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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

30.09.11

Cesário Verde Deslumbramentos


AnnaTree

 

 

 

Deslumbramentos

Coisas declamadas

Milady, é perigoso contemplá-la
Quando passa aromática e normal,
Com seu tipo tão nobre e tão de sala,
Com seus gestos de neve e de metal.

Sem que nisso a desgoste ou desenfade,
Quantas vezes, senguindo-lhes as passadas,
Eu vejo-a, com real solenidade,
Ir impondo toilettes complicadas!…

Em si tudo me atrai como um tesoiro:
O seu ar pensativo e senhoril,
A sua voz que tem um timbre de oiro
E o seu nevado e lúcido perfil!

Ah! Como me estonteia e me fascina…
E é, na graça distinta do seu porte,
Como a Moda supérflua e feminina,
E tão alta e serena como a Morte!…

Eu ontem encontrei-a, quando vinha,
Britânica, e fazendo-me assombrar;
Grande dama fatal, sempre sozinha,
E com firmeza e música no andar!

O seu olhar possui, num jogo ardente,
Um arcanjo e um demónio a iluminá-lo;
Como um florete, fere agudamente,
E afaga como o pêlo dum regalo!

Pois bem. Conserve o gelo por esposo,
E mostre, se eu beijar-lhe as brancas mãos,
O modo diplomático e orgulhoso
Que Ana de Áustria mostrava aos cortesãos.

E enfim prossiga altiva como a Fama,
Sem sorrisos, dramática, cortante;
Que eu procuro fundir na minha chama
Seu ermo coração, como a um brilhante.

Mas cuidado, milady, não se afoite,
Que hão-de acabar os bárbaros reais;
E os povos humilhados, pela noite,
Para a vingança aguçam os punhais.

E um dia, ó flor do Luxo, nas estradas,
Sob o cetim do Azul e as andorinhas,
Eu hei-de ver errar, alucinadas,
E arrastando farrapos - as rainhas!



    

30.09.11

...


AnnaTree

 

 

 

Deslumbramentos

Coisas declamadas

Milady, é perigoso contemplá-la
Quando passa aromática e normal,
Com seu tipo tão nobre e tão de sala,
Com seus gestos de neve e de metal.

Sem que nisso a desgoste ou desenfade,
Quantas vezes, senguindo-lhes as passadas,
Eu vejo-a, com real solenidade,
Ir impondo toilettes complicadas!…

Em si tudo me atrai como um tesoiro:
O seu ar pensativo e senhoril,
A sua voz que tem um timbre de oiro
E o seu nevado e lúcido perfil!

Ah! Como me estonteia e me fascina…
E é, na graça distinta do seu porte,
Como a Moda supérflua e feminina,
E tão alta e serena como a Morte!…

Eu ontem encontrei-a, quando vinha,
Britânica, e fazendo-me assombrar;
Grande dama fatal, sempre sozinha,
E com firmeza e música no andar!

O seu olhar possui, num jogo ardente,
Um arcanjo e um demónio a iluminá-lo;
Como um florete, fere agudamente,
E afaga como o pêlo dum regalo!

Pois bem. Conserve o gelo por esposo,
E mostre, se eu beijar-lhe as brancas mãos,
O modo diplomático e orgulhoso
Que Ana de Áustria mostrava aos cortesãos.

E enfim prossiga altiva como a Fama,
Sem sorrisos, dramática, cortante;
Que eu procuro fundir na minha chama
Seu ermo coração, como a um brilhante.

Mas cuidado, milady, não se afoite,
Que hão-de acabar os bárbaros reais;
E os povos humilhados, pela noite,
Para a vingança aguçam os punhais.

E um dia, ó flor do Luxo, nas estradas,
Sob o cetim do Azul e as andorinhas,
Eu hei-de ver errar, alucinadas,
E arrastando farrapos - as rainhas!



    

28.09.11

o que é importante na vida


AnnaTree

{#emotions_dlg.heart}" tudo o que não seja viver escondidinho numa casinhota, pobre ou rica, com uma pessoa que se ame, e no adorável conforto espiritual que dê esse amor - me parece agora vão, fictício, inútil, oco e ligeiramente imbecil" Eça de Queiroz{#emotions_dlg.heart}

26.09.11

Luis Quintais Verso Antigo


AnnaTree

Coisas declamadas

 

Assistes á queda das folhas,

Á fría coreografía do inverno.

Roubas a virtude do que arde,

A esquiva realidade.

(…)

Vê o que se suspende.

O lugar em que brincavas.

Já então ao abandono.

Tambem tu o abandonaste.

Cerca-o com a tua infelicidade

22.09.11

explicação da morte


AnnaTree

Coisas mailadas

Henry Sobel, por ocasião da morte de Mário Covas contou a seguinte parábola:

Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.

O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.

Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram

Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: "já se foi". Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.

Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante em que alguém diz: "já se foi", haverá outras vozes, mais além, a afirmar: "lá vem o veleiro" !!!
 
Assim é a morte.

Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: "já se foi".

Terá sumido? Evaporado? Não, certamente.

Apenas o perdemos de vista.

O ser que amamos continua o mesmo, suas conquistas persistem  dentro do mistério divino.

Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita.  E é assim que, no mesmo instante em que dizemos:  "já se foi", no além, outro alguém dirá : 

"já está chegando". Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a vida.

Na vida, cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.

A vida é feita de partidas e chegadas.

De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.

Assim, um dia, todos nós partimos

como seres imortais que somos todos nós ao encontro daquele que nos criou

02.09.11

MUSICA AO ACASO POR HUGO GONÇALVES CRONICA DIA A DIA JORNAL i


AnnaTree

Coisas Lidas

Picasso queria pintar mas faltavam-lhe tintas. Em vez de sair de casa e entrar numa loja, como faria grande parte das pessoas, decidiu usar apenas as tintas que lhe sobravam, mesmo que fossem todas da mesma cor. E assim começou o período azul. Já ouvi esta história contada algumas vezes. É improvável. No entanto, serve para explicar como a necessidade apura o engenho criativo. Na gravação de «twist and shout» John lennon canta com voz de noitada de copos cocaína. Os beatles endureciam dessa forma o seu rock & roll. Tudo porque Lennon estava com problemas de garganta e teve de gritar a canção. Quando perguntaram a Paul Thomas Anderson por que razão, nos primeiros 15 minutos do filme «there will be blood», não há diálogo, o realizador respondeu: «não me lembrei de nada que as personagens pudessem dizer». O chileno Roberto Bolaño escreveu muito (e com mais qualidade) após ficar doente, porque queria deixar um meio de subsistência para a família antes de morrer. Na China de hoje, há um milhão de escritores a ganhar a vida com livros que são vendidos na internet. Cada livro custa 50 cêntimos e os autores ficam com 50 a 70 por cento da receita, mas tem um de produzir um determinado número de palavras por dia e chegam a cumprir turnos de 10 horas. Há mais um constrangimento á criatividade: a censura. Mas estamos a falar de um milhão de pessoas a escrever. O que agora nos parece uma fábrica de salsichas literárias gerida a chicote, pode muito bem produzir alguns dos grandes escritores do século.

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