Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Fica:talvez ñ saibamos ler-te na ausência:Sabemos onde é o poço,Mas o mundo pd ser p/nós longe de+

Vinhas de longe
Toda a aldeia se debruçou sobre ti quando chegaste.
Vinhas de longe e amarraste o teu cavalo à oliveira,
Mas ainda não sabíamos que trazias um sol por dentro.

Detidamente te olhámos depois: vimos como sorrias ou calavas.
Deste passos entre nós e é certo que foste um dos nossos:
Talvez termine aqui o teu caminho...

Fica: se o nosso olhar puder deter-se em ti
Teremos a alegria sempre connosco.
Cantaremos guardando o rebanho e cuidando dos nossos campos.

Fica: podes passear entre as searas
E conversar à noite com os nossos velhos.
Contarás histórias aos pequenos e nós aprenderemos sorrindo.

Havemos de chorar, se tu partires... Não à tua frente,
Mas as nossas ovelhas e os olivais da colina
E o velho moinho saberão que estamos tristes.

É certo que te trazemos connosco enquanto trabalhamos
Ainda que estejas lá em baixo, junto ao poço,
Mas temos medo do tempo e desconfiamos de nós.

É que o nosso dia está cheio de regressos a casa
E a mulher vem espreitar e os filhos enrodilham-se no arado:
Nunca tivemos uma luz que o tempo não voltasse a trazer depressa.

Fica: talvez não saibamos ler-te na ausência:
Sabemos onde é o poço,
Mas o mundo pode ser para nós longe de mais...
(Paulo Geraldo)
http://aldeia.no.sapo.pt
música: Wild horses Rolling stones

publicado por AnnaTree às 10:48
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

O relaxamento desempenha o papel de tampão entre choques emocionais exteriores e reacções internas o

O relaxamento desempenha o papel de tampão entre choques emocionais exteriores e as reacções internas do organismo


Coisas lidas
O tratamento das doenças psicossomáticas, passa pelo relaxamento; que, com efeito, permite a abordagem do paciente através do seu corpo, ou seja, no terreno por meio do qual ele se exprime. Mas não basta que o relaxamento seja apenas muscular. Em medicina psicossomática o termo relaxamento abarca um sentido mais lato: Implica, igualmente, a descontracção nervosa e cerebral visto que a nossa atitude mental provoca, muitas vezes tensões musculares. Sem nos darmos conta contraímos os maxilares, franzimos o sobrolho, damos um nó nas vísceras...em resumo a crispação acaba por tornar-se a nossa segunda natureza.
(...) o relaxamento age sobre a entrada em repouso do cérebro, proporcionando uma verdadeira calma psíquica. O relaxamento desempenha, assim, o papel de tampão entre choques emocionais exteriores e as reacções internas do organismo. (...) se estiver bem relaxado o paciente acaba por se distanciar relativamente aos seus problemas.
(...)
Para encontrar no fundo de si o que o impede de viver (e provoca a doença) existe, evidentemente a psicanálise. Esta técnica de investigação permite explorar o subconsciente nos seus recantos mais ocultos, mas á custa de muita perseverança! É uma travessia de longo curso (sete anos pelo menos), na qual não se embarca por mera curiosidade.
Trata-se de fazer voltar á consciência sentimentos que se julgava estarem esquecidos, de desenterrar recordações bem escondidas, de libertar emoções bloqueadas no fundo de si mesmo, geradoras da angustia e de distúrbios diversos.
Muitos acontecimentos da nossa vida foram relegados para o inconsciente e exercem um impacte permanente e quotidiano sobre o nosso comportamento. Falar sem constrangimentos pode ajudar a traze-los á superfície e a dar uma explicação nova a este ou aquele sofrimento corporal.
O começo é, muito incoerente, desordenado, depois progressivamente, o doente conta uma história: a sua... história muitas vezes entrecortada por tempo mortos, longos silêncios, períodos de bloqueio. Mas, de palavra em palavra, ao sabor das recordações, o paciente atinge sucessivamente camadas cada vez mais profundas do espírito e afasta tudo o que obstrui o seu subconsciente e acaba por desenterrar conflitos em causa. O importante não é que a recordação se revele, mas a maneira acontece, a emoção com que é vivida. Nesse momento o paciente reencontra todas as sensações da cena inicial, que, essa sim, foi traumatizante.
Pouco a pouco, o paciente descobre que é o autor da mentira que a si próprio conta, que é ele o artífice dos seus dramas interiores.
Quando alguma coisa se traduz em palavras e se torna memória, a perturbação psicossomática desaparece por si mesma e os sintomas cessam.


