pela pelo meu irmão, as pessoas passavam por mim como se a dor que me enchia não fosse oceânica e não as abarcasse também. As mulheres falavam, os homens fumavam cigarros.Como eu, esperavam; não a morte, que nós, seres incautos, fechamos -lhe sempre os olhos na esperança pálida de que , se não a virmos, ela não nos verá.

(...)

No quarto, numa cama qualquer que não a tua, o teu corpo, mãe. Talvez distante, preso num olhar entreaberto e amarelado, respiravas ofegante . O ar com que lutavas, lutavas sempre, gritava o seu caminho rouco. 

(...) aos pés da cama, o meu pai calado, viúvo de tudo. À cabeceira, o meu irmão,eu. 

(...)

Pousei te as mãos nos ombros fracos . Toda a força te esmorecera nos braços, na pele ainda pele viva.

(...)

À hora mandaram-nos sair. Quando saímos , agarrados como náufragos , a luz abundante bebia-nos.

(...)

Se pudesse tinha te protegido. Chamavas-me pelo nome, chamavas-me filha, e ouvir o meu nome na tua voz e ouvir filha no fio cálido da tua voz era uma emoção funda.

(...)

No hospital, na sala de espera estagnada tempo inútil e o meu pai sentado, só, longe da nossa casa dos nossos sítios.

(...)

a afastares-te, pelos corredores carregados de cinzento e acesos de eletricidade baça, a afastares-te ,e a sensação terrível de nunca mais voltares.

Entrei em casa (...) do silêncio, da penumbra, um crescer de espectros, memórias? Não, vultos que se recusavam a ser memórias, ou talvez uma mistura de carne e luz ou sombra. E vi-te pensei te lembrei-te, à mesa, sentada no teu lugar. Ainda sentada no teu lugar, e eu, o meu pai, o meu irmão, sentados também, a rodearmos -te.Iguais  ao que éramos.

(...)

Distantes da chuva grossa deste inverno negro, distantes do teu corpo gelado. Lívido na luz trêmula das velas, arranjadinha, vestida com o fato que,  em lágrimas fui provar e comprar à pressa. O teu corpo gelado . E a capela dos Carmelitas cheia de gente a abraçar-me, cheia de gente a dizer-me coitadinha e os meus pêsames e sinto muito, cheia de gente a procurar-me e a querer agarrar-me e prender-me e a dizer coitadinha e os meus pêsames e sinto muito. Mãe. Perder-te. 

(...)

Comigo, a casa estava mais vazia. O frio entrava e, dentro de mim , solidificava. As várias sombras da sombra de mim, imóveis, Passeavam-se de corpo para corpo, porque todos eles, todos meus, eram igualmente negros e frios. E abri a janela. Muito longe do luto do meu sentir, do meu ser, ser mesmo, o sol- pôr a estender-se na aurora breve solene da nossa casa fechada, mãe.

(...)

Mãe. Deixaste te ficar em tudo.

(...)

E Tudo isto é agora pouco pra te conter.

(...)

Sinto tanto a falta das tuas palavras.

(...)

Os teus olhos fechados para sempre. E, de uma vez, deixas de respirar. Para sempre. Para nunca mais. Mãe. Tudo o que te sobreviveu me agride. Mãe. Nunca esquecerei.

(....)

Pasto para o que sobra de ti tudo são resquícios do que foste.

(...)

Viajo no escuro que deixaste e chego, chego finalmente a ti. Mãe.

(...)

Inocente indefesa adormecida serena, tu. As ideias, as tuas memórias cobertas por madeira e verniz e um crucifixo. O caixão fechado. A chuva, a noite.

(....)

E o trabalho das tuas mãos lindas, suaves ternas para mim, repousavam uma sobre a outra.

(...)

Só chuva e noite, mãe. Atrás nós, o passado a crescer quilómetro a quilómetro. E tu, já sem passado, perdida nele e a partir dele a seres dor e palavras, chuva e noite. Tu impossivelmente morta. Mãe.Apenas chuva. Apenas noite.

(...)

Tudo se mantém suspenso. Tudo quer e tenta ser igual. Todos parecem acreditar. Sem ti, as pessoas ainda vão para onde iam, ainda seguem as mesmas linhas invisíveis.Mas eu sei, mãe. Perderam-se as leis contigo. Perdeu-se a ordem que trazias.Mãe.

(...)

