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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

30.04.10

é bom


AnnaTree

Coisas escritas

 

 

é bom poder sonhar de novo

e perceber que o que vivemos de menos bom

não nos fez esmorecer

nem quebrar

e que voltamos a ser capazes

de sonhar

de fazer planos

e perceber

que a capacidade de sonhar

não acaba com a idade

e que

sonho agora com a mesma força

como sonhava á vinte anos atrás

 

by Me

 

 

 

 

29.04.10

Um dia desses - Adriana Calcanhotto


AnnaTree

(suspirando e trauteando){#emotions_dlg.inlove}

 

de tanto me perder, de andar sem sono
por essa noite sem nenhum destino
por essa noite escura em que abandono
uns sonhos do meu tempo de menino
de tanto não poder mais ter saudade
de tudo o que já tive e já perdi
dona menina, eu me resolvo agora

28.04.10

OS KIDADULTS POR MONICA MARQUES SUPLEMNTO JORNAL I


AnnaTree

Coisas Lidas

 

Este ano faço 40 anos. Para mim a palavra obrar significa fazer cocó, mais nada. Não tenho um único amigo que considere um obreiro, um esforçado, um empreendedor, acho a minha geração uma caca de geração sem força. Um achismo como qualquer outro, sujeito ao vosso juizo, mas esta gaija hoje está parva?estou. devo estar. E também estou a passar por uma segunda adolescencia brava e só vejo malucos e maluquice á minha volta, vamos lá acordar ou andamos todos aqui aparvalhados da fluoxetina?

Indo um bocado mais longe, acho que somos todos uma cambada de fodidinhos da cabeça. Eu sei que isto não é bonito de se dizer, mas deixem lá a cerimonia e o respeito um bocadinho e oiçam . a nós venderam-nos gato por lebre, umas ideias malucas, malucas, malucas.

Em 1982 isto ia ser tudo paletes de felicidade e esperança e guito, guito, muito guito a entrar pelas fronteiras e pelas estradas, guito que hoje não há a recompensar trabalho que tam´bem não há.

(...)

Como é uma desgraça vivermos quase todos com mil euros por mês, depois de nos terem enchido os ouvidos com inanidades deste calibre, Monica Maria, homens e mulheres são iguais, aprende e vive com isto. Onde é que já se viu tamanha palermice? Só na cabeça dos nossos pais. Perguntem a um noruegues, hoje com 40 anos, o tipo de mulher que esta brincadeira produziu. E ele mostrar-hes-á uma mulher – homem que não sabe ser mulher-mulher, toda tonta e com carta de pesados.

Foi-nos vendido um sonho de consumo totalmente irreal, criaram em nós expectativas , que agora , chegados aos 40, estamos fartos de saber que não podem ser realizadas, esta merda não está a bater certo.

(...)

A gente esforça-se mas esforça-se pouco. A gente luta, mas luta pouco, a gente quer tudo, porque sempre teve tudo, porque sempre tudo, mas não tem os guts.estamos cansados do sonho da treta europeia, queremos ser fazendeirtos no Facebook, usar cuecas boxer do Scoby Doo,comprar uns all stars amarelos aos 39 anos e que mnos deixem em paz ,adulthood has lost its appeal . antigamente as pessoas queriam crescer e sair de casa e casavam com energumenos e energumenas só por causa disso. Hoje já ninguem quer ser policia ou bombeiro. Muito menos tem vontade de casar ou sequer acreditar que o amor pode vir com o tempo e em formas desconhecidas e nem sempre imediatamente compensadoras. Quando tinha 15 anos li, em casa da minha melhor amiga, na revista Sputnick, que uma camponesa da parvonia russa se estudasse poderia transformar-se numa grande astronauta. Faço tudo para voltar a acreditar numa merda destas. Por falar nisso, Teresa, eu perdia á canastra e ao king só para tu não amuares

26.04.10

Por Que Não ?


AnnaTree

Coisas declamadas

 

Bruna Lombardi 


                  

 

eu olhei e pensei por que não  
dezesseis anos mais velho, seguro  
homem de opinião e nenhum caráter  
o velho truque do maduro  
um actor na vida, e eu pensei por que não  
vai ver é um menino com medo  
vai ver se atrapalha  
não, acho que não 
deve ser um pouco canalha como todos são 

um cruzar de pernas, um olhar grave  
não sei direito o que se faz pra ser querida  
uma posição mais provocante  
uma atitude mais desinibida  
logo eu que morro de vergonha  
de tentar ser um pouco atrevida  
logo eu 
que o que cometo em sonhos  
seria incapaz de cometer na vida 

mas pensei por que não o estímulo de uma aventura  
o prazer de ceder à tentação  
é tão raro acontecer esse desejo, dura  
tão pouco isso 
a novidade 
e depois não tem o compromisso da paixão 

come e depois espalha pra cidade  
aquela coisa machista insuportável  
estilo gosta de levar vantagem  
— chega de pensar bobagem — 
não é possível que ele seja assim  
ele é sensível, inteligente, um homem que chora 
só falta agora um sopro de coragem, uma insinuação 

e se ele for um sujeito compulsivo  
maníaco depressivo, do tipo que atormenta  
astral anos sessenta  
e eu me arrepender profundamente  
— o ruim do porre é a ressaca — 
se for um cara babaca desses dose pra analista  
se ainda for comunista do antigo pecezão  
não, claro que não  
ele é brilhante, contemporâneo, actuante  
activo da linha de frente  
e eu molhei os lábios sensualmente  
e pensei por que não?

