Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

31.08.11

Desigualdades sociais(desconheço autor)


AnnaTree

 

mimomoss design

 

 coisas lidas

 

O consumismo arrasta cada vez mais portugueses para a falência familiar. A ausência de uma classe média forte alarga o fosso entre afortunados e desfavorecidos

 

(…)

 É o caso de Vasco, trinta anos, casado com dois filhos. É jornalista e tem emprego, mas o seu ordenado não chega aos oitocentos euros. A mulher, Ana, dá explicações de matemática e, no fim do mês, totalizam mil e trezentos euros, dos quais, depois de pagas as contas, restam quatrocentos euros para comer, recorrem, por vezes, a uma instituição que possa fornecer-lhes os alimentos básicos. «É duro,   mas é a única alternativa», garantem. São, todavia, proprietários da casa onde vivem e têm carro, «que já está quase pago».

(…)

O último modelo de telemóvel

«As pessoas vivem acima das suas possibilidades», afirma Manuel. «O que importa é ter o ultimo modelo de telemóvel, um bom carro e nunca renunciar as férias. Para isso, pedem empréstimos  que depois não podem pagar e, no fim, perdem tudo. Vejo casos destes todos os dias».

29.08.11

Portas desconheço autor


AnnaTree

 

 

 

Coisas. declamadas

 

 

 

Eu tranco a porta pra todas as mentiras
E a verdade também está lá fora
Agora, a porta está trancada
A porta fechada me lembra você a toda hora
A hora me lembra o tempo que se perdeu
Perder é não ter a bússola
É não ter aquilo que era seu
E o que você quer?
Orientação?
Eu tranco a porta pra todos os gritos
E o silêncio também está lá fora
Agora a porta está trancada
Eu pulo as janelas
Será que eu tô trancado aqui dentro?
Será que você tá trancado lá fora?
Será que eu ainda te desoriento?
Será que as perguntas são certas?
Então eu me tranco em você
E deixo as portas abertas

 

 

(foto mimomos design interior)

 

26.08.11

Folhas Caídas os cinco sentidos almeida garret


AnnaTree

Coisas. declamadas

 

São belas - bem o sei, essas estrelas,
Mil cores - divinais têm essas flores;
Mas eu não tenho, amor, olhos para elas:
Em toda a natureza
Não vejo outra beleza
Senão a ti - a ti!

Divina - ai! sim, será a voz que afina
Saudosa - na ramagem densa, umbrosa.
Será: mas eu do rouxinol que trina
Não oiço a melodia,
Nem sinto outra harmonia
Senão a ti - a ti!

Respira - n'aura que entre as flores gira,
Celeste - incenso de perfume agreste.
Sei... não sinto: a minha alma não aspira,
Não percebe, não toma
Senão o doce aroma
Que vem de ti - de ti!

Formosos - são os pomos saborosos,
É um mimo - de néctar o racimo:
E eu tenho fome e sede... sequiosos,
Famintos meus desejos
Estão... mas é de beijos
É só de ti - de ti!

Macia - deve a relva luzidia
Do leito - ser por certo em que me deito
Mas quem, ao pé de ti, quem poderia
Sentir outras carícias,
Tocar noutras delícias
Senão em ti - em ti!

A ti! ai, a ti só os meus sentidos,
Todos num confundidos,
Sentem, ouvem, respiram;
Em ti, por ti deliram.
Em ti a minha sorte,
A minha vida em ti;
E, quando venha a morte,
Será morrer por ti.