Há os instantes que vivemos mil vezes juntas e que agora nascem sem nós nos ultrapassam. Ao sol que partilhamos mil vezes juntos e que agora nascem sem nós e nos ultrapassam . Há o sol que partilhámos mil vezes e que agora não te aquece, que agora não me aquece. Mãe. Passo por tudo e tudo me deixa e passa por mim. Caio. Avanço.Regresso.

(...)

Mãe. Contava -te tudo na certeza de não  te perder e perdi-te.

(....)

Perdi a minha amiga. Tantas saudades. Mãe amiga.

(....)

Mãe que nunca te vi tão vulnerável, olhar de menina assustada perdida a pedir ajuda. Mãe, minha pequena filha.

(....)

Faltava em nós o que aprendemos de ti, a força. E o quarto ficava com a doença e não a fechava, estendia -a por todo a casa e tudo o que se podia tocar.

(....)

Abri as gavetas da cómoda, procurei-te, abrir as portas do armário. Toquei as roupas que nunca mais vestirás.

(...)

Vesti as tuas roupas. Tenho-as  vestidas. Nem largas, nem curtas vesti as tuas roupas e olhei-me no espelho sobre a cómoda . No reflexo encontrei-te, vi-te passar a mão rapidamente pelo cabelo e alisar a roupa no corpo.

(...)

Vim-me igual a ti, nas tuas feições firmes. É -me difícil descrever o teu rosto.

(...)

E ainda recordo os teus braços a puxarem -me de encontro a ti e tu ires e eu a ficar sozinho; a pele das tuas faces, o beijo que dei no teu rosto morto, na tua pele mais lisa do que qualquer pele, mais gelada, e o beijo que não esqueço.

(...)

Procurei-te ainda . Abri a gaveta da mesinha de cabeceira do teu lado da cama. A gaveta cheia de papéis das tuas contas, cheia do que viveste e resiste agora sem vida. Parada no ar, a minha mão dirigiu-se à tua gaveta.

(...)

Parada no ar, a minha mão dirigiu-se à tua gaveta; e, entre faturas, entre somas e multiplicações calculadas com os teus números, descobri um quadrado pequeno de cartolina com um coração redondo de papel de lustro. Abri-o e, com as minhas letras infantis, sobre linhas feitas com uma régua, li: Amo a minha mãe,/ amo a minha mãezinha, /não tenho mais pra te dar,/ dou-te o meu carinho. E chorei.

(...)

 

 

Parei. Diante do portão de ferro que se fecha todos os dias a separar-nos, diante dos muros caiados grossos altos, ouvi o toque dos sinos, leve, numa brisa, no silêncio. O cemitério branco , de contornos só negros , só branco. Segurei o portão, frio como todas as coisas que existem e nos separam, de um ferro muito mais forte que a nossa carne esforçada, a nossa carne sem forças para vencer e a lutar sempre. Entrei.

(...)

Atravessei o corredor dos jazigos , de musgo preso  ao mármore. Dentro de mim, tu sabes,a dor constante  a dor constante.

Tu sabes. A capela à minha frente aproximava -se no vagar lento dos meus passos de procissão. Os Ciprestes falavam lamentos acumulados. E caminhava como se o corpo desistisse de me acompanhar. Sem corpo. Imaterial e com o peso incómodo de mim, acima do chão, cheguei à capela e contornei-a e comecei a ver-te, mãe. Ao longe, o desenho da tua cama de pedra, última, o teu altar singelo. E fui por uma vereda de campas, sempre a olhar-te. A andar sem ver, a seguir uma linha , a ver-te. És brilhante entre os que dormem. Mãe.Eu mais perto de ti, a cada ave negra que planava sobre nós; mais perto de ti, a cada nuvem de encontro ao céu cansado.Cada silêncio no vento. Cheguei onde sei que estás viva. Ficas, ficaste; onde estás, só uma campânula de tempo tempo que não passa, mármore.

(...)

Lembraste de quando te trouxe?, O silêncio, o luto , e eu quis-te levar. O carro parou. Parou a chuva no céu. E eu quis-te levar. Fizeste tanto por mim, fizeste-me, e só pude te levar.

(....)

Descansa, mãe, dorme pequenina, que levo o teu nome e as tuas certezas e os teus sonhos no espaço dos meus . Descansa , não vou deixar que te aconteça mal. Não se aflija, mãe. Sou forte nesta terra nos meus pés. Sou capaz e vou trabalhar e vou trazer de novo aqui o mundo que foi nosso. O mesmo, mãe. O mundo solar. Reconhecê-lo-ei, porque não o esqueci. E também o tempo será de novo, e também a vida. Sem ti e sempre contigo.

