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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

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Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

31
Out08

ESTE É O MEU CORPO DE FILIPA MELO parteXVI

AnnaTree

Coisas lidas
(...)
Para ti, será provavelmente medonho o que digo. Tu deixaste que o teu corpo se abrisse largando a vida. Sou eu quem abre agora, á força, procurando a morte.
E assim poderás entender do que falo: a severa obediência das minhas mãos, do meu corpo, ao serviço da morte. Apenas o meu cérebro e o meu coração resistem. São eles que te entrego agora. Porque és incapaz de me responder, porque segurei os teus nas minhas mãos. Porque estás morta. E com os mortos eu consigo, eu sou capaz, eu estou vivo. Percebes?

 

------------------------------------------fim---------------------------------------

 

Este é o meu corpo
de Filipa Duarte Melo

Editor: Sudoeste Editora

PVP c/IVA: 13 €
Ano de Edição: 2007
Formato: 20,2 x 13,8
Suporte: Livro
N.º de Páginas: 184

30
Out08

ESTE É O MEU CORPO DE FILIPA MELO parteVX

AnnaTree

Coisas lidas
(...)

Ausentes os sinais de agressão ante mortem, afirmo sem dúvidas: a raiva confundiu-se com a surpresa. Sufocaram-na antes de a soltares.
(...)
Viramos a cara aos nossos mortos. Fechamos-lhes os olhos e tapamos os nossos. Queremos que tenham todo o mesmo rosto, pacífico, sereno, e que assim se pacifiquem os nossos. Fechamos-lhes os corpos, envolvemo-nos nas melhores roupas, fantasiamos que partirão com aparência de vivos. Colocamo-los em caixões, acreditando que, nessas caixas fechadas, abafadas, fruto do trabalho das nossas mãos, eles resistirão á putrefacção, ao contacto directo com a morte e a terra. Mas a morte e a terra correm-nos no sangue, é ele que as transporta dentro de nós. Durante toda a vida. É ele que, por fim, lhes cede lugar e nos deixa morrer – e tornamo-nos morte e terra.
(...)
Segundo dizem, para a morte e para o sol não se olha de frente.

28
Out08

ESTE É O MEU CORPO DE FILIPA MELO parteXIII

AnnaTree

Coisas lidas
(...)
Aos meus mortos mato-os de novo enquanto os corto. Vou-os matando aos poucos até me convencer da sua morte e lhes retirar toda a vida.
(...)
Choro os e choro o mal que lhes infligirem até aceitar que a morte não tem mal nem bem, é apenas o final dos dois.
Choro-te.
Apenas com o amor te personifico. Quero que saibas que te amo. que o amor, mais do que a vida é incompatível com a morte.
Amo-te como amei o meu pai no dia em que o matei cá dentro.
Como ele, serás pó, mas pó enamorado.
(...)
Quando se mata, morre-se.

24
Out08

ESTE É O MEU CORPO DE FILIPA MELO parteXII

AnnaTree

Coisas lidas
(...)
Escolhido como símbolo eleito do amor, o coração é, para a maioria das pessoas a única ponte para o interior do seu corpo. É tal a crença de que é ali que se encerram os mistérios do afecto que os ocidentais usam tradicionalmente a aliança de casamento no quarto dedo da mão esquerda, perpetuando o mito de que um vaso sanguíneo o ligaria directamente ao coração.
(...)
A mentira ocupa mais espaço que a verdade.

21
Out08

ESTE É O MEU CORPO DE FILIPA MELO parteXI

AnnaTree

Coisas lidas
(...)
O meu pai, cardiologista da velha guarda, apologista do espírito pragmático levado ao extremo, sempre desprezou aquilo a que chamava «o embuste freudiano», «os intelectualíssimos métodos da psicologia clínica». Contraria-lo pareceu-me um excelente inicio de terapia. Escolhi o melhor psicanalista da praça e, durante cerca de vinte meses, paguei a peso de ouro três sessões semanais de combate verbal.
(...)
E eu recomeçava a batalha com a memória. Com a consciência, por fim, com as mais delirantes divagações as quais me entregava, já vencido pelo cansaço de estruturar o pensamento.
(...)
Após dezasseis meses de consultas convenci-me de que o doutor não iria facultar-me a chave para o meu problema. Era isso. Inteligente estratégia! O tipo era brilhante! Levara-me a entender que era eu quem devia procurar as respostas, quem teria de fazer o trabalho maior.

Pág. 1/3

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