Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

28
Nov08

CALA A MINHA BOCA COM A TUA PEDRO PAIXÃOIV(In Quase gosto da vida que tenho Pedro Paixão)

AnnaTree

Coisas lidas
(...)
Peço cozido e bebo vinho da casa enquanto que numa mesa á minha frente se senta um pai e um filho que falam alemão entre si e me fazem, de repente, sentir sozinho. Nos momentos difíceis são os nomes que nos fazem companhia.
(...)
Para que nasça um amor é preciso que outro morra e o meu não há maneira.
(...)
[os portugueses] quer saber porque somos tão melancólicos e eu insisto que não, que no fundo somos alegres, que a vida é que é triste e não temos culpa disso.
(...)
Trocamos cartões e prometemos rever-nos no infinito.
(...)
A única coisa que fiz na vida foi viver, diz-me o meu amigo e eu peço-lhe que repita para poder escrever a frase no meu pautado caderninho. O meu amigo é extraordinário. Mostra-me paisagens magníficas, caminhos que são só dele, os vales e as serras onde se escreve esta cidade a que chama o seu umbigo.

26
Nov08

CALA A MINHA BOCA COM A TUA PEDRO PAIXÃOIII (In Quase gosto da vida que tenho Pedro Paixão)

AnnaTree

(...)
Ama-se perto de onde se morre
(...)
Quando se ama morre-se sempre de amores sempre um bocadinho e morre-se de amores por quase nada. É este o segredo que os plátanos decepados junto ao rio me confessaram. Há quem tenha a esperança intacta e quem a tenha perdido toda pelo caminho.
(...)
Eu hoje descobri que escrever é a coisa mais terrível, convexo espelho em que nos vemos. Eu hoje acreditei que acreditar pode ser uma saída para quem não acredita.
(...)
O amor não é uma forma de se conhecer alguém e quando passa não se sabe o que dele ficou a não ser um intervalo por onde o tempo se desfez. E agora, num instante, é tarde para tudo.
(...)
Fecho me no quarto como numa fortaleza, vencido mas não derrotado.
(...)
Faz muito tempo que não me sinto tão perto de mim, á distância de uma mão.

26
Nov08

mutantes

AnnaTree

Juro que não vai doer
Se um dia eu roubar
O seu anel de brilhantes
Afinal de contas dei meu coração
E você pôs na estante
Como um troféu
No meio da buginganga
Você me deixou de tanga
Ai de mim que sou romântica

Kiss me baby, kiss-me

Pena que você não me "Kiss"
Não me suicidei por um triz
Ai de mim que sou assim...
Ai de mim que sou assim...

Quando eu me sinto um pouco rejeitada
Me dá um nó na garganta
Choro até secar a alma de toda mágoa
Depois eu parto pra outra
Como mutante
No fundo sempre sozinho
Seguindo o meu caminho

 

Ai de mim que sou romântica

Kiss me baby, kiss-me

Pena que você não me "Kiss"
Não me suicidei por um triz
Ai de mim que sou assim...
Ai de mim que sou assim...
Romântica...

 


 

 

25
Nov08

CALA A MINHA BOCA COM A TUA PEDRO PAIXÃOII

AnnaTree

Coisas lidas
(...)
Antes disso houve certamente pequenos sinais ambíguos, mas o que importa é que logo á primeira pergunta lhe menti e depois continuei a mentir. Mesmo quando não era preciso, quando já não queria, quando odiava mentir-lhe, quando queria, quando odiava mentir-lhe, quando queria abrir-lhe o meu coração para que ela o visse aberto.
(...)
O meu amigo continuava tão mentiroso como sempre. Não a mentira pequenina, a habitual entre os humanos, antes uma expressão de coragem diante de um mundo onde já não encontrara qualquer sentido.
(...)
Que venha a morte separar-nos se puder.
(...)
Tentar mudar de amor é procurar em vão escapar a si próprio.

 

21
Nov08

CALA A MINHA BOCA COM A TUA (In Quase gosto da vida que tenho Pedro Paixão)

AnnaTree

Coisas lidas
Mentir pode ser um exercício de inteligência em que a realidade é reinventada. Essas alterações transportam consigo outras, numa reacção em cadeia, ate perturbarem toda a paisagem. Não é fácil, pode ser perigoso. Quando comecei a mentir, uma mentira erguendo-se sobre a outra. Sei que me é impossível voltar atrás, recomeçar tudo de novo. Mesmo demasiado doloroso e inútil – não me é agora possível destrinçar o que aconteceu do que podia ter acontecido, o que vi do que quis ver mais do que tudo, o que disse com o objectivo consciente de seduzir aumentar o meu poder defendendo-me do mundo, do que disse com o coração na boca, a tremer, como se tivesse pouco tempo de vida. A minha vida nada tem a ver com o que escrevo.
(...)
Sou insuportável, em particular para mim. Sofria de privação de sono de solidão, de falta de contacto físico. Há mais de uma maneira de se tentar fugir de si.
(...)
A meio da noite, o computador ao apagar-se para sempre desfez silenciosamente as paredes onde defendia a minha solidão.

19
Nov08

SABE-SE LÁ O AMOR III(In Quase gosto da vida que tenho Pedro Paixão)

AnnaTree

Coisas lidas
(...)
As famílias morrem de vergonha. Esperam ansiosamente que o par seja encontrado, amordaçado e por fim eliminado. Como a poesia. A poesia tornou-se insuportável. A poesia só sobrevive na loucura de duas pessoas que decidem amar-se, condenando-se á exaustão.
(...)
Ela é uma rapariga decidida a levar até ao fim a poesia, ele é um humano tão perigoso que deve ser apanhado logo que possível. Não é que as famílias tenham culpa e as famílias não têm mais culpa que os indivíduos que as formam. Quando a rapariga for encontrada, e apanhada pela policia será imediatamente levada para casa dos pais onde a espera uma lista completa de medicamentos para tomar. Quanto a ele, será interrogado por agentes desejosos de pormenores macabros, sicensciosos, no melhor caso pornográficos, e as televisões exultarão, mais uma vez, sobre o cadáver da poesia.
(...)
O nosso tempo prefere a imagem á coisa, a copia ao original, a representação á realidade, a aparência á palavra. O que para ele é sagrado não é senão ilusão e o cúmulo do sagrado. O espectáculo é o capital num tal grau de acumulação que se torna imagem. Num mundo realmente invertido. O verdadeiro é um momento do falso.
Guy Debord a sociedade do espectáculo 1967

 

Pág. 1/3