AVISO: DESTA VEZ OPTEI POR NÃO REFERIR A OBRA NEM OS AUTORES. AO MENOS VOU DAR ALGUM TRABALHO AO GABINETE DO DIREIRO DE AUTOR! ENTRETANTO CONTINUO Á ESPERA DOS ESCLARECIMENTOS QUE PEDI A ESTA ENTIDADE ....

música: FOOL TO CRY ROLLING STONES

publicado por AnnaTree às 10:32
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Quem busca a felicidade fora de si é como um caracol que caminha em busca da sua casa C.Vigil

Coisas lidas


O Caracol Independente


Vivia um caracol
Em linda moita de buxo
Muito fresca e ensombrada,
Mesmo junto de um repuxo.

Era um belo jardim,
Muito grande e muito antigo,
Lá vivia o caracol
Sempre metido consigo.

Fabricou a sua casa,
Toda muito enfeitada,
Tinha torre em espiral,
De castanho era pintada.

Quando se viu dentro dela
Julgou já, sua excelência,
Que de ninguém precisava,
Proclamou a independência.

E muito cheio de si,
Disse lá para consigo:
-Eu, como onde me apetece,
a casa levo-a comigo.

Eu, ainda sou mais livre
Que as avezinhas do céu,
Eu trago sempre comigo
Tudo o que tenho de meu.

Assim falou o caracol,
Sem se lembrar ,o peralta,
Que atrás de uma grande serra
Há outra ainda mais alta.

Certa manhã o jardineiro
Ao pé do buxo passou;
Que estava muito crescido,
Então é que reparou.

E disse: - que feio está;
Preciso de o aparar,
Se cá vier o patrão,
Com certeza vai ralhar.

E pegando na tesoura
Logo a cortar começou,
Tinha já cortado muito,
Mas, de repente, parou.

Oh! Que grande caracol,
Se calhar o malandrete,
Foi o que comeu as sécias
Que estavam no alegrete.

Espera que eu já te arranjo,
Já te faço a caridade,
E, em direcção á casa ,
Foi com grande velocidade.

O caracol, que ouviu
O que disse o jardineiro,
Quis fugir e começou
A andar muito ligeiro.

Mas já sabe toda a gente,
Como é a ligeireza
Com que anda o caracol,
Tão devagar, faz tristeza!

Nisto volta o jardineiro
E, o que é que traz consigo?
Um vaso cheio de sal
Para quê? Eu vos digo.

Agarra no caracol
Dentro do sal o deitou,
E, a vida do pobrezinho,
Bem depressa se acabou.

E de nada lhe valeu
O ter tanta altivez,
Porque veio o jardineiro,
Caracol era uma vez...

Julgar que dependemos,
Só de nós, é uma falta.
Atrás de uma grande serra,
Há outra ainda mais alta.

Mª Lobão



publicado por AnnaTree às 11:30
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007

