Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007

consciencia ecologica



Estes dias que passei no carvoeiro foram excelentes! Um tempo como nunca esperei encontrar nas últimas semanas de Setembro e em que muito se assemelha ao início de Outono que eu tanto gosto. Temperaturas amenas e as da agua do mar muito próximas com as temperaturas do ar o que significa andar constantemente dentro e fora de agua. E ontem esteve uma noite encantadora de lua cheia. Depois do jantar eu e o João resolvemos descer a pé á vila. Como haviam já três sacos de lixo reciclável eu resolvi carregar com um saco com algumas garrafas e um bidão de água. O João resolveu auxiliar-me com os outros dois sacos mas, em seu sentido prático, passando perto de um contentor de lixo orgânico parou olhou pra mim e disse: «e se hoje, só hoje eu deitasse aqui?» – sorri, afinal o único eco ponto que havia era lá em baixo na vila e teríamos que caminhar a pé com os sacos na mão, retruquei, andando uns passos á frente: «faz o que a tua consciência ecológica mandar, mas lembra-te que o planeta tá-nos emprestado! E segui rua abaixo com o meu saco enquanto ouvia os sacos do João caírem com estrondo no contentor de lixo. Iniciamos assim uma dissertação sobre a obrigação de quem paga impostos reciclar lixo quando já pagamos uma taxa para resíduos sólidos. Argumentei que a exemplo da Alemanha podíamos criar dias da semana certos para recolha de cada um dos lixos: 2. feira lixo orgânico; terça-feira os vidros 4.feira lixo orgânico 5.feira cartão 6 feira lixo orgânico e sábados os plásticos; mas concluímos que aqui em Portugal é tudo bem diferente e nós que pagamos taxas de resíduos sólidos ainda temos que nos deslocar a três quilómetros de distância para depositar o lixo reciclado. Íamos nós a conversar debaixo da luz da lua, a estrada era muito mal iluminada. Eu de braço na cintura do João e ele agarradinho a mim…saco de lixo na minha mão esquerda…enfim um passeio romântico á luz da lua e com a sensação que ia cumprir com um dever cívico quando de repente e porque observava a lua o meu pé resvala para dentro de um buraco e vejo – me atirada ao chão sem dó nem piedade. Na queda, levo o João arranhando-lhe os rins até a marca das minhas unhas ficarem gravadas. Levei com o João em cima ele caiu de lado em cima de mim…e como se não bastasse ainda levei com o saco da consciência ecológica em cima de mim. Acreditem o cenário era de horror. Já que após ter caído sobre mim o João rebolou e bateu com a nuca no chão e fechou os olhos não mais os abrindo para meu horror. Chamei – o vezes sem conta sem notar que o pé estava já a latejar-me só quando o tentei levantar reparei nas dores lancinantes do meu tornozelo. Aí o João como por milagre ressuscitou do chão onde jaziam garrafas que ainda rebolavam pelo chão da rua inclinada….o espectáculo para quem via devia ser desolador e dado a especulações de que tanto eu como ele éramos dois bêbados perto do coma alcoólico estatelados na estrada a olhar a lua! Prontamente o João disse-me para me deitar no chão que ele ai ao restaurante perto chamar o 112. Contou me ele depois que dirigindo – se ao primeiro bar de indianos perguntou se falavam inglês ele disse que sim e o João pediu -lhe para ligar para o 112. O homem embaraçado disse – lhe para ir ao bar em frente porque não sabia bem falar inglês nem português. Entrado no segundo bar aconteceu – lhe exactamente o mesmo e também eram indianos. Á terceira tentativa encontrou um bar de portugueses atenciosos que fizeram a chamada. Á pergunta em que rua estávamos a menina disse: «basta dizer lhes que é no carvoeiro na zona dos bares, eles sabem onde é» quando o João retomou a chamada e disse onde estávamos e quais eram os meus sintomas eles disseram que o melhor era irmos nos lá ter – provavelmente pensando que se tratava de uma grandessíssima bebedeira!!!! Nem queríamos acreditar!!! Nós que pagamos impostos que cumprimos com as nossas obrigações ecológicas quando caímos num buraco do governo do Sócrates e pedimos uma ambulância era -nos recusada!!?!! Entretanto esperei horrores! Deitada no chão do passeio e só com um gato vadio por companhia, primeiro bufou-me, depois foi-se aproximando e ali ficou até o João chegar com o carro para me levar ao hospital de Portimão. Durante este tempo todo estive com uma saca de gelo no tornozelo deitada no passeio. Várias pessoas passaram de carro ou a pé por mim sem sequer me perguntarem se precisava de auxílio!!!!
No hospital deram-me uma pulseira e ali fiquei por duas horas numa sala de espera mínima cheia de gente com pulseiras (estamos muito modernos! Mais valia nos terem dado as pulseiras de são salvador da bahia para ver se ao menos os santos brasileiros nos safavam. Na minúscula e interior salinha de espera- espanto total! Tive pela primeira vez uma visão
De promessa eleitoral cumprida. O tal do prometido choque tecnológico da era Sócrates jazia a um canto desta minúscula sala com uma wallpaper relvado com nuvens azuis e onde se lia um aviso de erro. O que fizeram com as televisões????
Conclusão: ruptura de ligamentos sem quebrar osso nenhum, torço mas num quebro! Saímos do hospital ás duas da matina para comprar na farmácia de serviço o brufen. Pois saibam que a farmácia que estava de serviço não nos abriu a porta. Talvez o farmacêutico tivesse um sono pesadote…enfim….seguindo com a vida que deus nos deu neste país tão bem governado! Parto hoje para o porto na esperança de que um dia Portugal mude para melhor. Afinal não foi aqui que nossa senhora de Fátima escolheu aparecer? Quem sabe não volta de novo e dá uma checkada a este Portugal dos pequeninos.

