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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

19
Jan09

As doenças psicossomáticas IV

AnnaTree


Coisas Lidas
(...) é um indivíduo hipersensível, sempre pronto a considerar as palavras ou os actos dos que o rodeiam como ameaças a si dirigidas. «Evita as emoções e os choques... assim, moralmente dobrado sobre si mesmo, vai acumulando ressentimentos, ódios e ansiedades; a sua tensão emocional aumenta provocando o desequilíbrio do sistema nervoso vegetativo. Portanto, a parte baixa do cólon é bombardeada por descargas contínuas de energia nervosa, produzindo-se um espasmo: daí a prisão de ventre. Depois, se esse bombardeamento persiste, ocorrem lesões orgânicas: aparece então a diarreia acompanhada, por vezes, de perdas de sangue e erosões da mucosa.
Quanto ao tratamento da colite, como é evidente, exige um bom estudo do paciente, uma espécie de psicoterapia de apoio. O sujeito terá que aprender a fazer a relacionação entre a colite e a tensão emocional (insatisfação crónica, decepção, dificuldades sexuais, sentimentos de horizonte fechado) Será preciso, também, convence-lo a canalizar a sua angústia, a sua ansiedade, para a prática de um desporto, de um passatempo ou de qualquer actividade construtiva.

 

16
Jan09

As doenças psicossomáticasIII

AnnaTree

Coisas Lidas

(...)
A colite, também baptizada de nevrose cólica ou de espasmofilia intestinal, é, de facto, uma doença nervosa que atinge as pessoas ansiosas. Aliás, o único sintoma revelador de cólon irritável é a coincidência das crises com choques emotivos, as tensões ou melancolia do paciente.
Diz-se que a colite seria o equivalente intestinal da crise de lágrimas ou um disfarce que encobria situações dificilmente vividas: frustrações profissionais ou afectivas, esgotamento nervoso, tédio...como a colite tende a tornar-se crónica, o doente pode vir a cair na hipocondria: fica obcecado com a saúde, centraliza toda a sua atenção no «cólon irritável» sabe de cor o resultado da última lavagem de bário que lhe fizeram e detecta a mínima alteração relativamente ao relatório anterior, etc.
O termo “hipocondria” vem da antiguidade grega, quando os “hipocôndrios” eram os órgãos moles como o fígado, o baço ou os intestinos. Escrevia Galeno que, “quando estes órgãos se alteram, ficam preguiçosos, regurgitam de humores e de vapores acabam por obscurecer a sede da alma”.
O hipocondríaco – ou o colitico – aborrece toda a gente com a sua doença, descreve com todos os pormenores as suas dispepsias, inchaços e particularidades do seu tracto intestinal. E que o médico nem sonhe em lhe dizer que é uma coisa psíquica, que só existe “na sua cabeça” pois ficaria irritado ao rubro!
O Perfil do colitico
Diversos estudos psicossomáticos têm tentado esboçar o perfil psicológico do colitico: Para alguns tratar-se-ia de um ser ansioso, um pouco depressivo, hesitante e dependente.

 

