Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

15
Jun09

a coragem de mudar de willy pasini e donata francescato XII

AnnaTree

Coisas lidas
b) Patrizia provocou a revolução, mas é incapaz de ir até ao fim. Tem, de facto, um temor evidente da mudança sentimental que, no entanto, solicita. E vez de clarificar a situação, evita encontrar novamente Fausto, invocando desculpas improváveis. Entretanto, até graças ao creme utilizado contra a dor vaginal recomeçou a fazer amor com Conrado que se mostra mais terno que antes e estaria disposto a ter um filho; mas ela começou a tomar a pílula!
Patrizia continua a sobrepor os acontecimentos e a confundi-los, dando quase a impressão de querer ambos os homens. E, no entanto, dado que não tem a capacidade nem a força necessárias para gerir a situação, corre o risco de ficar sozinha. Recomeçou, de facto, a contactar com Fausto, mas através de telefonemas muito vagos. Entretanto, permanece por inércia junto de Conrado, com o qual evita de novo as relações sexuais; satisfá-lo com carícias, pensando no outro homem. É como se Patrizia se encontrasse no meio de um baixio, sem saber em que direcção avançar. Deu um mergulho a partir de uma margem para alcançar a outra, mas talvez não desejasse mesmo atravessar o rio. A impossibilidade de mudar está, nela, disfarçada pela veleidade de mudar, que não significa capacidade de mudar.
Em casos semelhantes, exige-se ao terapeuta muita paciência: deve evitar tomar decisões em lugar da pessoa em dificuldade, ou impeli-la a escolher, por fim, uma das alternativas. E, no entanto, igualmente errado seria deixar que Patrizia se torture na incerteza, enquanto os anos vão passando. Por isso, será essencial mostrar-lhe os aspectos negativos da dependência e as vantagens de um projecto autónomo em relação ao futuro, encorajando-a a querer ser, pelo menos em parte, protagonista das suas decisões.

 

07
Jun09

A CORAGEM DE MUDAR DE WILLY PASINI E DONATA FRANCESCATO XI

AnnaTree

Coisas lidas
AS PRISOES INTERIORES

DEMASIADO DEPENDENTES
Patrizia vive há cinco anos com um homem que receia o casamento. Ele tem quarenta anos, chama-se Conrado, vem de uma família abastada e gere com os pais uma grande empresa de electrodomésticos. Para além do trabalho, gosta muito de desporto e dos amigos, com os quais passa a maior parte do fim-de-semana deixando-a sozinha em casa. No inicio da sua relação, Patrizia tinha o seu apartamento, mas depois Conrado pediu-lhe para se mudar para casa dele e impôs as» suas» regras de convivência. Ansiosa e frágil, ela sente-se sufocar e já teve mesmo crises de taquicardia. Depois de ter consultado vários médicos, inclusive um cardiologista, dirigiu-se finalmente a uma psiquiatra que a ajudou a ultrapassar as dificuldades mais graves e as fobias. Infelizmente, não ousando opor-se a Conrado com as suas palavras, Patrizia começou a dizer-lhe não com o corpo: desenvolveu, de facto, uma crise de vaginismo, isto é, a contração involuntária dos músculos vaginais, que impede relações sexuais completas levando ocasionalmente a uma castidade forçada
(...)
São evidentes aqui dois mecanismos
a)Existe um conluio, uma cumplicidade inconsciente entre Conrado e Patrizia: foi por isso que eles se escolheram um ao outro. Conrado tinha necessidade de uma mulher frágil e bonita, que não pretendesse demasiado espaço para si e sobre a qual ele pudesse exercer o seu domínio. A insegurança de Patrizia, por outro lado, levou-a a procurar um homem do qual pudesse depender. Porém, agora que começou a crescer e pede para não ser apenas uma menina a proteger, mas também uma mulher e uma mãe, choca com a resistência á mudança, inata no companheiro. Com efeito, Conrado mostra-se relutante em abandonar um comportamento que tem as suas raízes na abastança e no modelo da família de origem. O crescimento da companheira apanhou-o desprevenido: perante o risco de perder a sua» presa», aceitou o casamento, mas não a mudança de regras

 

Pág. 2/2