anna tree de pé ao alto

sinto-me:

publicado por AnnaTree às 19:25
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007

Fui para ferias.

« Os olhos continuaram a dizer coisas infinitas, as palavras da boca é que nem tentaram sair, voltaram ao coração caladas como vieram ““.
Machado de Assis


publicado por AnnaTree às 11:06
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007

Parte XXVIII Conta corrente de Virgílio Ferreira

Coisas lidas


Ser marginal. Não ser fora-da-lei por desprezo da norma comum.Por amoralidade, miserabilismo ou abjecção. Ser apenas do lado da vida em que não passa muita gente. (...) ser em humildade, na descrição de nós, na curta dimensão de nós. Não é por comodismo, orgulhosa modéstia, ressentimento. Não, por nada disso, mas só para nos perdermos de nós, não nos esbanjarmos na invasão da dissipação alheia. (...) ser marginal -sê marginal – afecta a ti próprio o espaço que é para ti e pra ti te foi dado. Na intimidade de ti, na reserva de ti, na pobreza de ti. (...) a tua voz é breve (...) e o teu pensar e o teu sentir, o teu ser. Não os sejas mais do que és. E então, verdadeiramente serás.


publicado por AnnaTree às 10:31
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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007

Parte XXVII Conta corrente de Virgílio Ferreira

Coisas lidas
(...)
Nos temos a tendência (inevitável) de saborear o passado com o paladar do presente.
(...)
Cada pessoa deve ter um espaço á sua volta, que é o espaço até onde se estende a sua individualidade física.
(...)
Falhei a vida. É o que de mais duro se pode pensar. Mobilizar tudo o que estava ao nosso alcance, sacrificar tanta coisa que teríamos podido aproveitar para ir vivendo, estudar aplicadamente todas as possibilidades de estar certo e escolher a que nos parecia à perfeita, ter mesmo a ilusão de um aplauso para muito do que se realizou definir a vida toda em função de um objectivo que era aquele que nos definir a nós, levar a vida toda até ao fim sem poder já emenda-la, ser absolutamente incapaz de ver a melhor verdade nos outros pela evidência de a melhor ser a nossa e de súbito após mil hesitações num esclarecimento, ver que afinal tudo estava errado. E então cair sobre nós o atropelo de mil dissabores e vergonhas e frustrações que se mantinham em suspenso da outra decisão final e sofrer com ela todo o amontoado do mais até ao aniquilamento. Sofrer até á agonia, refluídos ate ao fundo do lodo de nós, conhecer da nossa relação á vida somente a frustração, a desistência total, o recanto em que nos afundemos, a treva o silêncio que nos absorva. E para não haver ilusões de uma sanção do universo, um céu negro e baixo, um vendaval desesperado que a tudo varra e confunda. Uma chuvada que venha, alagada ao horizonte, para que a tristeza e o desastre se consumam até ao fim.
sinto-me: montes de defeitos

publicado por AnnaTree às 10:46
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

