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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

17
Mai11

MULHER PERDIDA DE FERNANDA DE CASTRO

AnnaTree

 

 

Coisas declamadas

 

I

aquela que ali vai

aluga o coração

porque um dia caiu.

agora quando cai,

ninguém lhe estende a mão.

 

II

 

Lá vai de mantilha preta,

olheira cor de violeta,

buscando a sombra das casas.

 

flor da noite, borboleta,

que fizeste ás tuas asas?

 

III

 

Boneca partida

que aconteceu

á tua vida?

 

ave caída,

ninguém te disse

que é bela a vida?

 

quem te mandou,

asa ferida,

brincar com a vida?

 

e hoje, perdida,

quem te há-de achar?

a morte ou a vida?

 

13
Mai11

NÃO CHOREIS OS MORTOS PEDRO HOMEM DE MELLO

AnnaTree

Coisas declamadas

 

Não choreis nunca os mortos esquecidos

Na funda escuridão das sepulturas.

Deixai crescer, á solta, as ervas duras

Sobre os seus corpos vãos adormecidos

 

E quando, á tarde de sol, entre brasidos,

Agonizar... guardai, longe, as doçuras

Das vossas orações, calmas e puros,

Para os que vivem, mudos e vencidos

 

Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,

Da multidão sem fim dos que são vivos,

Dos tristes que não podem esquecer

 

E, ao meditar, então, na paz da morte,

Vereis, talvez, como é suave a sorte

Daqueles que deixaram de sofrer

11
Mai11

A Pedra Fernanda Castro

AnnaTree

Coisas declamadas

A pedra

Deus fez a pedra rude, a pedra forte, e depois destinou:

- serás eterna

Mostrarás a altivez de quem governa,

Não ousará tocar-te a própria morte.

 

E a pedra julgou linda a sua sorte.

Foi palácio, foi templo, foi caverna, foi estátua, foi muralha, foi cisterna,

viveu sem coração, sem fé, sem norte.

 

Mas viu morrer o infante, o monge,

A fera, o herói o artista, a flor, a fonte,

A hera, e humildemente quis também morrer.

 

Não grita, não se queixa, não murmura,

Guarda a mesma aparência hostil e dura

Mas sofre o mal de não poder sofrer

09
Mai11

Poesia António gedeão

AnnaTree

 

Coisas declamadas


Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde vem,
não comia, nem bebia,... Ver mais
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos à boca
e viesse o que viesse.

Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das pernas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

05
Mai11

poema sem nome de Inês Pedrosa

AnnaTree

 

Coisas declamadas


primeiro a tua língua molha o meu coração, num vagar de fera.

Estendo aurícula e ventrículos sobre a mesa,entre os copos que desaparecem.

Não há mais ninguém no bar cheio de gente.

Abres-me agora os pulmões, um para cada lado,e sopras. Respiras-me.

O laser das tuas palavras rasga-me o lobo frontal do cérebro.

A tua boca abre-se e fecha-se,fecha-se e abre-se, avançando por dentro da minha cabeça.

As minhas cidades ruem como rios, correndo para o fundo dos teus olhos.

O tempo estilhaça-se no fogo preso das nossas retinas.

O empregado do bar retira da mesa o nosso passado e arruma-o na vitrina,ao lado dos exércitos de chumbo.

Entramos um no outro,abrindo e fechando as pernas das palavras, estremecendo no suor dos olhos abraçados,fazendo sexo com a lava incandescente dessa revolução imprevista

a que damos o nome de amor.

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