ADOLESCENTES SOMOS NÓS

Coisas lidas

Lembra-se da história que nos contaram? Era tudo tão simples: passávamos uma fase complicada, em que o corpo mudava, as hormonas andavam aos saltos, tínhamos direito a duvidas, a trocar de objectos de paixão, a amuar, a bater com a porta, a chorar sem motivo, a rir sem razão. Diziam-nos que podíamos escolher o caminho que quiséssemos, que todas as oportunidades nos estavam abertas; permitiam-nos que avançássemos e recuássemos ao ritmo dos nossos medos e das nossas descobertas; toleravam que hesitássemos, que disséssemos que não estávamos completamente certos de que era por ali que desejávamos ir. Deixavam-nos olhar para o espelho, horas a fio, na tentativa de nos Encontrarmos do outro lado; permitiam-nos perdermo-nos nos olhos dos outros, em busca da nossa alma gémea e tantas vezes parecia que lá estava e não estava, e tantas vezes esteve.
Tinha um prazo este tempo, esta adolescência. Muitos de nós nem sequer a gozámos, quais alunos precoces que saltam uns anos e sacam o diploma antes de todos os outros, na tentativa de “evitar preocupações” aos nossos pais, de nos provarmos responsáveis e adultos.
Adultos mais tarde ou mais cedo, era a nossa meta que todos devíamos alcançar. E a partir daí as nossas escolhas passavam a definitivas. O curso, a profissão, uma carreira.
(...)
No amor, era tempo do homem ou da mulher, que nos deixavam escolher, imagine-se, se em troca jurássemos que era para sempre. As dúvidas deveriam eclipsar-se na transição, da mesma forma que se pretendia que as lágrimas, seguidas de risos, dessem lugar a um humor sereno, sem extremos.
O estado adulto, ao contrário da infância e da adolescência, não tinha altos e baixos, fronteiras, nem passagens.
(...)
No amor, o manual garantia que a paixão dava lugar a uma amizade, na opinião dos autores mais “saudável” e que, sem dúvida, permitia a segurança tão necessária ao crescimento dos filhos, que haveriam de chegar. Adeus ao arrebatamento, ao arrepio pela espinha, ás borboletas na barriga.
(...)
E foi, e não foi e não foi ao mesmo tempo
(...)
Um dia em que não podemos ignorar em nós sintomas de uma adolescência adolescência, outra vez? -, Um desejo imenso de mudança, um vazio a que não saibamos dar nome então não tinha tudo o que o manual nos prometia? – Uma insegurança extemporânea, um medo inexplicável de dar mais um passo, uma tristeza profunda ou uma raiva e um conformismo incompatível com a serenidade supostamente correspondente á idade, expressa no bilhete de identidade. Que doença era esta, que não víamos em mais ninguém, ou não estivéssemos todos a esconde-la uns dos outros?
(...)
Mas o professor Eduardo as não vai na conversa. Ás vezes até enerva – por que raio parece querer virar tudo do avesso, por que não repete mais umas ideias feitas, daquelas que nos sossegam e nos impedem de pensar?
Porque será que me faz perguntas incómodas, porque quer saber se escondo o meu medo de não ser feliz por trás da afirmação de que tenho medo que o meu primogénito não o seja? Por que lhe diz, a si, que deve ter a coragem de fazer-se á vida, em lugar de esperar que a sua filha lha preencha?
(...)
A nós, resta-nos aceitar aquilo que somos adolescentes para sempre. Porque ser adolescente, a sério é não desistir nunca “de ser o melhor do mundo para alguém»
Isabel Stillwel

