Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Lisbon Revisited por A. Campos em 1923

Coisas que me mostraram para eu ler

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo... .E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho! Álvaro de Campos


publicado por AnnaTree às 15:45
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Supertramp - it's raining again

 


publicado por AnnaTree às 11:45
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Terça-feira, 29 de Abril de 2008

HISTORIA DE UMA OBSESSÃO DE ERICA JONG 4

Coisas lidas

- Detesto Veneza – respondo eu – faz-me pensar naquela frase de Óscar Wilde sobre viajar por canos de esgoto dentro de um caixão.
(...)
Uma grande parte do sexo é apenas vaidade, não é? A excitação de fazer com que alguém se apaixone por nós, o narcisismo se nos sentirmos desejadas.
(...)
- Quero ser o Francis Bacon. Sabes o que é que ele disse a um entrevistador que lhe perguntou de onde tirava as suas imagens de horror? “Limito-me a olhar para a costeleta que tenho no prato. Não preciso de mais nada. "
(...)
Sempre que chego a Itália, lembro-me da lista de provérbios que Emmie e eu fizemos uma vez para o Manual da Amazona, um guia para mulheres livres. O provérbio nº 1 era «não és demasiado gorda, vives é no país errado» numero 2 «sê muito romântica, mas mantém os bens em teu nome”.
(...)
Dart deixou-me quase de rastos, mas estou a começar a levantar-me. Ás vezes tenho ataques de liberdade que me deixam parva, o tipo de felicidade porque esperei toda a vida.
-contenta-te com a sensação, querida. Há vida para lá da libertação. Quando deixares de ter medo de acabar sozinha, torna-se mais simples. A vida é rica e há montes dela eu nunca teria acreditado, mas estes são os melhores anos da minha vida. Ando positivamente nas nuvens. Nunca me preocupo com Guido. Ele é que se preocupa comigo, pobre querido...Sente que fica a perder qualquer coisa.
(...)

Bendita seja a moda por nos manter volúveis. E superficiais – quando ansiamos por ser profundos.
(...)
E ele era cansadíssimo. Tinha as duas coisas, como o resto do sexo masculino, absolutamente incapaz de agir de outra maneira. Amava-me; preocupava-se comigo, queria tomar conta de mim, mas, sendo homem, não era capaz de escolher. Eles nunca precisam de fazer muitas escolhas, pois não? Pelo menos no que diz respeito ás mulheres. Falta-lhes prática.


publicado por AnnaTree às 11:42
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Californication excelente serie na 2


publicado por AnnaTree às 09:55
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Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

HISTORIA DE UMA OBSESSÃO DE ERICA JONG 3

Coisas lidas
(...)
Os homens reagem a estímulos visuais. Simplesmente, não são tão evoluídos como as mulheres.
(...)
Todos os casais têm um assunto de discussão em que pegam de vez em quando. Este era o nosso. Descobrimo-lo cedo e nunca desistimos.
(...)
Os medos deles (homens) põem-me tão triste. Toda a nossa vida nos ensinam a procurar neles orientação e apoio. E quando chegamos a esta idade apercebemo-nos de como eles são frágeis.
(...)
Estamos sempre sozinhas. E eles passam sempre para a próxima ninfazinha. Muito simplesmente, há mulheres a mais e homens a menos. Não podemos fazer exigências, senão eles põem-se andar. Espera-se que sejamos nós a fazer todas as cedências uma merda de uma injustiça.
-uma oportunidade
-mas que bela oportunidade!
-é a oportunidade de encontrarmos a nossa sanidade mental – diz Sybille – e de estabelecermos as nossas posições interiores, para que, mesmo que estejamos sozinhas, não nos sentirmos como tal. Podemos aprender a falar connosco próprios, de um modo amável e suave, aprender a nos acarinharmos. Por muito sozinha que eu esteja, tenho sempre a companhia da minha sanidade.
(...)
Á beira do meu lago, na orla do universo, vim a descobrir que certos portões só abrem para a solidão e que só se consegue entrar em certos palácios através das lágrimas.


publicado por AnnaTree às 17:28
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When a Man Loves a Woman os meus filmes preferidos


publicado por AnnaTree às 11:21
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Terça-feira, 22 de Abril de 2008