24.04.10

cecilia


AnnaTree

COISAS LIDAS

Ela trancava as malas, chamava o táxi, dava a direcção, entrava no aeroporto, sentava-se no avião, fechava os olhos, dormia. Ela acordava noutra cidade, noutros pais, noutra história.

Instalava-se no hotel, mandava subir a bagagem, pegava na chave, metia-se no elevador, percorria o corredor, entrava no quarto, corria as cortinas, sentava-se na cama, suspirava.

Ela pegava no telefone, falava com a secretaria da agência, tomava nota da hora, pousava o auscultador. Tomava um duche, olhava se ao espelho, vestia-se para a reunião, maquilhava se um pouco, agarrava na carteira, apagava a luz, descia.

Ela chamava um táxi, dava a direccao, punha os óculos escuros, enterrava-se no assento, cantarolava, via passar os prédios conhecidos e os desconhecidos pelos vidros sujos,cumprimentava os a todos baixinho, sorria.

Ela entrava na agencia, apertava as mãos, beijava caras mais maquilhadas do que a sustentava-se, apresentavam-lhe os dossiês, estudava-os durante horas, escolhia, mandava entrar os rapazes e as raparigas, todos muito belos e jovens, estudava-os, seleccionava, conversava, deixava-os sair, decidia.

Ela aceitava os convites dos colegas de trabalho para jantar, pedia-lhes que a levassem a algum lugar cheio de cor mas com pouca luz, eles escolhiam sempre um dos restaurantes da moda, ela seguia-os ouvindo o seu tagarelar, tentava divertir-se por vezes conseguia bebia vinho leve comia pouco olhando distraída para as outras mesas e depois pedia para as outras mesas e depois pedia para a levarem a dançar.

Ela entrava no bar e davam-lhe vodka e pouco depois sem que ninguém soubesse como lá estava a musica dela a altos berros the dancing queen dos abba e ela subia para uma mesa uma cadeira uma coluna qualquer coisa que estivesse perto e dançava e ria se muito e dançava e a musica era ela e o copo de vodka baptizava quem estivesse perto e ela cantava a plenos pulmões e beijava na boca o primeiro ou a primeira que se aproximasse derrubava copos sem se dar conta e ao olhar para ela todos deixavam de se importar. O cabelo ruivo brilhava mais e mais e ela estava belíssima. Era impossível não a amar, todos a sua volta lhe queriam fazer promessas e leva la para casa, mas a música acabava, e la saltava do palco improvisado, pousava o copo, descia á terra, saia sem se despedir, caminhava sozinha, apanhava outro táxi.

Ela descalçava os sapatos ainda no elevador, tirava o casaco elo corredor fora, avbria a porta do quarto, atirava o resto da roupa pelo ar, deixava se cair em cima da cama, sentia-se triste e so, desatava a soluçar.

Ela chorava alto e depois chorava baixinho, abracava as pernas, metia a cabeça nos joelhos, chorava mais. Ela pegava no telefone e marcava o número que sabia de cor.

Ela nunca via as horas antes de ligar, sabia que não a atenderiam, de qualquer forma. Respondia a voz no atendedor e, aquela voz tão doce, tão familiar acalmava-a. A pouco e pouco, á medida deixava mensagem, a dor e a solidão iam-se embora devagarinho, na segunda ou na terceira vez que ligava e ouvia aquela voz e lhe contava segredos e sussurrava confissões, começava a sentir-se menos triste e acabava por adormecer com o auscultador encostado á cara, seguro de tal forma que pareciam estar de mãos dadas.

Ela acordava com dor de cabeça, tomava um duche e duas aspirinas, atirava a roupa para dentro da mala maior, sentava se em cima para o poder fechar. Ela punha os óculos escuros, saia do quarto, atravessava o corredor. Ela chamava o elevador, descia ate á recpçao, mandava buscar a bagagem, apanhava mais um táxi.

Ela metia se no avião e fazia de conta que dormia para não conversar com ninguém.

Ela comia toda a comida que lhe pusessem no tabuleiro e sorria muito e adormecia quando o avião descia para aterrar.

Ela entrava num táxi das partidas para não ser confundida com uma turista e depois dava a direcção de casa escrita num papel para ver se a tentavam aldrabar.

Ela metia a chave na porta do prédio, subia os quatro andares a arrastar as malas pesadas e a resmungar. Ela entrava no apartamento, atirava tudo o que tinha nas mãos para o chão, corria a cumprimentar as plantas e os peixes, chamava pelos gatos. Depois, ela sentava se no sofá e, sem nunca as ouvir, apagava uma por uma as mensagens que deixara no atendedor de chamadas.

 

POR CLAUDIA CLEMENTE JORNAL I SUPLEMENTO

22.04.10

Manual para nos defendermos da mãe Gianni Monduzzi


AnnaTree

 

(...)

O QUARTO ARRUMADO

 

A mãe tem um estranho conceito de arrumação: confunde-o com a geometria- enquanto pusermos as coisas de modo simétrico , a sensibilidade da sua perspectiva não é perturbada. Mas se usarmos critérios visualmente desarmônicos , para ela é desarrumação.È inútil explicar-lhe que se trata de uma versão organizada de « caos lógico» : ela não suporta « aquela barafunda» .

(...)

A história ensina-nos que as mães terríveis são muito úteis à humanidade: produzem filhos desadaptados e geniais. A serenidade torna-nos banais se formos fora de série, agradecemos à mãe que nos complicou a vida

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