Eduardo Sá

Quando a adolescência dos pais os “atropela” só os deixa serem...filhos, duas vezes. Filhos adolescentes que, ainda têm guardados na memória todos os riscos, e a maioria das asneiras, que viveram quando adolescentes, que lhes dão medo que os filhos os reeditem! Filhos, outra vez, quando pedem aos adolescentes os cuidados que só se pedem aos pais. Como quando ficam, entre sustos e amuos, á espera que os filhos lhes demonstrem, por gestos, o altruísmo, a ternura e a compreensão que talvez devessem ter primeiro.
(...)
A adolescência dos pais ajuda-los-ia a ser mais pais. Umas vezes dialogando com as sua adolescência e, com isso, ganhando em tolerância (ao matizarem de bom senso alguns impulsos de fúria e de revolta. Noutras ganhando em firmeza sempre que, sem dialogarem, impõem a sua presença e algumas regras (em circunstancias semelhantes aquelas em que os seus pais foram omissos ou distraídos)
(...)
A adolescência é o período da vida em que os adultos revêem muitas das convicções por que lutaram e que foram deixando “cair” com o crescimento. Algumas, são recordações ternas e ingénuas. Outras, trazem desconforto e levam a que se fuja de olhar para trás e a reconhecer, com estranheza, ter-se crescido para pior.
(...)
Quase me sinto tentado a pedir-vos que me desculpem por dizer que é muito saudável ser-se adolescente. Passar-se, sem se dar conta, do medo de fazer, a pé, o caminho para a escola, ao deslumbramento de ter opiniões a preposito das pessoas, sobre o mundo e acerca do futuro. E, ainda, ter exageros, excentricidades, medos, gestos (ingénuos ou generosos), iras e ódios, sonhos, projectos megalómanos para varias vidas e paixões. E das ambições da adolescência, as paixões serão o que mais nos inquieta.
(...)
Uma paixão, transforma-nos por dentro, leva-nos a entender como somos todos mais ou menos crianças ate que um primeiro amor nos surpreenda, e que, depois dele, ninguém é feliz sozinho. Pela luz que ela nos traz, uma paixão leva a sentir que pode morrer-se por amor. Morrer por amor não é uma descoberta, desconcertaste, da adolescência. É uma dor e que se imagina e que ás vezes, deixa saudade, sempre que cresce com a convicção de que nenhuma das relações que, entretanto, construímos, é intensa e desconcertante aponto de merecer uma ambição grande e trágica assim.
teremos morrido devagar, por falta de amor, e sem que déssemos por isso? Ou os nossos laços ter-se-ão repartido por diversas ligações noutras pessoas perto de nós?
Morrer por um amor (que se perde) é diferente de morrer com um amor (que se vive). Morrer por amor é humano; morrer de amor é doença.
Um amor de verdade é um “não sei se gosto mais de mim, de ti, ou de nós dois” e não serve para morrermos para a vida: torna-nos vivos e audazes, esperançosos, tolerantes, destemidos, curiosos. Um amor doente é um “gosto mais de mim do que de ti”. Prende os gestos, desvirtualiza a esperança, e silencia, devagar. Domestica e adormece, e mata, pouco a pouco, sem se dar por isso.
Pode-se morrer-se por dentro – como, talvez, tantos educadores tem morrido – com um amor doente: de indolência e devagar. Morrer pelo” psicologicamente correcto” : sem exageros, sem excentricidades, sem medos e sem gestos (ingénuos e generosos); sem iras e ódios, sem sonhos, sem projectos megalómanos para varias vidas, e sem paixões. Pode morrer-se por escassez de adolescência, sempre que tudo isto se torne de outro modo que não seja por saúde, e sempre que tudo isto se torne de outro modo que não seja por saúde, e sempre que valores como amizade ou solidariedade, expectativas como a de ser feliz, ou desencontros com o corpo, com a família ou, mesmo com a intimidade do pensamento, não façam parte da humanidade de todo o crescimento.
(...)
A verdade é que a maioria dos adultos tolera melhor que o aparelho genital tenha falhas funcionais do que falhe porque "a cabeça", que o comanda, não encontra conciliação entre gestos sem erotismo e uma relação politicamente correcta. A verdade é que muitos adultos se sentem, infelizmente, pessoas mal amadas.
(...)
Tanta sexualidade, em tantas estações, a quase todas as horas, com a desculpa de que "os espectadores são quem mais ordena" toma-nos a todos como cidadãos pouco mais que imbecis que, á falta de viverem a sexualidade com afecto que se recomenda aos adolescentes, se refugiam em alguns programas com uma resignação masturbatoria.
Num tempo em que a sexualidade é discutida com uma abertura mentirosa por muitos agentes educativos (que tentam assumir, diante dos seus alunos, a naturalidade com que não a vivem), e em que algumas cenas – não aconselháveis para menores de dezoito anos, no cinema – são, na televisão, " para todos", há quem reclame, para os adolescentes, o sexo dos anjos. O que seria do sexo dos anjos se, no céu, existissem antenas parabólicas?
(...)
Em finais do sec XIX, um conjunto significativo de obras sobre os malefícios da masturbação, de onde se realçava uma, do Dr. Kellog, que reclamava residir numa alimentação dietética um recurso fundamental contra essa "praga", tendo criado, para o efeito, os celebres (e rentáveis) Corn Flakes. Não consta que – entre todos aqueles que, hoje, consomem esses flocos de cereais – haja muitos que o façam com a intenção para que foram criados pelo Dr. Kellog...
(...).