HISTORIA DE UMA OBSESSÃO DE ERICA JONG 2

(...)
Queridíssima,
Esta curta vida que nos foi dada pode ser passada em agonia ou em êxtase.
Dependendo da nossa perspectiva, a vida pode ser trágica, divertida ou maravilhosa.
Se fizermos uma análise das horas, o tempo fica ainda mais curto.
Das vinte e quatro horas de um dia, pelo menos um terço é passado a dormir. Dedicamos de três a seis horas á comida. Para nos arranjarmos lavarmo-nos e vestirmo-nos gastamos duas horas. Depois parece que perdemos cerca de uma hora (mais) indo de um sítio para o outro. Depois há o tempo gasto ao telefone (duas horas) a tomar decisões e a dar ordens aos empregados (uma hora). Ao longo do caminho, perdemos uma hora sem saber como. Isto deixa-nos três horas para trabalhar, escrever, fazer amor, exercício, rir, estar com a família, connosco próprios, explorar uma nova ideia (demos de comer ao cão e regamos as plantas?) rever os acontecimentos do dia, etc.
E vamos gastar essas preciosas três horas por dia preocupamo-nos ou receando o pior? Peguemos nessas três horas e façamos um pequeno planeamento. Três horas vezes 365 dias do ano são 1095 horas. Bom, quantos anos de vida nos restam? Talvez quarenta! Por isso, multiplicamos isto vezes quarenta e ficamos com 43.800.Dividimos pelas 24 horas do dia e dá 1825, que dividimos por 365 dias num ano e ficamos com cinco.
São cinco anos. Cinco anos acordado, cinco anos consciente, cinco curtos anos em quarenta que estaremos juntos.
Oh, minha querida, quero passar toda a eternidade contigo não cinco anos!


publicado por AnnaTree às 10:23
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Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

DEATH IN VENICE(OS FILMES PREFERIDOS)


publicado por AnnaTree às 11:36
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

HISTORIA DE UMA OBSESSÃO DE ERICA JONG I

Coisas lidas
(...)
«Tu sempre, tu nunca» – a linguagem da escravidão masculina.
(...)
É fácil deixar que o fim envenene o princípio quando estamos desiludidos com todas as traições.
(...)
Bessie Simth
Sem pai para me guiar
Sem mãe para olhar por mim
Tenho de aguentar sozinha
Nem um irmão para partilhar
Este fardo que é só meu
(...)
Encho-me de perfume, ajeito o cabelo e corro para a porta.
Não quero que ele perceba que estive a falar ao telefone com a Emmie, de quem ele tem ciúmes, porque sabe que falamos sobre ele. Mas o que nenhum homem compreende é que estas conversas são uma questão de sobrevivência (ou talvez compreendam -e é por isso que não gostam.
Como é que nós nos atrevemos a sobreviver-lhes?) só sabem que nós temos qualquer coisa em que eles não conseguem tocar nem penetrar: uma irmandade de afeição partilhada, uma rede de salvação para nos apanhar quando eles nos largam e nós caímos.
(...)
Bessie Simth
Senhor, acho que o amor de um homem nunca dura. Amam-nos perdidamente e logo nos esquecem.
(...)
É este o paradoxo dos homens fracos e das mulheres fortes: esgotam as nossas forças na esperança de equilibrar a luta Mas, uma vez que não conseguem absorver a nossa força, só atingem o pólo negativo desse esgotamento. Numa sociedade que dá aos homens o poder oficial, a linha que separa o abuso mental do físico é muito ténue.
(...)
Nunca ninguém preparou as mulheres da geração que cresceu imenso (...) queríamos ter tudo – trabalho e amor, quadros e bebés – e tivemos, mas pagamos o preço: o preço foi a solidão e o isolamento! Ninguém nos preparou para tudo isto porque ninguém o sabia fazer. Fomos apanhadas num estranho momento histórico.
(...)
E os homens? Os homens estavam tão perdidos e sozinhos como nós.
(...)
Segundo uma anedota, há duas fases na vida: a juventude e «estás com óptimo aspecto»
(...)
Há coisas que acontecem entre duas pessoas ás escuras, que fazem com que tudo o que acontece ás claras pareça bom.
(...)
E quem é que podia culpar os homens, por estarem desgostosos com todo o sexo feminino? Os homens são tão vulneráveis - com toda a sua vulnerabilidade pendurada entre as pernas, tão desprotegida.Com medo das mamãs, de mulheres que gritam - só nos pedem um pouco de doçura e ternura.
(...) Será tudo uma questão de hormonas? A natureza dá-nos trinta anos de cegueira para com a merda dos machos, para podermos fazer o maior número possível de bebés . E depois o estrogénio começa a enfraquecer e nós voltamos a ser nós próprias. Regressamos á felicidade que conhecemos quando tínhamos nove anos e pintávamos os nossos livros de colorir. Recuperamos as nossas vidas, a nossa autonomia, o nosso poder. E será nesse momento que nos tornamos em bruxas, para sermos apedrejadas em praça pública? Não por sermos feias, mas porque sabemos demasiado. Topamos o jogo deles e eles não gostam.


publicado por AnnaTree às 10:54
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Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

um momento de improviso no metro paris


publicado por AnnaTree às 17:28
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