Sexta-feira, 30 de Março de 2007

Boa noite de Pedro Paixão lido em 1997 (continua)

Coisas lidas
(...)
-Por ti deixava de roer as unhas e pintava-as de amarelo. Por ti sacrificava a minha pomba favorita. Tornava concretas todas as minhas ânsias. Por ti fazia tudo, menos que de mim fizesses outro.
(...)
Uma pessoa é uma pessoa diferente para cada um. Uma pessoa são muitas pessoas juntas numa só. Uma pessoa vai sendo várias pessoas ao longo do tempo e por vezes tem dificuldades em se reconhecer naquilo que foi. Fecha os olhos e vê-se parado no passado e fica espantado de se ver ali naquela companhia, naquele sítio a fazer o que já nem sabe como. Quando sente dificuldades em dormir costuma entreter-se com este género de divagações.

sinto-me: e no domingo quem vai ganhar?

publicado por AnnaTree às 11:58
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Quarta-feira, 28 de Março de 2007

Boa noite de Pedro Paixão lido em 1997 (continua)

Coisas lidas
(...)
As pessoas não vivem umas com as outras para serem felizes, acho eu, as pessoas vivem umas com as outras e ás vezes sentem-se felizes, acho eu, as pessoas vivem umas com as outras e ás vezes sentem-se felizes e outras vezes não. Claro que há a ilusão de que se vai ser feliz, tem de haver, mas uma ilusão só vale o tempo que dura uma ilusão, o que, aliás, é mais do que suficiente, já que é por isso que duas pessoas passam a viver juntas e depois também se separam mais facilmente.
(...)
Ele ficou calado. Ele sabia que não podiam acabar em bem. È raro que as coisas acabem bem porque se estivessem bem não acabavam, não é? Mas não queria ser ele a acabar. Ele tinha muito cuidado. Se não fosse a L... ficava com ela, ia viver com ela. Só que havia a L....Havia sempre a L...Parecia-lhe mais fácil assassina-la do que separar-se dela. Mas isto são só coisas em que se pensa e não se fazem.

música: ouço jazz de manhã!

publicado por AnnaTree às 10:56
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Segunda-feira, 26 de Março de 2007

VALERÁ A PENA?

Coisas lidas

Um rapaz e uma rapariga apaixonaram-se loucamente, e resolveram ficar noivos. Os noivos trocam sempre presente.
O rapaz era pobre- o seu único bem consistia num relógio que herdou do seu avô. A pensar nos cabelos da sua amada resolveu vender o relógio e comprar um lindo travessão de prata. A rapariga tão-pouco tinha dinheiro para o presente do noivo. Então foi a loja do principal comerciante do lugar e vendeu os seus cabelos. Com o dinheiro comprou uma corrente para o relógio do seu amado.
Quando se encontraram, no dia da festa de noivado, ela dá-lhe a corrente para o relógio que fora vendido e ele dá-lhe um travessão para uns cabelos que não existiam mais.
 esta não sei onde li....

sinto-me:
música: feel the love genaration

publicado por AnnaTree às 14:55
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Sexta-feira, 23 de Março de 2007

Felicidade

POETANDO POR AQUI....

Felicidade
A felicidade, árvore milagrosa que supomos
Toda vestida de dourados pomos,
Existe sim, mas nós não a encontramos
Pois está sempre presente
Onde a pomos
Mas nunca a pomos onde nós estamos


Vicente Carvalho


NÃO SE ESQUEÇAM QUE SABADO MUDA A HORA
sinto-me:

publicado por AnnaTree às 11:58
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Quarta-feira, 21 de Março de 2007

Carta de um filho a todos os pais do mundo

Coisas recebidas por e mail

(esta hj é quase em jeito de oração!)

Não me dês tudo o que te peço. Às vezes peço apenas para saber qual é o máximo que posso obter.

Não me grites. Respeito-te menos quando fazes isso; e ensinas-me a gritar também. E eu não quero fazê-lo.

Não me dês sempre ordens. Se em vez de dares ordens, às vezes me pedisses as coisas com um sorriso, eu faria tudo muito mais depressa e com gosto.

Cumpre as promessas, boas ou más. Se me prometeres um prémio, dá-o; mas faz o mesmo se for um castigo.

Não me compares com ninguém, especialmente com o meu irmão ou com a minha irmã. Se me fizeres sentir melhor que os outros, alguém irá sofrer; e se me fizeres sentir pior que os outros, serei eu a sofrer.

Não mudes tão frequentemente de opinião acerca daquilo que devo fazer. Decide, e depois mantém essa decisão.

Deixa-me desembaraçar sozinho. Se fizeres tudo por mim, eu nunca poderei aprender.

Não digas mentiras à minha frente, nem me peças que as diga por ti, mesmo que seja para te livrar de um sarilho. Fazes com que me sinta mal e perca a fé naquilo que me dizes.

Quando eu fizer alguma coisa mal, não me exijas que te diga a razão por que o fiz. Às vezes nem eu mesmo sei.

Quando estiveres errado em algo, admite-o e será melhor a opinião que eu terei de ti. Assim ensinar-me-ás a admitir os meus erros também.

Trata-me com a mesma amabilidade e cordialidade com que tratas os teus amigos. Lá por sermos família não quer dizer que não possamos ser também amigos.

Não me digas para fazer uma coisa que tu não fazes. Eu aprenderei aquilo que tu fizeres, ainda que não me digas para fazer o mesmo; mas nunca farei o que tu me aconselhas e não fazes.

Quando te contar um problema meu, não me digas «não tenho tempo para tolices», ou «isso não tem importância». Tenta compreender-me e ajudar-me.