Como terá sido a sexualidade de muitos pais e de inúmeros professores a ponto de raramente dizerem aos adolescentes que as paixões fazem bem á saúde e que são um tónico fantástico que os faz transcenderem-se e crescerem? Acreditarão eles, com convicção, que não se pode aprender a amar acertando-se no amor ao contrario do jogo – logo á primeira vez? Não terão sido essas aspirações de acertar "á primeira" nas relações amorosas que terão levado muitas pessoas a tomar o casamento como autorização familiar ("d papel passado") para "dormir " com alguém?
(...)
Quem explica, afinal, aos adolescentes que o desejo é tão natural como a sede? E que a fidelidade, ao contrario das tradições, ainda é o que era: nunca existiu? E que é a diversidade de sentimentos e de contradições que faz com que cresçamos numa relação de verdade e de lealdade com o amor?
(...)
Afinal, o que queremos: proteger os adolescentes da gravidez, das doenças sexualmente transmissíveis, ou estimulá-los a serem saudáveis, curiosos e apaixonados? Afinal, será falando dos riscos da sexualidade com que irão aprender o diálogo fantástico que ela permite entre duas pessoas?
É uma escola que os escuta mal que, desse modo, ensina os adolescentes a escutarem-se e a escutar? Afinal, é criando regras a ter no coito que lhes falamos da sexualidade? E que preservativos havemos de lhes sugerir para as suas fantasias? E, já agora, na ânsia de os protegermos dos riscos, não valerá a pena recomendar-lhes que não amem?
(...)
A escola tem de educar para a liberdade, para a tolerância para o amor á vida. Com a certeza de que – ao contrario do que o Dr. Kellog imaginava e de muitas interpretações sobre o Viagra pressupunham – nas relações entre pessoas (e na sexualidade, também) para sermos felizes não precisamos de ser anjos, basta que a nossa liberdade comece onde começa a do outro
(...)
Uma escola com dificuldades em aprender "atropela" com aulas e mais aulas os adolescentes, como se eles se devessem transformar em jovens tecnocratas de sucesso, com média de dezoito valores a todas as disciplinas. (a que media correspondem esses dezoito valores em maturidade para a vida? E como será quando, tragicamente, essa "clonagem" de jovens geniais se confrontar com os primeiros insucessos a que não saibam dar resposta?...
(...)
Uma escola com dificuldades em aprender "castiga" com aulas de compensação alunos com dificuldades específicas nessa disciplina, sem entender que não há duas idênticas de pensar uma disciplina. E se um aluno tem dificuldades em pensar como o professor de física pensa a física, terá mais, ainda, perante a necessidade de compatibilizar as formas de pensar a física, por exemplo, do pai, do explicador de física... e do professor de física.
(...)
A escola tem dificuldades em perceber que é ensinado o futuro que se compreende o passado, do mesmo modo que nós percebemos melhor aquilo que vivemos quando olhamos para trás e vemos mais longe. Por isso, uma escola que ensina a poesia trovadoresca em primeiro lugar e guarda Fernando Pessoa para quando já não houver mais aulas para cumprir o programa é uma escola que se assegura que a paixão está vedada a quem aprende.
Uma escola com dificuldades em aprender com os apelos dos adolescentes em relação ao amor pela vida, pretende transforma-los com a expectativa de que crescer bem é crescer sem riscos – em pessoas – que acertem, nas relações amorosas como na vida, á "primeira"

sinto-me: á espera

publicado por AnnaTree às 15:25
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

O Gabinete do Direito de Autor deixou-me um recado

Coisas lidas
Pois é...estão a tentar secar-me a minha árvore!
Sempre pensei que pudéssemos citar os livros, desde que o fizéssemos de boa fé e citando sempre a obra e seus autores! É essa a ideia da árvore de letras desde o início, incentivar a leitura. Como gosto de ler e leio muito achei que se sublinhasse partes do livro que gostei e as pendurasse nos ramos da arvore de letras capitulo após capitulo, quem visitasse a arvore poderia ir acompanhando a leitura, tal como nós acompanhávamos as historias de crianças contadas pelos nossos pais. Nunca tirei disso qualquer tipo de proveito ,quer moral quer económico e fico mesmo a pensar se não terei feito as pessoas comprararem os livros que citei.
Agora o gabinete dos direitos de autor deixa-me este recado que mal entendo. Pedi mais esclarecimentos mas não foram dados á data de hoje. Por esse motivo resolvi suspender a publicação da obra em causa e seguir o conselho do amigo Paulo que me disse:«olha, publica escritores mortos, porque esses já não se levantam das tumbas para te pedir contas»
Pergunto ao gabinete de direitos de autor:
O QUE SE PODE CITAR? POESIA? LETRAS DE MUSICAS? CITAÇÕES?
HOJE A MINHA PAGINA TÁ DE LUTO!

