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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

12
Abr11

ela...

AnnaTree

 

Coisas Lidas

Ela trancava as malas, chamava o táxi, dava a direcção, entrava no aeroporto, sentava-se no avião, fechava os olhos, dormia. Ela acordava noutra cidade, noutro pais, noutra história.

Instalava-se no hotel, mandava subir a bagagem, pegava na chave, metia-se no elevador, percorria o corredor, entrava no quarto, corria as cortinas, sentava-se na cama, suspirava.

Ela pegava no telefone, falava com a secretaria da agência, tomava nota da hora, pousava o auscultador. Tomava um duche, olhava se ao espelho, vestia-se para a reunião, maquilhava se um pouco, agarrava na carteira, apagava a luz, descia.

Ela chamava um táxi, dava a direccao, punha os óculos escuros, enterrava-se no assento, cantarolava, via passar os prédios conhecidos e os desconhecidos pelos vidros sujos, cumprimentava os a todos baixinho, sorria.

Ela entrava na agencia, apertava as mãos, beijava caras mais maquilhadas do que a sua, sentava-se, apresentavam-lhe os dossiês, estudava-os durante horas, escolhia, mandava entrar os rapazes e as raparigas, todos muito belos e jovens, estudava-os, seleccionava, conversava, deixava-os sair, decidia.

Ela aceitava os convites dos colegas de trabalho para jantar, pedia-lhes que a levassem a algum lugar cheio de cor mas com pouca luz, eles escolhiam sempre um dos restaurantes da moda, ela seguia-os ouvindo o seu tagarelar, tentava divertir-se por vezes conseguia bebia vinho leve comia pouco olhando distraída para as outras mesas e depois pedia para as outras mesas e depois pedia para a levarem a dançar.

Ela entrava no bar e davam-lhe vodka e pouco depois sem que ninguém soubesse como lá estava a musica dela a altos berros the dancing queen dos abba e ela subia para uma mesa uma cadeira uma coluna qualquer coisa que estivesse perto e dançava e ria se muito e dançava e a musica era ela e o copo de vodka baptizava quem estivesse perto e ela cantava a plenos pulmões e beijava na boca o primeiro ou a primeira que se aproximasse derrubava copos sem se dar conta e ao olhar para ela todos deixavam de se importar. O cabelo ruivo brilhava mais e mais e ela estava belíssima. Era impossível não a amar, todos a sua volta lhe queriam fazer promessas e leva la para casa, mas a música acabava, e la saltava do palco improvisado, pousava o copo, descia á terra, saia sem se despedir, caminhava sozinha, apanhava outro táxi.

Ela descalçava os sapatos ainda no elevador, tirava o casaco elo corredor fora, abria a porta do quarto, atirava o resto da roupa pelo ar, deixava se cair em cima da cama, sentia-se triste e so, desatava a soluçar.

Ela chorava alto e depois chorava baixinho, abraçava as pernas, metia a cabeça nos joelhos, chorava mais. Ela pegava no telefone e marcava o número que sabia de cor.

Ela nunca via as horas antes de ligar, sabia que não a atenderiam, de qualquer forma. Respondia a voz no atendedor e, aquela voz tão doce, tão familiar acalmava-a. A pouco e pouco, á medida deixava mensagem, a dor e a solidão iam-se embora devagarinho, na segunda ou na terceira vez que ligava e ouvia aquela voz e lhe contava segredos e sussurrava confissões, começava a sentir-se menos triste e acabava por adormecer com o auscultador encostado á cara, seguro de tal forma que pareciam estar de mãos dadas.

Ela acordava com dor de cabeça, tomava um duche e duas aspirinas, atirava a roupa para dentro da mala maior, sentava se em cima para o poder fechar. Ela punha os óculos escuros, saia do quarto, atravessava o corredor. Ela chamava o elevador, descia ate á recepçao, mandava buscar a bagagem, apanhava mais um táxi.

Ela metia se no avião e fazia de conta que dormia para não conversar com ninguém.

Ela comia toda a comida que lhe pusessem no tabuleiro e sorria muito e adormecia quando o avião descia para aterrar.

Ela entrava num táxi das partidas para não ser confundida com uma turista e depois dava a direcção de casa escrita num papel para ver se a tentavam aldrabar.