E gosta de mim. E diz-me que gostas de mim. Agrada-me ouvir-te dizer isso, mesmo que tu não aches necessário dizê-lo.

(autor ignorado) http://paginasfamilia.no.sapo.pt/carta.htm

 

 

 

sinto-me:

publicado por AnnaTree às 11:48
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Segunda-feira, 19 de Março de 2007

Uma Vez

Deixa caír
Aposto que não passa do chão
À devida distância
Uma queda pode ser apenas percussão
Deixa morrer
O gesto que começou mal
Depois vai ter tempo
De reconstruir a tua catedral
Uma vez
Era o rei e o bobo
Separaram-se até mais ver
Mas não deixaram de se corresponder
Uma vez
Era o belo e o monstro
Também esses fizeram planos
De nunca mais deixarem de se entender
Conheço alguém
De quem mal me consigo lembrar
Abençoado quem tem quem
De vez em quando o venha visitar
Na tua mão
Pressinto um futuro feliz
Tira o lápis da boca
E escreve o que a solidão te diz
Uma vez
Era o génio e o louco
Separaram-se até mais ver
Mas não deixaram de se corresponder
Uma vez
Era o choro e o riso
Também esses fizeram planos
De nunca mais deixarem de se entender

Jorge Palma


publicado por AnnaTree às 15:52
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Sexta-feira, 16 de Março de 2007

Arroz de polvo

Coisas lidas 

Sucedeu-me uma vez comer arroz de polvo tendo sido eu a apanhar o polvo... e garanto que nunca semelhante prato me soube tão bem como nessa ocasião. Era, aparentemente, um polvo igual a todos os outros e foi cozinhado da mesma forma que os outros. Mas era diferente: tinha resultado de horas de esforço, de vários fracassos, de sucessivas buscas inglórias nos rochedos, de alguns arranhões...
E verifiquei que na minha vida de saltimbanco, de escola em escola, ano após ano, me custou mais abandonar aqueles lugares onde tinha sido possível dar mais do meu tempo e do meu esforço aos meus alunos e às tarefas que realizei.
O sacrifício cria laços. Por que é que os teus filhos não são para ti o mesmo que as outras crianças? Não é apenas por serem do teu sangue; é, principalmente, porque te gastaste longamente para os tornar belos, saudáveis, fortes, íntegros; porque cuidaste deles; porque tiveste paciência; porque passaste noites sem dormir; porque te afligiste e choraste. Há tanto de ti naquilo que eles são que, de algum modo, vives neles e a sua vida é a tua vida.
Este género de união, criada e alimentada pelo sacrifício, tem o nome de amor. E não existe amor sem sacrifício. E não há outra coisa a que tão propriamente se possa chamar amor como à decisão desinteressada de tornar feliz outra pessoa custe o que custar.
(...)
Do mesmo modo, é bom que compreendas o enamoramento. É uma forma de a natureza aproximar as pessoas, mas não as une. Com ele, o enamorado sente gosto em se sacrificar para tornar feliz a sua bem-amada, e a ela sucede-lhe o mesmo. E enquanto, quase sem o notarem, sofrem para tornar o outro feliz, vão construindo o amor. Depois disso, mais cedo ou mais tarde, a paixão vai-se embora, com a missão cumprida.
Quando dás de ti, quando sofres pelos outros, crias laços. E desse modo estabeleces, ou descobres, o teu sentido. Passas a ter pontos de referência. Estás localizado e sabes para onde deves ir.
Os teus filhos, portanto, devem habituar-se desde pequenos a ajudar em casa, a prestar serviços na medida das suas capacidades. O lar, esse milagre quotidiano, deve ser também uma construção deles. Algumas vezes as tarefas que lhes deres exigir-lhes-ão um sacrifício custoso. Mas sem isso a casa não seria a sua casa: seria um lugar vazio, a pensão onde teriam de ir dormir e comer durante mais algum tempo, exigindo que os servissem sem falhas. Assim, porém, sentir-se-ão responsáveis por aquilo que foi também obra sua. Acabarão descobrindo por si mesmos as tarefas que é preciso realizar. Olharão para a casa, para os pais, para os irmãos com os olhos perspicazes do amor.
(...)
A desilusão, o fracasso, o esforço, o sofrimento e a morte... nada disso importa muito. Só dói verdadeiramente a falta de sentido.



Paulo Geraldo

música: drive dos Cars

publicado por AnnaTree às 11:57
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Quarta-feira, 14 de Março de 2007

Rosa de Hiroshima

MUSICANDO POR AQUI....
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexactas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioactiva
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atómica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada


Cantado por Ney Matogrosso
Composição: Vinícius de Moraes

«céu e inferno são coisas bem terrenas» Conquest of Paradise


publicado por AnnaTree às 15:09
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Segunda-feira, 12 de Março de 2007

volto a casa

Eu volto
Á casa onde contigo se
Demorou o verão e arrumo
os livros, escondo as cartas, viro os retratos
para a mesa. Sei que o tempo
se magoou de nós,
sei que não voltas, e ouço
dizer que as aves
partem sempre assim,
subitamente.
(...)
volto a casa e demoro-me
nos quartos frios do silencio.
Esconderam os retratos
Dentro dos livros. E os livros
Nas gavetas . e fizeram
As camas para sempre de lavado.

Desconheço o autor
música: all cried out alison moyet

publicado por AnnaTree às 11:03
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Sexta-feira, 9 de Março de 2007

EU TE AMO

MUSICANDO POR AQUI....

EU TE AMO
Tom Jobim – Chico Buarque, 1980)

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir


publicado por AnnaTree às 11:49
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