(...)

Espeta-se-me no peito nunca mais te poder ouvir ver tocar. Mãe , onde estiveres, dorme agora. Menina. Eras um pouco muito de mim. Descansa, mãe. Ficou o teu sorriso no que não esqueço, ficaste toda em mim. Mãe.Nunca esquecerei.

Texto adaptado do livro” Morreste-me” de José Luís Peixoto 

 

 

18
Jun20

As pontes de Mandison County

AnnaTree

Coisas lidas

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Não tenho a certeza de que estejas dentro de mim, ou de que  eu esteja dentro de ti, ou de que me pertenças. Pelo menos não é isso que eu quero. Acho que estamos ambos dentro de outro ser que criámos e que se chama “nós”. 

“ Na verdade não estamos dentro desse ser. Somos esse ser. Ambos nos perdemos a nós próprios e criamos outra coisa, algo que existe apenas como uma união de nós os dois.

22
Mai20

A vida depois da vida, a sobrevivência da alma de Colin Wilson

AnnaTree

Coisas lidas

Ele descreve como se deparou, quando estudante teologia em Minnesota, como folhetim chamado Begônia Satan, da autoria do Rev. Carl Vogel, descrevendo um caso que ocorrera no Winconsin na época de 1920. Uma rapariga chamada Anna Ecklund começou a ser atormentada com desejos de comoter “atos sexuais indizíveis“ e de blasfemar. Quando começou a mostrar os sinais clássicos de possessão, o padre Theophilus Riesinger , um capuchinho da comunidade de SantoAntonio, decidiu fazer um exorcismo. Anna foi deitada numa cama, e deu- se início à cerimónia de exorcismo. Passados alguns momentos, o corpo de Anna foi arremessado para fora da cama e foi parar na parede por cima da porta, onde ficou preso. Foi puxada para baixo com decisão e o exorcismo continuou. Os seus olhos e gritos eram tão fortes que vinham pessoas de toda a cidade Marathon para ver o que se estava a passar.

 O exorcismo continuou no dia seguinte e muitos dias depois. Vozes que falavam muitas línguas era um emitidas por Ana, embora os seus lábios estivessem firmemente cerrados. A sua cabeça expandia-se “ao tamanho de um cântaro“ e o seu corpo inchava como um balão. As suas convulsões eram tão poderosas que a armação de ferro da cama dobrou-se até ao chão. Muitas entidades que se anunciavam como demónios falavam com o exorcista e demonstravam um conhecimento profundo dos pecados cometidos na infância. Finalmente, o falecido pai de Anna foi “convocado“, e admitiu que tentara incesto com ela, como ela lhe resistira, ele  tinha lhe  rogado uma praga e invocado demónios para a possuírem.Uma ex amante do pai também apareceu e admitiu ter morto algumas dos seus recém-nascidos. Durante todo este tempo, Ana estava profundamente adormecida, ou em transe. Finalmente o corpo de Anna levantou-se de rompante da cama, de maneira que apenas os calcanhares estavam pousados nela, e, quando o padre repetiu o exorcismo, ouviu se o som de um grito estranho, que gradualmente se desvaneceu. Então os olhos da rapariga abriram-se e ela começou a chorar. A possessão terminara.

16
Mai20

A vida depois da vida, a sobrevivência da alma de Colin Wilson

AnnaTree

Coisas lidas

 

Margot Grey, a fundadora da Associação Internacional dos estudos de quase morte, na Grã-Bretanha, faz uma clara a ligação entre as experiências de quase morte e a intuição mística numa passagem com o que contribuiu para The Relevance of Bliss. Ela descreve como o seu próprio interesse em experiências de quase morte começou com um vislumbre pessoal em 1976.Na Índia, sucumbiu a uma febre que durou três semanas, esteve a um passo da morte. “A  uma dada altura, durante o processo de recuperar e perder a consciência, tive a noção de que, se de alguma forma me impelisse, conseguiria elevar-me para fora do meu corpo e permanecer num estado de levitação contra o teto, num canto do quarto. Na altura, isto parecia inteiramente natural e era muito agradável extremamente libertador. Lembro-me de olhar para o meu corpo deitado na cama e de não sentir perturbação pelo facto de provavelmente morrer num país estranho… Mas de pensar. Que não tinha qualquer importância onde deixava eu o meu corpo, que me servira bem, e que, tal como um casaco favorito já gasto, tinha por fim vivido para além da sua vida útil, e seria agora deitado fora. “

