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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

16
Abr08

PROVERBIOS ÁS ARVORES

AnnaTree
Coisas lidas

Árvore que não dá fruto, machado nela


Mais cresce a árvore, mais sombra dá


Árvore mudada, árvore matada


De tal árvore, tal fruto


De boa árvore, bom fruto


Carvalho não dá morcela


Árvore ruim não dá bom fruto


Árvore ruim não dá boa sombra

Grandes árvores dão mais sombra do que fruto


A árvore caída, todos vão buscar lenha


A árvore conhece-se pelo fruto


Ruim árvore nunca deu bom fruto


O maior carvalho saíu de uma bolota


As árvores morrem de pé


Árvore velha não se muda


Ruim árvore nem o sol a cresta


Pelos frutos se conhece a árvore


Árvore ruim não a queima a geada

repescado em :
http://www.citador.pt/
11
Abr08

Leve Beijo Triste Paulo Gonzo

AnnaTree
Teimoso subi
Ao cimo de mim
E no alto rasgei
As voltas que dei

Sombra de mil sóis em glória
Cobrem todo o vale ao fundo
Dorme meu pequeno mundo

Como um barco vazio
P´las margens do rio
Desce o denso véu lilás
Desce em silêncio e paz
Manso e macio

Deixa que te leve
assim tão leve
Leve e que te beije meu anjo triste
Deixo-te o meu canto canção tão breve
Brando como tu amor pediste

Não fales calei
Assim fiquei
Sombra de mil sóis cansados
Crescendo como dedos finos
A embalar nossos destinos

Deixa que te leve
assim tão leve
Leve e que te beije meu anjo triste
Deixo-te o meu canto canção tão breve
Brando como tu amor pediste

(Solo)

Deixa que te leve
assim tão leve
Leve e que te beije meu anjo triste
Deixo-te o meu canto canção tão breve
Brando como tu amor pediste

09
Abr08

A INSUSTENTAVEL LEVEZA DO SER DE MILAN KUNDERA

AnnaTree
Coisas lidas

O amor não se manifesta através do desejo de fazer amor (desejo que se aplica a um numero incontável de mulheres) mas através do desejo de partilhar o sono (desejo que só se sente por uma única mulher)
(...)
atrás de si, sete anos de vida em comum com B... para agora constatar que esses anos eram mais belos na memória do que o instante em que os vivera.
(...)
o peso, a necessidade e o valor são três noções intima e profundamente ligadas: só é grave o que é necessário, só tem valor o que pesa.
(...)
com efeito compreendera de súbito que B... se apaixonara por ela e não por T... perfeitamente por acaso. Que para lá do seu amor por A.., já realizado, havia no reino dos possíveis um numero infinito de amores já realizados por outras mulheres.
(...)
supomos que já estava escrito que o nosso amor tinha que ser o que é; que a nossa vida não era a mesma sem ele.
(...)
ao lembrar-se do que B dissera de T..., A… constatava que a historia do grande amor da sua vida não estava marcada por um «tem de ser» mas antes por um « podia muito bem ser de outra maneira»
(...)
o acaso tem destes sortilégios, a necessidade, não. Para um amor se tornar inesquecível é preciso que, desde o primeiro momento, os acasos se reúnam nele como os pássaros nos ombros de São Francisco de Assis.
(...)
o que distingue as pessoas que estudaram das autodidactas não é o seu nível de conhecimentos mas o grau de vitalidade e de confiança que têm em si próprios.
(...)
Enquanto as pessoas são novas e as partituras musicais das suas vidas ainda só vão nos primeiros compassos, podem compô-las em conjunto e até trocarem temas. Porém quando se conhecem numa idade mais madura, as suas partituras musicais, já estão mais ou menos acabadas e cada palavra, cada objecto, tem um significado diferente na partitura de cada uma
(...)
Sim porque quem busca o infinito só tem que fechar os olhos !
(...)
B... lembrava-se da campa do pai. Por cima do caixão havia barro, no barro cresciam flores e havia um bordo que estendia as suas raízes para o caixão: era como o morto saísse da campa por aquelas flores e por aquelas raízes. Se o pai tivesse sido enterrado debaixo de uma pedra nunca mais teria ouvido a sua voz na folhagem da árvore a perdoar-lhe.
(...)
B... nunca está livre de cair na armadilha do amor e hora a hora, minuto a minuto A. Não pode senão temer por ele
Qual é a sua única arma? A fidelidade que lhe ofereceu desde o inicio, desde o primeiro dia, como se tivesse percebido imediatamente que não tinha mais nada para lhe dar.


