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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

10
Mai07

Balada do desespero”, Pedro Barroso (Do lado de cá de mim)

AnnaTree

Arvore a duas mãos....
By OPRINCIPAL

Porque nasceste, vives
Porque vivias cresceste
Porque cresceste tiveste
A sorte que não sabias
Porque estudaste aprendeste
As coisas de se saber
E outras inúteis de sobra
As coisas de se esquecer
As coisas de se esquecer

Porque cumpriste fizeste
O que te mandaram fazer
Os padres o pai a mãe
O professor o mais velho
O sargento o comandante
O senhorio a porteira
O ministro o governante
O cobrador o pedreiro
- esteja cá na terça-feira!
O bancário o carpinteiro
O homem do gás da luz
Da água do pão do leite
E acabaste cumprindo
Cumprindo tudo a preceito

Encomendaste gravatas
Fatos novos e sapatos
Dedicaste-te ao chinquilho
Talvez ao king
Fizeste um filho e outro filho
Nas horas livres, às vezes,
Em havendo futebol
Sentiste-te homem de tasca
Sentiste que eras uma besta
Mas segunda-feira cedo
Bem cedo bem matinal
Te achavas de novo pronto
Partindo para o mesmo emprego
Comprando o mesmo jornal

E sempre todos os dias
Cobiçaste a secretária
Do teu chefe o sr. Sousa
Para à noite pernas moídas
Tomares o trinta e sete
O carrinho ou a bicicleta
E regressando cansado
Do barulho e da ausência
Sentires-te reencontrado
Da solidão na indolência
De um canapé recostado
Pijama e televisão
Aquecedor e decência
Tudo muito bem ligado
Tudo muito bem sentado
Em conforto e concordância
Em conforto e anuência

Nas férias grandes redecoraste-te
Bizarro na concepção
E arriscaste um figurino
Foste às compras de calção
E sorriste aos teus parceiros
De barraquinha na praia
E à senhoria vizinha
Que nunca tirou a saia
Calculem só os senhores
Agosto inteiro com saia

Aturaste a pequenada
Brigas brirras fraldas caca
Apreciaste o traseiro
Da amiga do teu amigo
Rechonchudinha mulata
- já é preciso ter lata!
Viraste a cara em decoro
Não vão os putos ver isto
Espalhaste óleo pelas espaldas
Enquanto a tua mulher
Um pouco desconfiada
Desabrida e despeitada
Te exigiu
- Ó silva tu muda as fraldas!

Depois à noite porreiro
Caminhaste na avenida
Muito fresco e prazenteiro
Com a pança bem comida
Às vezes de um frango inteiro
Que não és homem dos fracos
Dos fracos não reza a história
E o Silva é alguém na vida
Homem de bem de memória
Contabilista da firma
Tal e tal rua da Glória
- Sempre que quiser já sabe
É uma casa às suas ordens…

E depois pelo caminho
Regressas gritas dás ordens
Recuas gritas dás ordens
E ameaças o outro
Que ginou para este lado
- se calhar querias coitado!
E o camião chateado
De se ver ultrapassado

Regressas mais bronzeado
Mais gordo talvez mais magro
Mais velho um mês e quem sabe
Mais cansado que à partida

Regressas ao rame rame
Enquanto suspirarás
Todo o ano por um mês
Todo o mês por outra vida
Toda a vida por viver
Algo que te valha a pena
Ou então tu já nem sentes
E mentes-te enquanto sentes
E mentes e já não sentes
E já não sentes mas mentes

Ano a ano te esfolharam
Te roubaram prestações
Letras fantasmas viagens
Cromos selos colecções
Hálito fresco e saudável
Graxa sabão brilhantina

Mudaste a cor do salão
De azul para verde marinho
Do verde para um branquinho
E enfim para um castanho
- o que é que achas? – mais clarinho…
E ao fim de tanto trocares
Baralhares e confundires
Acabas por rebentar
Evitando pelo menos
Teres enfim de destruir
Tudo o que creste ser belo
Ser lindo ser valioso
Acabaste confundindo
Viver com reeducar-te

Passaste o tempo calcando
O que podias ter sido tu
Nu inteiro e pessoal
Pois que assim afinal
Foste um entre milhões
Que de morte natural
Tem uma cruz lega uns tostões
E cai podre numa cova
Em funeral

Não te ficou nem um gesto
Que não façam mais milhares
Não te ficou nem um risco
Um grito para espalhares
Não te ficou nem uma sobra
Uma intenção uma raiva
Isto é caso pra dizer
Parvo incapaz e castrado
Rastejante e tão honrado
Foste um escravo do dever
Um pobre mais um na selva

Repousa em paz bom rapaz.

