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Coisas Lidas
[...]
Resisto ao feijão: desde que sou surdo sorrio que me farto e concordo a torto e a direito, com uma benevolência inalterável e tocante. Julgam-me feliz: sou mouco. Cuidam-me franciscano: sou apenas surdo. E só desejo que não me aconteça, como ao pai da minha mãe que um amigo me puxe pelo braço numa confidência comprida para perguntar no fim
- O que achas tu António ao que ele, que nada ouvira, respondeu para ser agradável ao outro
- Isso é de uma estupidez e nunca se recompôs do facto de o amigo sem que o meu avô jamais descobrisse o motivo, ter cortado relações com ele.

Coisas Declamadas
E desato as amarras dos navios
E das palavras que me fazem tua
Chegar é confessar que me desejas
Calar é confirmar que não despenso
O gesto em que, gaivota, me insinuo…
Se de leve no ombro tu me beijas
Pela seda da roupa te pertenço
Pela sede da boca te possuo
História do Sr. Mar
Deixa contar...
Era uma vez
O senhor Mar
Com uma onda...
Com muita onda...
E depois?
E depois...
Ondinha vai...
Ondinha vem...
Ondinha vai...
Ondinha vem...
E depois...
A menina adormeceu
Nos braços da sua Mãe...
De, Matilde Rosa Araújo in "O Livro da Tila"
Obrigada Mena![]()


Coisas mailadas

Coisas declamadas
Um espasmo
A água
O sangue
E o incêndio de um grito
Devorando os medos
Beber o ar, tossir,
Chorar por um útero morno e distante.
E então
Mansamente
Escavar em nós os umbigos
Fundos do afecto
Ao cair como uma semente
Da placenta da flor
Na terra fértil do primeiro dia.
De Rui Borges DN jovem
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