Ela descreve a sensação de flutuar numa escuridão total e uma sensação de “ser um só“ com o espaço infinito: 

“mais tarde, parecia estar a percorrer um túnel sem fim; conseguia ver uma luz minúscula no extremo do túnel, para o qual me parecia estar a mover… Lembro me de ter a certeza de que terminaria eventualmente de percorrer o túnel e emergiria na luz, que era como a luz de uma estrela muito brilhante, mas muita mais resplandecente. Um sentido de exaltação era acompanhado de uma sensação de estar muito próxima da “fonte” de vida e do amor, que parecia ser una.

12
Mai20

A vida depois da vida, a sobrevivência da alma de Colin Wilson

AnnaTree

Coisas lidas 

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Um médico chamado Speers persuadiu -o por fim a assistir a uma sessão espírita em 1872 e ele ficou impressionado quando recebeu uma descrição precisa de um amigo que morrera no norte da Inglaterra. Ele começou assistir às sessões espíritas de Daniel Dunglas Home e ficou finalmente convencido com os incríveis fenómenos de Home. Pouco tempo depois disto, ele apercebeu-se de que ele próprio era um médium. Coisas estranhas começaram a acontecer. Ouviam-se ruídos de pancadas em todo o quarto. Objetos de toilette do seu quarto flutuaram até à cama formando uma cruz. Começaram a cair a aportamentos- tal como perfume e alfinetes— do nada. Depois, para seu alarme, William Stainton Moses sentiu que estava a ser levantado no ar. A terceira vez que isto aconteceu, foi atirado para cima de uma mesa, depois para um sofá. Começou a presidir a sessões espíritas, em que a mesa flutuava no ar, instrumentos musicais tocavam e todo o tipo de perfumes  percorriam a sala. A sua honestidade e integridade eram tão óbvias que ele fez mais do que ninguém para convencer Myers da realidade dos médiuns .

Como os ruídos de pancadas duravam tanto, Moses decidiu tentar a escrita automática. Ele colocava a sua questão por escrito no princípio da página, depois ficava a espera com um lápis na mão até que esta começaste a escrever. A caligrafia era pequena e bonita, bem diferente da do próprio Moses. Por fim, Moses acumulou 24 volumes deste escritos automáticos. Depois da sua morte, estes foram cedidos a Myers, que fez uma seleção de parte deles para uma obra intitulada Spirits Teachings,. Juntamente com The Spirit’s Book, de Alan Kardec , isto forma o mais interessante corpo de escrita automática na literatura espiritualista.

Tal como Myers, Staiton Moses inclinava-se a acreditar que todos os textos derivavam da sua própria mente inconsciente. Numa ocasião, ele pediu ao “espírito“ — que parecia ser culto e inteligente — para citar a primeira linha da Eneida de Virgílio. O espírito escreveu corretamente a resposta. Moses apercebeu-se subitamente que, embora ele próprio não soubesse a primeira linha conscientemente , poderia facilmente ter -se recordado desta dos seus dias de aulas. Então pediu ao espírito que fosse até a estante de livros, seleciona-se o penúltimo livro da segunda prateleira e lesse o  último parágrafo da página 94. O espírito fez isto aparentemente sem remover o livro bastante. O próprio Moses não fazia ideia de que livro se tratava, mas o espírito citou  o parágrafo palavra palavra. Isto poderia, com certeza, ser explicado através da teoria da “criptomnesia“ — que Moses ao lera o parágrafo há algum tempo, e que a sua mente subliminal Conseguia relembrar-se dele palavra por palavra. Para o convencer, o espírito decidiu selecionar ele próprio um livro. Ditou um parágrafo do poeta Pope, e depois disse a Moses que o encontraria na mesma estante, um livro chamado Poetry,Romance and Rethoric. Quando Moses  retirou o livro da estante, este abriu-se na página certa.

11
Mai20

A vida depois da vida, a sobrevivência da alma de Colin Wilson

AnnaTree

 

Coisas lidas

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Wiltse “morreu” febre tifoide, depois de se despedir da sua família e amigos. Depois de perder a consciência, ele acordou, aparentemente ainda “dentro” do seu corpo, mas sentindo-se de alguma forma desligado deste. Conseguiu estar ali deitado e observar a forma como os órgãos do seu organismo interagiam consigo mesmo — a sua “alma”. Ele disse: “percebi que epiderme (camada de fora da pele) era a fronteira dos derradeiros tecidos, por assim dizer, da alma.” depois, sentiu-se a ser suavemente embalado para diante e para trás à medida que se ia separando do seu corpo. Havia uma sensação de “inúmeros cordões a romperem-se”, e “ele” sentiu que se estava a afastar do seu corpo, começando pelos pés, em direção à cabeça. Depois ele “espreitou” pelo crânio, sentindo que apresentava a forma e cor de uma alforreca.