Parte XXVI Conta corrente de Virgílio Ferreira

Coisas lidas


Um espírito único atravessa o universo. Tanta coisa deixamos de observar e sentir, tanta falha nos fica no tecido do nosso viver, tão pobres vamos da nossa totalização, da percepção total do que podíamos perceber quando a nossa hora chegar. O dia-a-dia trilha-nos a sensibilidade, estamos aptos apenas a perceber o que é grosseiro, o resto passa-nos ao alcance e não reparamos nele. Porque tudo está cheio de mistérios e de vozes e no limite de quererem falar (...) Porque o penso hoje neste dia de sol? Não sei. Sei apenas que me pareceu no lado sensível de mim, que era um grande desperdício o esgotar a minha vida sem absorver nela tudo o que pode falar-me á minha volta. Sei apenas que há um grande mistério no que me rodeia e eu não dou conta. Hoje apetecia-me estar atento a este mistério como um cão.


publicado por AnnaTree às 12:22
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007

Parte XXV Conta corrente de Virgílio Ferreira

Coisas lidas


(...)
Há uma nódoa que dessa eternidade se distingue e vem ser a mancha em tudo o faça e brilhe. É fácil talvez determinar as razões dessa enfermidade sempre presente e aflitiva, mas são razões que não servem porque não embaraçam os outros e os deixam livres para serem por inteiro.
(...)
Apetece-me brutalmente desatar aos gritos. Porquê não sei. Gritar para esvaziar o excesso que me rebenta. Gritar para atingir qualquer coisa que me falsifique. Gritar para enlouquecer ou evitar a loucura.
(...)
Bebi demais... O mundo oscila á minha volta. Vou dormir, a ver se fica quieto.
(...)
Toda a vitória se ganha com a própria derrota.
(...)
Os outros. Não lhes abras a porta. E esquece. Têm o seu mundo de intrigas, estratégias, parceirismo, glórias fúteis, veneno. Sê tu apenas. Esquece.


publicado por AnnaTree às 11:54
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007

Coisas escritas...e lidas com raiva e com cuspo

Sou no verso como sou!
Impertinente
Irascível
Excessiva
Desabrida
Exagerada.
Inoportuna
Inconveniente
Desmedida
Descomedida
Descompassada.
Sou puro desatino
Irregularidade
Desacerto,
Que eu não acerto
Que eu sou erro
Contratempo
E incorrecção.
Sou pergunta e resposta
Certeza convicta
Dúvida permanente
E contradição.
Sou crack rasca
Nunca heroína
Droga marada
Não cocaína
Pêlo na venta
Cavalo à solta
Anomalia
Aberração
Ou besta presa
Fera amansada
Domesticada
Aprisionada
Pouco me importa
Que pensem ou não!
lido em:

http://eroticidades.blogspot.com/

sinto-me:

publicado por AnnaTree às 11:03
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Sábado, 1 de Setembro de 2007

intervalo para olharmos as arvores

Olá Ana (...)

Como o teu blogue é de árvores
...embora de letras, envio-te um pequeno texto que escrevi numa tarde(...)quando olhava para as minhas árvores!

ZM



Quando as árvores se movem.
Quando as árvores se movem com o vento é como se nos pedissem atenção, e
dançassem à nossa frente, como se bailarinas se tratassem.
Quando as árvores se vergam parece que nos pedem ajuda, mas logo se endireitam e nos sorriem, como que exclamando:
- Não se preocupem connosco, nós sabemos o que fazemos!
E
quando as árvores vão crescendo, ganhando corpo e folhagem imensa, vamos
sentindo que elas silenciosamente agradecem por tê-las plantado e lhes ter dado
oportunidade de viver.


MP 2007

sinto-me: com uma rolling stone

publicado por AnnaTree às 20:21
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