Gabinete do Direito de Autor (IP: 84.91.36.10) disse sobre Parte XV do grande e do pequeno amor ines pedrosa e jorge colombo lido marc2007 na Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007 às 14:41:



Direito de Autor
Quanto à autonomia deste ramo do Direito deve-se dizer que ele é considerado ramo autônomo do Direito da Propriedade Intelectual, em função, principalmente, desta natureza dúplice, que engloba tanto aspectos morais quanto patrimoniais e que lhe imprime uma feição única, própria, que não permite seja ele enquadrado no âmbito dos direitos reais, nem nos da personalidade.
Reprodução é a cópia em um ou mais exemplares de uma obra literária, artística ou científica. Contrafação é a cópia não autorizada de uma obra, total ou parcial. Toda a reprodução é uma cópia, e cópia sem autorização do titular dos direitos autorais e ou detentor dos direitos de reprodução ou fora das estipulações legais constitui contrafação, um ato ilícito civil e criminal.
Cabe ao autor o direito exclusivo de utilizar, fluir e dispor da obra literária, artística ou científica, dependendo de autorização prévia e expressa do mesmo, para que a obra seja utilizada, por quaisquer modalidades, dentre elas a reprodução parcial ou integral.
Para mais informação contactar o site http://www.gda.pt/

publicado por AnnaTree às 10:09
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

Parte XV do grande e do pequeno amor ines pedrosa e jorge colombo lido marc2007

Coisas lidas e vividas
Na nova espiritualidade engendrada pelas cidades, o sofrimento oculta-se atrás de camadas de amargura. (…) Com o correr do tempo e o esboroar da pintura das fachadas a dor foge, faminta, primaria, brutal. A vida urbana aplana as estações da vida, mas nem por isso elas deixam de existir; coisas pequenas e cómodas como a pena, a vergonha, o medo do escuro, soltam-se da mordaça a desoras, fora da juventude que as renegou, e arranham os seus donos, sem piedade. Um desespero assim chorado, nem nos livros de história ela conseguia encontra-lo.

(…)
Tentavam não aludir aos amores do interludio, por mais que ele tentasse subtilmente sonda-la sobre episódios do editor, ou ela tentasse ensurdecer-se aos ecos da garota que o fizera feliz por alguns meses.
(…)

De regresso ao quotidiano conjugal, eles procuravam a receita da eternidade, sem entenderem o quanto a obessessão pela busca lhes dificultava o gozo da felicidade. A nuvem da guerra pairava sobre as suas cabeças como uma ameaça esquecendo que a guerra é a mais longa verdade da condição humana. Não queriam ser mais um casal igual aos outros, com a despensa cheia e a televisão acesa. Mas o que torna um casal igual ao outro é a arrogância do desejo da diferença.


publicado por AnnaTree às 10:41
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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007

Parte XIV do grande e do pequeno amor ines pedrosa e jorge colombo lido marc2007

Coisas lidas e vividas
(…)
Durante o dia, a culpa tornava-se um jogo, uma teia de códigos secretos e de pequenos teatros. Entre mensagens fortuitas ele adestrava-se na arte da esquiva. Libertava-se de afagos em público, explicando á estagiaria que a exibição banalizava os afectos. No quarto, explicava-lhe que a repetição banalizava o sexo. E despedia com considerações sobre os espaços individuais. A jovem habituara-se á bíblia urbana cujo primeiro versículo reza que o pecado da banalidade conduz aos abismos infernais da exclusão social, e acatava, sem perceber porque o motivo o acatamento a conduzia ao descampado da tristeza.
(…)
A justiça é uma espécie de bóia de salvação mental em caso de naufrágio deliberado; saltamos para o mar com a pedra do coração ao pescoço, e dizemos que estamos a fazer o que é justo. Eles fizeram o que era justo:
Lançaram-se para dentro da vida um do outro com a funesta alegria de soldados esgotados pela ansiedade das tréguas. Sempre as guerras se sucederam e os tratados de paz foram entendidos como intervalos na interminável bélica da humanidade.
Já não podiam estar juntos como se acreditassem num destino de felicidade tranquila. Quem decretou que a paz é um ingrediente obrigatório da felicidade? Talvez eles preferissem ser infelizes um com o outro do que felizes com outras pessoas.

publicado por AnnaTree às 10:48
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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

Parte XIII do grande e do pequeno amor ines pedrosa e jorge colombo lido marc2007

Coisas lidas e vividas
(…)
Se parassem, o amor esfumar se ia no ar? Não seria possível amansá-lo, mantê-lo vivo num ambiente doméstico? Teriam de viver sempre a mudar tudo de lugar, a abrir e fechar as portas dos sentimentos até que elas emperrassem definitivamente?

(…)
O excesso de pensamento entrava-se-lhes e doía, arrastava a doença da indecisão. Era essa a epidemia do novo século, um século de pessoas cada vez mais duradouras e infantis. Ele fazia-lhe esperas, mas não saberia dizer o que esperava dela. A indiferença dela obcecava-o. A obsessão dele estimulava-a.