Ela metia a chave na porta do prédio, subia os quatro andares a arrastar as malas pesadas e a resmungar. Ela entrava no apartamento, atirava tudo o que tinha nas mãos para o chão, corria a cumprimentar as plantas e os peixes, chamava pelos gatos. Depois, ela sentava se no sofá e, sem nunca as ouvir, apagava uma por uma as mensagens que deixara no atendedor de chamadas .

(desconheço autor)

 

08
Abr11

Extracto Entrevista de Luis Osório a Antonio Lobo Antunes Dn

AnnaTree

Coisas Lidas

 

 

A.L.A. (…) as pessoas entram, as pessoas saem e vou-me abandonando. Gosto dessa sensação. Todos os dias fico meia hora na casa de banho sem fazer coisa nenhuma (…) não toma banho não me barbeio, simplesmente estou sentado, mais nada. Os pensamentos não são claros, mas tenho a sensação que programo o resto do dia nessa meia hora em que olho o tecto e as paredes

A.L.A- O que é a timidez?

 

L.O. – É o medo de sermos rejeitados pelo outro

A.L.A. - É fácil etiquetar as pessoas e muito difícil mostrar a nossa verdade. Já reparou que costumamos etiquetar as pessoas pelos seus defeitos físicos? É a crítica mais reles que se pode fazer a uma pessoa porque estamos a falar daquilo que elas não têm culpa.

A.L.A. – A procura da identidade é algo que nos acompanha toda a vida. Quem sou eu? Quem são os outros? Quem sou eu face aos outros? É um jogo de espelhos, mas o problema é que todos os espelhos são ligeiramente deformados, quanto mais não seja somos canhotos nos espelhos, não somos completamente nós.

L.O.- A imagem que vai deixar nas suas filhas é diferente da que vai ficar em si quando os seus pais morrerem?

A.L.A. - Espero bem que sim (…) tenho, cada vez mais, tentado ser uma referência e um abrigo onde elas podem voltar (…) gostaria que se lembrassem de mim com alguma saudade.

06
Abr11

FRACASSOS MEMORÁVEIS

AnnaTree
  1. Em 1946,Quim Xiang-Yi foi galardoado com um diploma especial por falhanço notável ao chumbar no exame de admissão á função pública chinesa ao longo de vinte anos. Encorajado por esta honra, o Sr. Xiang-Yi chumbou mais de quatro vezes
  2. Em 1986,Glymm de Moss Wolfe dos EUA estabeleceu o recorde mundial ao divorciar-se pela vigésima sexta vez. Ex-conselheiro matrimonial, Wolfe disse sempre que tinha gostado de estar casado, mas também apreciava uma mudança de cara de vez em quando. Wolfe casou pela 1ª vez em 1931, e aos 80anos de idade lembrava-se dos nomes de todas as suas mulheres. Pagou mais de 1 milhão de dólares em pensões de alimentos e a sua última noiva foi uma rapariga de 15 anos chamada Daisy Delgado
  3. Em Janeiro de 1980, Grigory Romanov, o presidente de Leninegrado persuadiu o museu Heritage a emprestar-lhe o serviço de chá de Catarina, a grande para o casamento da sua filha. Um dos convidados ao levantar se da mesa, acidentalmente deixou cair uma chávena. Os outros convidados julgando tratar – se de um brinde tradicional levantaram –se e atiraram o serviço inteiro para a lareira.
  4. Em 1980, o imperador Menelec II da Absinia mandou vir 3 cadeiras eléctricas de Nova Iorque. Quando a encomenda chegou, o imperador percebeu que sem um abastecimento de electricidade, as cadeiras não funcionavam. Duas delas foram deitadas ao lixo e uma foi usada pelo imperador como trono.
  5. Um ladrão de bancos em malta estabeleceu o recorde mundial de fuga menos bem sucedida quando assaltou o banco de Valetta. Pegou no dinheiro, saiu a correr, atravessou a rua apressado e ficou á espera na paragem do autocarro. 15 Minutos depois, sem nenhum autocarro á vista, foi preso por um polícia que ia a passar e que viu as 3000 notas novas pressionadas contra o peito do ladrão.
  6. Um novo mapa para caminhantes aventureiros publicado em Inglaterra pelo Dales National Park acabou por se tornar num desafio invulgar. Um dos caminhos ia dar a um precipício, outro atravessava uma enfermaria de hospital e um terceiro implicava atravessar o rio Ribble com agua até ao pescoço, uma vez que havia ponte.
  7. Em 1982, a York Boo Fair exibiu uma colecção de livros que nunca venderam um único volume, apesar de todos serem magníficos exemplos de uma imaginação fértil. Eis alguns exemplos: «as leis do sistema de esgotos e canalizações de 1904, «férias no Uganda», «Safaris no Vietname», «o romance da lepra», «eu sou a tia de Hitler» e a» Mãe de Goethe»
  8.  12 Meses após uma campanha intensa de controlo de natalidade na china, verificou-se que 79% dos homens tinham tomado a pílula e que 98% tinham colocado o preservativo no dedo durante o acto sexual, tal como havia sido demonstrado nas palestras. O ministro chinês responsável pela pasta do controlo da natalidade quis demitir-se quando foi anunciado que a população tinha mais 2 milhões de habitantes depois de 2 anos no poder

