Terça-feira, 17 de Maio de 2011

MULHER PERDIDA DE FERNANDA DE CASTRO

 

 

Coisas declamadas

 

I

aquela que ali vai

aluga o coração

porque um dia caiu.

agora quando cai,

ninguém lhe estende a mão.

 

II

 

Lá vai de mantilha preta,

olheira cor de violeta,

buscando a sombra das casas.

 

flor da noite, borboleta,

que fizeste ás tuas asas?

 

III

 

Boneca partida

que aconteceu

á tua vida?

 

ave caída,

ninguém te disse

que é bela a vida?

 

quem te mandou,

asa ferida,

brincar com a vida?

 

e hoje, perdida,

quem te há-de achar?

a morte ou a vida?

 


publicado por AnnaTree às 13:13
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011

Amy Winehouse - You Know I'm No Good


publicado por AnnaTree às 11:45
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2011

NÃO CHOREIS OS MORTOS PEDRO HOMEM DE MELLO

Coisas declamadas

 

Não choreis nunca os mortos esquecidos

Na funda escuridão das sepulturas.

Deixai crescer, á solta, as ervas duras

Sobre os seus corpos vãos adormecidos

 

E quando, á tarde de sol, entre brasidos,

Agonizar... guardai, longe, as doçuras

Das vossas orações, calmas e puros,

Para os que vivem, mudos e vencidos

 

Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,

Da multidão sem fim dos que são vivos,

Dos tristes que não podem esquecer

 

E, ao meditar, então, na paz da morte,

Vereis, talvez, como é suave a sorte

Daqueles que deixaram de sofrer


publicado por AnnaTree às 15:11
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011

Dixie Chicks - Not Ready To Make Nice


publicado por AnnaTree às 12:40
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Quarta-feira, 11 de Maio de 2011

A Pedra Fernanda Castro

Coisas declamadas

A pedra

Deus fez a pedra rude, a pedra forte, e depois destinou:

- serás eterna

Mostrarás a altivez de quem governa,

Não ousará tocar-te a própria morte.

 

E a pedra julgou linda a sua sorte.

Foi palácio, foi templo, foi caverna, foi estátua, foi muralha, foi cisterna,

viveu sem coração, sem fé, sem norte.

 

Mas viu morrer o infante, o monge,

A fera, o herói o artista, a flor, a fonte,

A hera, e humildemente quis também morrer.

 

Não grita, não se queixa, não murmura,

Guarda a mesma aparência hostil e dura

Mas sofre o mal de não poder sofrer


publicado por AnnaTree às 15:03
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Terça-feira, 10 de Maio de 2011

Theme from HILL STREET BLUES


publicado por AnnaTree às 11:44
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011

Poesia António gedeão

 

Coisas declamadas


Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde vem,
não comia, nem bebia,... Ver mais
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos à boca
e viesse o que viesse.

Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das pernas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.


publicado por AnnaTree às 11:37
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2011

A. Vivaldi: Concerto 'Sua Altezza Reale di Sassonia' in G minor (RV 576) - Part II


publicado por AnnaTree às 11:53
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2011

poema sem nome de Inês Pedrosa

 

Coisas declamadas


primeiro a tua língua molha o meu coração, num vagar de fera.

Estendo aurícula e ventrículos sobre a mesa,entre os copos que desaparecem.

Não há mais ninguém no bar cheio de gente.

Abres-me agora os pulmões, um para cada lado,e sopras. Respiras-me.

O laser das tuas palavras rasga-me o lobo frontal do cérebro.

A tua boca abre-se e fecha-se,fecha-se e abre-se, avançando por dentro da minha cabeça.

As minhas cidades ruem como rios, correndo para o fundo dos teus olhos.

O tempo estilhaça-se no fogo preso das nossas retinas.

O empregado do bar retira da mesa o nosso passado e arruma-o na vitrina,ao lado dos exércitos de chumbo.

Entramos um no outro,abrindo e fechando as pernas das palavras, estremecendo no suor dos olhos abraçados,fazendo sexo com a lava incandescente dessa revolução imprevista

a que damos o nome de amor.


publicado por AnnaTree às 15:41
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Quarta-feira, 4 de Maio de 2011

Florence + The Machine - Dog Days Are Over (2010 Version)


publicado por AnnaTree às 11:33
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