“Ao emergir da cabeça, flutuava para cima e para baixo… tal como uma bola de sabão… Até que por fim me libertei do corpo e caí suavemente no chão, de onde me levantei lentamente o me ampliei à estatura normal de um homem.”

Havia duas senhoras no quarto, e ele ficou embaraçado por estar despido, mas, ao alcançar a porta, verificou que estava a vestido.Voltou-se e o seu cotovelo tocou num homem que estava no quarto; para seu espanto, o seu cotovelo atravessou o homem.

Ele começou a ver o lado humorístico da situação — com o seu corpo morto deitado na cama — e fez uma vénia cómica. Depois deu uma sonora gargalhada; ninguém ouviu. Saiu do quarto, e reparou que um cordão Delgado, “como uma teia de aranha”, o ligava  desde os ombros ao seu corpo deitado na cama.

Percorreu a  estrada — a qual, diz ele, conseguia ver com perfeita clareza — e de novo perdeu a consciência. Quando acordou, parecia que estava a ser empurrado para a frente por um par de mãos invisíveis. À sua frente, ele viu três “rochas prodigiosas“ enquanto por cima se formava uma nuvem negra. Uma voz que se fez ouvir diretamente na sua cabeça disse-lhe que se ele passasse as rochas, entraria no “mundo eterno“, mas que, se o escolhesse, poderia regressar ao seu corpo. Ele sentiu uma forte tentação passar Comarca da baixa por entre as rochas, mas, ao tentar espreitar para lá da “linha defrontem de Fronteira”, viu uma pequena nuvem negra e “percebi que deveria parar”. De repente acordou, deitado na cama, e insistiu em contar a todos os presentes o que acontecera , embora eles insistissem em  que não perdesse as suas forças.

É fácil, com o salienta Myers, ignorar esta história como se se tratasse de um sonho. Mas a questão a notar é que Wilse tinha deixado de respirar e fora dado como morto pelo médico. É possível, com certeza, que ele tenha perdido a consciência durante quatro horas e depois tenha acordado de novo; mas é estranho que tenha tido um “sonho” tão preciso e pormenorizado sobre a sua morte depois do seu pulso ter parado.

30
Abr20

A vida depois da vida, a sobrevivência da alma de Colin Wilson

AnnaTree

 

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Coisas lidas

 

(...)

Existem várias evidências de que povos primitivos eram muito mais psíquicos do que nós. Alguns aborígenes australianos têm a capacidade de detetar água subterrânea sem ajuda sequer de uma varinha de vedor.

(....)

De qualquer forma, parece óbvio que, em milhões de anos de evolução, diferentes poderes e capacidades são desenvolvidas e depois tornam a desaparecer, quando cessam de ser necessárias .Embora possam ter desaparecido, permanecem os códigos genéticos.

(....)

Nos últimos 3000 anos, os humanos adaptaram -se à civilização. Mas as vastas profundidades do seu ser, devem existir milhares de características que os humanos desenvolveram durante as largas eras de seca e gelo dos últimos três  milhões de anos, e que estão armazenadas na prateleira dos genes para o caso de virem revelar-se úteis um dia.

28
Abr20

A vida depois da vida, a sobrevivência da alma de Colin Wilson

AnnaTree

Coisas lidas

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(...)

Myers descreve uma série de experiências levadas a cabo por Edmund Gurney, e mais tarde pela Sra.Sidgwick, que revelaram que a maior parte das pessoas podiam ser hipnotizadas a dois diferentes níveis ou “profundidades”, e que uma das pessoas conseguira ser hipnotizada em distintas “profundidades”, e que uma das pessoas conseguira ser hipnotizada em nove distintas profundidades. A pessoa era colocada sou hipnose e contava-se-lhe um “facto” — por exemplo, que o hotel local tinha ficado destruído depois do incêndio. Depois, a pessoa era hipnotizada a um nível mais profundo, e contava-se-lhe um outro facto, por exemplo, um acidente de comboios. A seguir, uma terceira “profundidade” e mais um facto — que o imperador da Alemanha fora obrigado a encurtar a sua visita de Estado à Rainha Vitória porque falecera um parente. Ao tornar a ser hipnotizada, a pessoa recordava cada um dos factos ao chegar ao nível certo, mas não tinha memória qualquer um dos outros factos. Myers Inferiu que esta poderia ser a explicação para a personalidade múltipla — que todos nós possuímos diversas camadas ou níveis, e que um choque — como a víbora de Vivé — poderia provocar um efeito como que de hipnose , mergulhando o paciente noutro nível de personalidade. Esta explicação pode ou não estar correta, mas demonstra a determinação de Myers de tentar encontrar uma chave para os mistérios da mente inconsciente.