(…)

«Só hoje», disse ele «o meu irmão está fora e eu tenho a chave. Só hoje.» Talvez, pensou ela, depois eu possa pensar tanto nele. Ou antes: ela fez de conta que pensou assim. Era assim que gostaria de ter pensado. Naquele momento, limitou-se a dizer: «vamos», e ele telefonou para casa com uma breve desculpa á estagiaria a explicar o atraso. Ele já não se lembrava de que o sexo é amigo íntimo da culpa, e ela descobria agora essa perturbadora delicia. Nenhum deles se lembrava de um tão intenso e tão cândido prazer, dispensando fantasias, fantasmas, pensamentos. Cada um deles era apenas meio corpo rejubilando no reencontro com a metade que lhe faltava. Do júbilo fazia parte o medo de serrem descobertos. O sentimento de que estavam a fugir aos compromissos da vida. O infantil amor ao brinquedo proibido.

publicado por AnnaTree às 11:22
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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

Parte XII do grande e do pequeno amor ines pedrosa e jorge colombo lido marc2007

Coisas lidas e vividas
Havia uma espécie de força lúbrica a impedi-lo para as palavras que faziam jorrar sangue. Mal se viam, cegava-lhes a serenidade dos sentidos e deixavam-se guiar por esse poder de provocar mágoa. Conheciam-se demasiado bem, o que significava que sabiam exactamente em que ponto a pinhoada feriria mais fundo. Mal se apartavam, a dor das palavras injustas – há florestas de injustiça ocultas em cada palavra verdadeira retorciam-se em chamas debaixo da voz de cada um deles. «Desculpa», escreveu ele, no e mail dela, no telemóvel dela, num postal que foi deixar na caixa do correio dela. «Desculpa, não merecemos maltratar-nos assim. Desculpa, somos melhores do que isto. Lembras-te?»

Não, ela não queria lembrar-se. Estava farta daquele gráfico em oscilação permanente somos melhores do que isto, somos piores do que devíamos, somos, somos, somos…. O que eram eles? Mais um par de pessoas a tentar, como se dizia agora, fazer a diferença. Mas diferença de que, e para que? Compraziam-se no mito do interessante. A cidade era um centro de interesses, interessados, interesseiros e interessantes. O editor ultrapassara já a idade da febre; conseguira, apesar de viver na cidade, entender o mundo para lá da velocidade urbana, o mundo em que se cresce e se envelhece e se pensa só de vez em quando na morte, com desprendimento. Ela vivia agastada com o assombro da morte que se mistura com o ar, na velocidade estática da vida urbana. Sentia-se ofendida com aquele cacimbo de desculpas do seu ex.
sinto-me: hj o motorista perdeu o sinal
música: perdoei-lhe:)

publicado por AnnaTree às 10:36
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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Parte XI do grande e do pequeno amor ines pedrosa e jorge colombo lido marc2007

Coisas lidas e vividas
Um quarteto de cordas bem afinadas, num passeio da cidade, tocando pela melodiosa pauta dos sentimentos civilizados. «Gostei de te ver, estás com óptimo aspecto». «Gostei de te ver, até um dia destes.». Cedo ele acenou num e-mail civilizado, convidando-a para um almoço de actualização. Porque haviam de deitar fora o esqueleto de ternura e cumplicidade que tinham construído, para além do amor? Porque haviam de se resignar á tristeza de um amor sem além?

Mas o caminho desse além é tortuoso, atravessa o labirinto purulento onde apodrecem os detritos da paixão. Á segunda garfada, sem perceberem como, já as setas se acumulavam de cada lado da mesa. Ela atirou-se a bombardear – lhe o projecto da igreja, apontando influências óbvias e dividas criativas mal dissimuladas; fê-lo sentir um debutante incipiente. «Tens medo de saber quem és, sabes? É por que nunca serás mais que um arquitecto medíocre. Nunca te disse isto, mas foi o que sempre pensei». Depois reduziu a estagiaria a uma marioneta. Ele desfiou controvérsias sombrias sobre o editor dela, antes de destruir, ainda mais cruelmente do que antes, as premissas base da tese em que ela trabalhava, um remoer do que estava dito e redito, e inútil. «Mal ou bem, eu faço espaços, transformo a paisagem, a vida das pessoas, percebes? Percebes?»

publicado por AnnaTree às 10:35
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