24.08.11

Escrito por Pedro Paixão/do livro Do mal o menos/Se o amor for outra coisa/dedico a Amy Winehouse


AnnaTree

 

Coisas. Lidas

 

Telefonei-te para te dizer que precisava de estar contigo e tu vieste a correr, como um menino. Não devias, mostraste-me outra vez esse estranho poder, o desejo. Não esperei que fosses bonito mas a tua voz por detrás de ti encantava-me. O teu sorriso lembrava por vezes a serenidade de um Buda. E por mais que dissesses a tua dor eu não acreditava eu só sentia a minha a desfazer-me. Servi-me de ti como quem bebe um xarope pela garrafa. Desculpa-me se assim to digo. Ao meu colo tu eras um menino a choramingar por teres partido um brinquedo. Essa mulher por quem sofrias nunca existiu senão como personagem de livro. É assim que o sinto. É assim que mo fizeste sentir e é só isso que importa, é disso que se trata. Alias, era difícil distinguir em ti o que fazia parte deste mundo, do outro onde te protegias, te escondias, te fazias passar por quem não eras. Falo-te com raiva porque já não me serves de remédio e tenho de encontrar outro mais forte e não é fácil.

Sou facilmente magoada. Sou facilmente usada. Deixo-me usar. Contigo ainda foi pior. Porque tudo parecia ser como não era. Para ti eu era material de literatura. Até podia parecer que estávamos bem um para o outro. O teu analista dizia-te que só me podias ajudar, fazer-me bem. O que saberia de mim o teu analista senão o que lhe dizias e desejavas ouvir. Sim, arranjaste todas as desculpas para me teres e me deixares. Para te entreteres, para recomeçares a escrever, para teres a ilusão que fazias alguma coisa dos teus dias. Para saíres da cama a assobiares. Eu servi-te de tudo. Mas sobretudo de desculpa para continuares quando não encontravas vontade ou razão ou motivo que fosse para continuares. Fui a tua desculpa.

Foi então que encontrei aquele pó branco que alivia. Não te culpo disso. Se não fosses tu, serias outro. Sou eu que me faço mal a mim própria e não consigo sair disto. É uma dor muito antiga que volta sempre. É uma dor que só pode ser expulsa por outra maior. Aquele pó branco anestesia. Sei que não tenho perdão. Nem o procuro. Sou responsável por tudo o que me faço. Isto já começou há muito tempo e não parece ter fim e o pó branco ajuda. O pó branco é uma coisa com quem não precisas de falar, que não tens de acariciar, que nada te exige em troca do prazer. É uma coisa que te não pode mentir, uma coisa inerte, fria, morta. É a única coisa que te pode aliviar. Desculpa-me dizer-to. Tu não tens culpa. Foste só um a passar. Doeu como dói sempre. Nada assim de tão particular. És um menino de colo que se cansou e adormeceu. Gosto de pensar assim em ti. Dorme agora.

22.08.11

O DESEJO DE JOAANA ALMEIDA 16 ANOS CASCAIS ESTUDANTE DNA JOVEM


AnnaTree

Coisas. Lidas

 

Adeus. Até á vista. Qualquer coisa assim. Queria dar-te tanta coisa… e acabei por descobrir que não podemos ter tudo na vida até porque quem tem o que nos falta, por vezes, é incapaz do no-lo dar. É por isso que se diz muitas vezes o que procuramos pode estar diante do nosso nariz sem que o vejamos. Mas eu nem sei me procuras, por isso mantenho-me neste silencio meigo (…) e aceno-te em lugar de um beijo e nem vislumbras os meus lábios no meio da correria das coisas. E abraço-te antes de ir embora, mas tu não entendes o que quero dizer. Fico a olhar-te virar as costas (…) sem querer notares que ainda estou ali de pé a sincronizar o meu coração com os teus passos

(…)

Não tenho lugar naquilo que recordas, naquilo que esperas encontrar ao virar duma esquina, naquilo que não sabias que precisavas até teres. Portanto, adeus, até á vista ou qualquer coisa assim (…)

Numa breve hesitação, tudo isto se desfaz e forma-se uma esperança. Por vezes, ate parece que também me acenas um beijo e dizes que me amas com uma ausência de palavras bonitas

(…)

- Gosto de não ter que dizer as coisas. Eu também

Pág. 1/3