14
Jan09

As doenças psicossomáticasII

AnnaTree

Coisas Lidas
(...)
Para encontrar no fundo de si o que o impede de viver (e provoca a doença) existe, evidentemente a psicanálise.Esta técnica de investigação permite explorar o subconsciente nos seus recantos mais ocultos, mas á custa de muita perseverança! É uma travessia de longo curso (sete anos pelo menos), na qual não se embarca por mera curiosidade.
Trata-se de fazer voltar á consciência sentimentos que se julgava estarem esquecidos, de desenterrar recordações bem escondidas, de libertar emoções bloqueadas no fundo de si mesmo, geradoras da angustia e de distúrbios diversos.
Muitos acontecimentos da nossa vida foram relegados para o inconsciente e exercem um impacte permanente e quotidiano sobre o nosso comportamento. Falar sem constrangimentos pode ajudar a traze-los á superfície e a dar uma explicação nova a este ou aquele sofrimento corporal.
O começo é, muitas incoerente, desordenado, depois progressivamente, o doente conta uma história: a sua... história muitas vezes entrecortada por tempo mortos, longos silêncios, períodos de bloqueio.Mas, de palavra em palavra, ao sabor das recordações, o paciente atinge sucessivamente camadas cada vez mais profundas do espírito e afasta tudo o que obstrui o seu subconsciente e acaba por desenterrar conflitos em causa. O importante não é que a recordação se revele, mas a maneira acontece, a emoção com que é vivida. Nesse momento o paciente reencontra todas as sensações da cena inicial, que, essa sim, foi traumatizante.
Pouco a pouco, o paciente descobre que é o autor da mentira que a si próprio conta, que é ele o artífice dos seus dramas interiores.
Quando alguma coisa se traduz em palavras e se torna memória, a perturbação psicossomática desaparece por si mesma e os sintomas cessam.

12
Jan09

As doenças psicossomáticas lido em 1997

AnnaTree

Coisas Lidas
O tratamento das doenças psicossomáticas, passa pelo relaxamento; que, com efeito, permite a abordagem do paciente através do seu corpo, ou seja, no terreno por meio do qual ele se exprime. Mas não basta que o relaxamento seja apenas muscular. Em medicina psicossomática o termo relaxamento abarca um sentido mais lato: Implica, igualmente, a descontracção nervosa e cerebral visto que a nossa atitude mental provoca, muitas vezes tensões musculares. Sem nos darmos conta contraímos os maxilares, franzimos o sobrolho, damos um nó nas vísceras...em resumo a crispação acaba por tornar-se a nossa segunda natureza.
(...) o relaxamento age sobre a entrada em repouso do cérebro, proporcionando uma verdadeira calma psíquica. O relaxamento desempenha, assim, o papel de tampão entre choques emocionais exteriores e as reacções internas do organismo. (...) se estiver bem relaxado o paciente acaba por se distanciar relativamente aos seus problemas.

07
Jan09

O Padre Apelles responde

AnnaTree

Coisas ,escritas...
O Padre Apelles responde: Apesar de não ser meu costume fazer caso de cartas anônimas e insultuosas quero responder a uma que me envia alguém não identificado desde Bilbao, que para além de me cobrir de insultos impublicáveis, me diz que espera que eu morra atropelado. Serve a minha resposta para todas as do gênero que pensem remeter-me.
Amigo ou amiga: Bem entendido, que você não tem que sentir apreço pela minha pessoa. Não tenho que agradar a todo o mundo. Ninguém tem de ver nem aprovar o meu estilo particular de apresentar-me em debates televisivos. Não é verdade que ofenda alguém no programa « Mouros e cristãos» .Posso até dizer algum comentário provocador, mas ao menos faço-o com a cara descoberta e assumo as conseqüências. As barbaridades que você me “espeta” na sua carta, não me fazem mossa. Com efeito, ofende quem pode e não quem quer e nem sei quem você é. Mas fico preocupado ao pensar que guarde tantos ressentimentos e tanto ódio no seu coração.Isso faz-lhe mais estragos a si do que a mim.Acredite, que a vida é demasiado complicada para ainda por cima, com atitudes como a sua, amargar-se mais.Toda a negatividade que dirige a mim seria preferível que a converter-se em algo positivo em favor de melhor causa. Com certeza que morrer todos iremos um dia, mas está a dar-me demasiada importância quando deseja que me estatele no primeiro avião em que entre. Acha que vale a pena que para que eu desapareça tenham que morrer comigo também os que viajam no mesmo avião? Se a sua carta lhe serviu para desabafar e desintoxicar-se á minha custa de todo o fel que leva dentro de si, dou-a por bem empregue.

Padre Apelles, sacerdote, jornalista e advogado