27
Abr20

A vida depois da vida, a sobrevivência da alma de Colin Wilson

AnnaTree

Coisas lidas

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(...)

Vivé sofria agora de paralisia no lado direito, e de um defeito na fala que o levava a gaguejar pronunciadamente. Não obstante o defeito na fala, falava sem parar e inclinava-se para a pregação do ateísmo e de revoluções violentas.

A década de 1880 assistiu um renascimento das doutrinas de Mesmer, incluindo a sua convicção de que os “puderes vitais” podem ser deslocados pelo corpo humano por meio de ímanes.Os médicos de Vivé estavam interessados numa variante desta doutrina — que diversos metais conseguiriam fazer desaparecer a paralisia. Quando tentaram passar o ferro sobre a parte superior do braço direito de Vivé , o resultado surpreendente foi a passagem instantânea da paralisia do lado esquerdo do seu corpo. Imediatamente , regressou ao Louis Vivé antigo e meigo. Não tinha memória da pessoa em que se tinha transformado depois da longa crise epiléptica.

Possuímos uma pista desconhecida dos Médicos de Vivé - que o hemisfério cerebral esquerdo controlo lado direito do organismo, e vice-versa. Portanto, quando o lado direito de Vivé “criminoso” estava paralisado,o seu hemisfério esquerdo estava afetado, e a personalidade que se estava a expressar era do hemisfério direito de Vivé . O hemisfério esquerdo é o que controla a fala - daí a gaguez.  É possível discernir os contornos aproximados do problema de Vivé . Tivera uma infância difícil, com uma mãe violenta e embriagada; adquiriu uma personalidade tímida e reprimida.O “eu social” , como constatamos, vive no hemisfério esquerdo. O seu “eu” do hemisfério direito — o Vivé “intuitivo” — não tivera hipótese de exprimir a sua agressividade e frustração. O choque da luta com a víbora causou uma afastamento total do “eu “ tímido do hemisfério esquerdo, deixando o “outro Vivé ” livre para se exprimir. A partir de então, converteu-se num caso clássico personalidade múltipla.

O relato que Myers faz do caso ( dando a sensação que entrevistou pessoalmente Louis Vivé ) termina com uma interessante nota de rodapé; menciona que quando um íman foi colocado sobre a cabeça de Vivé , ele ficava de novo “normal” instantaneamente, exceto que a sua memória não abrangia nada do que acontecera depois do dia da luta com a víbora . Parece bastante claro que o “magnetismo “realmente funcionava e que a ciência moderna poderá estar a negligenciar uma interessante linha de investigação

26
Abr20

A vida depois da vida, a sobrevivência da alma de Colin Wilson

AnnaTree

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Coisas lidas

(...)

Louis Vivé tinha 10 anos de idade quando foi enviado para um orfanato em 1873. Tinha uma disposição calma e obediente . Quatro anos mais tarde, defrontou-se terrivelmente com uma víbora, que o deixou em estado de choque. Depois disto, começou a sofrer de ataques epilépticos e a desenvolver paralisia histérica nas pernas. Foi enviado para um hospício em Boneval  para ser observado , e nos dois meses a seguir  trabalhou tranquilamente no ofício de alfaiate. Então teve uma crise que durou dois dias , conclusões violentas e períodos de êxtase. Quando despertou, a paralisia desaparecera e ele tornou-se uma pessoa diferente.

Não tinha qualquer lembrança do que acontecera desde o ataque  da víbora . Também era violento, desonesto e malcriado. O antigo Louis era abstémio; o novo não só bebia como roubava o vinho dos outros pacientes.

Depois de cumprir serviço na Marinha e de ter passado algum tempo na cadeia por roubo , Vivé regressou aohospício de Rochford, onde três médicos ficaram fascinados  com o seu caso.

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