 

04
Abr11

Saiu numa edição do Financial Times (o maior jornal sobre economia do

AnnaTree

Coisas mailadas.

 

Uma jovem mulher enviou um e-mail para o jornal a pedir dicas sobre "como

arranjar um marido rico".

Contudo, mais inacreditável que o "pedido" da rapariga, foi a resposta do

editor do jornal que, muito inspirado, respondeu à mensagem, de forma muito

bem fundamentada.

 

Sensacional!

 

*E-mail da rapariga:*

 

"Sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos.

Sou bem articulada e tenho classe. Quero casar-me com alguém que ganhe no

mínimo meio milhão de dólares por ano. Há algum homem que ganhe 500 mil ou

mais neste jornal, ou alguma mulher casada com alguém que ganhe isso e que

possa me dar algumas dicas?

Já namorei homens que ganham por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo

passar disso. E 250 mil por ano não me vão permitir morar em Central Park

West.

Conheço uma mulher (do meu grupo de ioga) que casou com um banqueiro e vive

em Tribeca! E ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente.

Então, o que é que ela fez que eu não fiz? Qual a estratégia correcta?

Como chego ao nível dela?"

*Raphaella S.*

____________________

 

*Resposta do editor do jornal:*

 

"Li a sua consulta com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e

fiz uma análise da situação.

Primeiramente, eu ganho mais de 500 mil por ano. Portanto, não estou a tomar

o seu tempo à toa...

Posto isto, considero os factos da seguinte forma: Visto da perspectiva de

um homem como eu (que tenho os requisitos que procura), o que oferece é

simplesmente um péssimo negócio.

Eis o porquê: deixando o convencionalismo de lado, o que sugere é uma

negociação simples, proposta clara, sem entrelinhas: Você entra com a beleza

física e eu entro com o dinheiro.

Mas há um problema.

Com toda a certeza, com o tempo a sua beleza vai diminuir e um dia acabar,

ao contrário do meu dinheiro que, com o tempo, continuará a aumentar.

Assim, em termos económicos, você é um activo que sofre depreciação e eu sou

um activo que rende dividendos. Você não somente sofre depreciação, mas

sofre uma depreciação progressiva, ou seja, sempre a aumentar!

Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar linda pelos próximos 5 ou

10 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. E no futuro, quando se

comparar com uma fotografia de hoje, verá que se transformou num caco.

Isto é, hoje você está em 'alta', na época ideal de ser vendida, mas não de

ser comprada.

Usando a terminologia de Wall Street, quem a tiver hoje deve mantê-la como

'trading position' (posição para comercializar) e não como 'buy and hold'

(comprar e manter), que é para o que você  se oferece...

Portanto, ainda em termos comerciais, casar (que é um 'buy and hold')

consigo não é um bom negócio a médio/longo prazo! Mas alugá-la, sim!

Assim, em termos sociais, um negócio razoável a ponderar é, namorar.

Sem ponderar... Mas, já a ponderar e, para me certificar do quão

'articulada, com classe e maravilhosamente linda' você é, eu, na condição de

provável futuro locatário dessa 'máquina', quero tão-somente fazer o que é

de praxe: fazer um 'test drive' antes de fechar o negócio... podemos

marcar?"

*Philip Stephens, associate editor of the Financial Times - USA*

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