“Balada do desespero”, Pedro Barroso (Do lado de cá de mim)

08
Mai07

(parte I) Como Aumentar a sua auto-estima lido em 1997

AnnaTree

Coisas lidas


Analise os resultados que implica o facto de viver conscientemente, em contraposição com os produzidos por viver inconscientemente:
Pensar, embora seja difícil, contra não pensar. O conhecimento, ainda que seja um desafio, contra o desconhecimento.
A clareza obtenha-se ou não com facilidade, contra a obscuridade ou a vacuidade.
O respeito pela realidade, agradável ou dolorosa, contra a fuga a ela. O respeito pela verdade, contra a sua rejeição.
A independência contra a dependência. A atitude activa, contra a atitude passiva. A vontade de correr riscos adequados, embora inspirem medo, contra a falta de vontade.
A honestidade consigo próprio, contra a desonestidade.
Viver no presente e de acordo com ele, contra refugiar-se na fantasia.
Enfrentar-se a si próprio, contra evitar-se.
A vontade de ver e corrigir os erros, contra a perseverança no erro. A razão contra o irracionalismo.


06
Mai07

dia da mae

AnnaTree

hj é dia da mae


hj é dia da mãe... os meus filhos estão a preparam-me uma surpresa e já recebi uma massagem com oleos incensos e petalas de rosa, um ramo original de flores, uns brincos e um anel e estou a preparar me para sair para jantar.... não sei o que fiz para merecer tamanhos filhos!


hj é dia da mãe....e eu estou danada....pq não tenho mãe.queria uma mãe....e não tenho !


eu ana me confesso... 

qdo vou na rua e vejo uma mae com a idade da minha e uma filha  acompanha-la fico para morrer de inveja....e não pensem que é inveja da boa(como eu costumo dizer) é da má mesmo.... quero tirar a mãe áquela filha.... quero que todas as maes da idade da minha que passeiam com as suas filhas na rua desapareçam da minha frente!


tenho dito!


ana

04
Mai07

Eva luna de Isabel allende lido em 1995

AnnaTree

Coisas lidas ...


Estou só no cume da montanha ao amanhecer. Na névoa leitosa vejo os corpos dos meus amigos a meus pés, alguns rebolaram pelas ladeiras como vermelhos bonecos desmembrados, outros são pálidas estátuas surpreendidas pela eternidade da morte. Sombras silenciosas trepam até mim. Silencio. Espero.Aproximam-se. Disparo contra essas silhuetas escuras em pijamas negros, fantasmas sem rosto sinto recuar a metralhadora, a tensão queima-me as mãos. Cruzam o ar as linhas incandescentes dos fogachos, mas não há um único ruído. Os assaltantes tornam-se transparentes, as balas passam atravéz deles sem os deter, continuam avançando implacáveis.
Rodeiam-me... Silencio... O meu próprio grito desperta-me e continuo gritando. Gritando.
(...)
Apagou-se tão silenciosamente como tinha vivido. Eu estava a seu lado, e não esqueci esse momento, porque a partir de então tive de aperfeiçoar a percepção para que ela não se me perca entre as inapeláveis sombras onde vão parar os espíritos difusos.
(...)
Para não me assustar, morreu sem medo...
- A morte não existe, filha. A gente só morre quando nos esquecem-explicou-me a minha mãe pouco antes de partir-se puderes recorda-me, estarei sempre contigo.
(...)
Pegou-me então na mão e com os olhos foi-me dizendo quanto gostava de mim, até que o olhar se lhe nebulou e a vida se lhe desprendeu sem ruído. Por alguns instantes pareceu que algo translúcido flutuava no ar imóvel do quarto, iluminando-o com um resplendor azul; mas depois voltou a ser quotidiano, apenas ar... A luz outra vez amarela.
(...)
Carlé defendia a teoria de que os seres humanos se dividem em bigornas e martelos, uns nascem para bater e outros para serem batidos.
(...)
Achava que era melhor ser homem, porque até o mais miserável tinha uma mulher em quem mandar.

02
Mai07

Dói-me a alma nas costas.

AnnaTree

Coisas lidas ...


Dói-me a alma nas costas.
Não sei porque me dói a alma na região lombar.
(Zona do corpo assaz prosaica, e nada dada a estas coisas de dores de alma e versos e literatura e poesia...)
Mas é ai que me dói!
Foi aí que primeiro a dor se alojou,
Foi aí que à dor a mágoa se juntou,
E depois da mágoa
As desilusões, as decepções,
E todos os outros etc
Que juntos tornam a vida uma merda
E a alma coisa real e dolorosa.
Talvez a dor fosse tanta que no peito não cabia,
Talvez a raiva com que a reneguei
A força com que do coração a expulsei
A recusa em senti-la
A assustasse,
E entre vértebras, a alma se escondeu.
Se ninguém sabe onde tem a alma
Eu sei onde está a minha!
Está alojada na região lombar
Entre a quinta e a sexta vértebras.
E trato-a com anti-inflamatórios
E relaxantes musculares.

Lido
http://eroticidades.blogspot.com/

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