07
Abr08

SEBASTIÃO OPUS NIGTH

AnnaTree
Coisas lidas

Opus Nigth, irmão de um juiz de Opus Dei, e frequentador de bares nocturnos vivia a duas memorias, uma para a noite, outra para o dia e não se pode dizer que se desse mal.
Que fazia este individuo? perguntava a curiosidade de alguns, e a resposta pouco adiantava:” faz sombra” diziam os barman” quando lhe bate o sol, o que é raro acontecer”. Outras afirmavam que nem isso, já que Sebastião era tão só ele, tão bastante da sua pessoa, que assim que descobrira que dava sombra ao mais desgraçado ia para casa e deitava-se. Daí que nunca descesse á cidade antes do por do sol, fresco e perfumado como um cravo noctívago e pronto a libertar-se das memórias do dia, que eram as que lhe traziam a ressaca do sono e os amargos do whisky.
Durante o seu breve romance com Maria da Paz Soares, Sebastião Opus Nigth antecipou por algumas horas o seu meridiano do poente para ir arejar as cachorras da amada (...) barbeado e envernizado Opus Nigth foi depor as cadelas á casa de Pazinha Soares e enfiou um cravo branco na lapela. Isso queria dizer que ia de largada para os bares com rota livre e vento de feição (...) Opus Nigth sabia que o sol ofusca e que a noite faz pensar. E agora pensando justamente com a memoria nocturna, achava que o sonho se devia a Pazinha Soares que nas praticas do amor era muito dada a voos de revés e configurações inesperadas. Pazinha Soares, amapola duma porra que quem te vai trabalhar essas asas hei-de ser eu, disse-lhe ele em pensamento aí por alturas do sexto whisky, tanto quanto lhe ensinava a experiência, ao bom amante, compete dar toda a asa á amada mesmo que ela se lance em voos de travessura guiada por instintos de mistério (...) Pazinha Soares enorme de corpo e com alma de pomba branca, tinha mil diabos a fervilhar-lhe no sangue. O segredo estava em sabe-la assoprar (...) há duas coisas que o corpo arrenega – disse ele nessa noite para o barman trabalhar por vício e beber por fastio. “ Hoje sinto a modos que um desassossego que não me vai bem com a bebida” (...)” seja como for vale mais um espírito na mão que um peso no coração” tornou ele.
(...) e nesse momento Sebastião Opus Nigth lembrou-se de Pazinha Soares, das suas coxas majestosas e dos quatro cachorros a fazerem-lhe guarda aos pés da cama. Iria abrigar-se nela, naquelas ancas aí pelo nascer do sol, mais coisa menos coisa que é quando o corujão regressa ao ninho (...) dali até á Pazinha bastava uma bandeirada de táxi, duas voltas na chave e vamos mas é ao assunto antes que o tempo arrefeça.
Foi uma vez sem exemplo o corujão ia regressar ao ninho a horas respeitáveis. Encontraria, já se vê, tudo no primeiro sono (...) mas foi.
Quando acendeu a luz do quarto encontrou Pazinha Soares na cama, ao lado dum indígena qualquer, ambos mudos e espavorados como se acabassem de ver entrar um fantasma. Estendidas no chão as quatro cadelinhas deitavam-lhe um olhar ternurento muito calmo. Parecia que sorriam as putas.
Sebastião Opus Nigth “noblesse oblige” fez peito prenunciou um insulto em mirandês e saiu porta fora.
«Já cá os tens», disse em voz alta ao chegar á rua, apalpando a testa. «Ainda não cresceram mas já cá os tens, quem te manda a ti, Sebastião, andar a passear cadelas?” esta foi a noite em que ele acrescentou á sua lista de provérbios a sentença que a pior desgraça dum bebedor é deixar o copo a meio.