Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011

Jose Gonzalez - Far Away [LYRICS]


publicado por AnnaTree às 12:01
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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

Lenda de Jesus e as andorinhas

 

 

 
Coisas Lidas

 (dedicada á minha cunhada Terry que me falou nesta lenda)

 

 

Conta a lenda que, num campo de Nazaré cheio da luz do Sol, o Menino Jesus

 

Brincava muito entretidinho, amassando barro, fazendo com ele passarinhos de asas abertas que ia colocando no chão.

 

- De repente, passou ali um homem mau que tentou esmagar os passarinhos de barro com os pés. O Menino ficou, então, muito aflito e batendo as suas mãos pequeninas fez voar para muito longe aquelas avezinhas que, com tanto carinho modelara.

 

E foi assim que nasceram as andorinhas.

 

Um dia, vieram poisar sobre o beiral da casa onde vivia Jesus, e, do barro de que foram feitas, contruíram o seu primeiro ninho.

 

Conta a lenda também que, quando Jesus foi crucificado, as andorinhas foram rodeá-lo e, com os seus pequeninos bicos tiraram-lhe da coroa os espinhos que tanto magoavam a sua cabeça.

Perante tanto sofrimento, as suas asas cobriram-se de luto e assim permaneceram para sempre

 

 


 

 


publicado por AnnaTree às 12:34
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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

Diana Krall - The Look Of Love


publicado por AnnaTree às 17:59
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011

Brinde de Ano Novo de Heitor Villa-Lobos

 

Nesta sala do tempo e da tristeza

 

Brindemos em silêncio pela vida.

 

E quebremos as taças em seguida

 

Pedindo novo vinho e nova mesa

 

 

 

Permutemos o brilho e a estranheza

 

Do festim que termina em despedida

 

Fitemo-nos, à luz desconhecida

 

Da aurora do futuro já acesa.

 

 

 

E troquemos os últimos abraços

 

Como sóbrios convivas. Os espaços

 

Estão limpos, sem nuvens e sem véus...

 

 

 

Brindemos de novo, fervorosos,

 

E deixemos, num gesto, silenciosos

 

Entre as portas da noite o nosso adeus...

 

João Maia, Verbo do verbo

 

 

 

...Feliz , te quero mas se um dia

 

toda essa alegria

 

se tornasse em dor

 

ouvirias do passado

 

a voz do meu carinho

 

repetir baixinho

 

a meiga e triste confissão

 

do meu amor


publicado por AnnaTree às 14:04
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Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011

COME IN FROM THE COLD ~ JONI MITCHELL


publicado por AnnaTree às 10:57
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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011

DE CAVALOS, REIS, PADRES E DA TIA Pureza

Coisas Lidas

 

A calçada da Ajuda era o meu tormento dos sábados de manhã. Na calçada da Ajuda havia o Regimento de Cavalaria sete, no Regimento de Cavalaria sete havia um picadeiro, no picadeiro havia um Coronel, na mão do coronel havia um chicote, na mão esquerda do coronel havia uma corda, na ponta da corda havia um cavalo e em cima do cavalo havia eu a passo de trote e a galope com o meu avô a gritar

- Endireita-te

A gritar desgostoso

- Não sejas maricas endireita-te

Enquanto eu tremia de pavor á beira das lagrimas no vértice do bicho, uma coisa insegura parecida com uma cadeira de baloiço sem braços, perigosa nas duas pontas e desconfortável no meio, que cheirava ao cabedal das arcas do quarto dos armários e a estrume de roseira, uma cadeira de baloiço sem braços que fungava, pulava, espinoteava

[...]

- De mim só herdaste o nome

E um dos meus irmãos ia tomar o meu lugar naquele tormento rotativo. De facto só lhe herdara o nome: não me interessava pela causa monárquica, que era um jornal chamado O Debate e fotografias de meninos loiros e feios a desejarem feliz natal, não me interessava o avô do meu avô que se chamava Bernardo e tinha sido visconde

.(por um acaso de nascimentos a viscondice desembocaria em mim, facto que me deixava completamente indiferente para alem de não me apetecer ler o Debate nem receber retratos de meninos feios no natal, filhos de um senhor também feio que nem coroa usava)

Não me interessava passar os domingos a aborrecerem-me de morte nos concursos hípicos do Jockey enquanto o meu avô conversava com outros oficiais e o Presidente da Republica, um general velhinho chamado Carmona, me fazia festas na cabeça ao subir á tribuna. O general velhinho defendera o meu avô depois da revolta de Monsanto, que foi quando o meu avô quis por o rei no trono e homens muito maus de barba preta não deixaram. Por culpa dos homens muitos maus de barba preta o meu avô teve de ir viver para Marrocos mas felizmente, para eu não nascer mouro, apareceu o Salazar que gostava de Nossa Senhora de Fatima e das pessoas como nós, a minha família regressou a Portugal onde existia uma casa chamada casa de santa Zita que nos mandava criadas para me levarem o pequeno almoço á cama, e o mundo graças a Deus reentrou nos eixos porque Salazar meteu na ordem os filhos dos homens muito maus de barba preta que se chamavam democratas e cujo sonho consistia em expulsar o senhor prior da igreja, roubarem-nos as pratas e obrigarem-nos a comer a mesa com o jardineiro

[...]

Se o senhor prior desaparecesse da igreja eu não era mais obrigado a ajudar á missa e acabavam-se os almoços de padres, lá em casa, sempre a cochichar-me coisas virtuosas enquanto me afagavam os joelhos: nunca entendi porquê mas se a minha avó entrava de repente os padres afastavam-se logo e deixavam de se preocupar em fazerem-me perguntas sobre a minha castidade, que era uma palavra que eu não sabia o que queria dizer mas se relacionava com os estranhos que os democratas não respeitavam e o Salazar, é claro, mandava-os enfiar na cadeia. Para não me enfiarem na cadeia a mim procurei a castidade na enciclopédia e aprendi que era o mesmo que pureza! Como também ignorava o que fosse pureza perguntei a minha mãe

- O que é pureza?

Um dos meus irmãos antecipou-se

- Não é pureza é Tia Pureza uma amiga da família que ao beijar-nos nos lambuzava de escarlate e a certa altura deixou de aparecer por causa de um assunto complicado com o marido de uma prima ouvi dizer que

- A pureza qualquer dia ainda caiu na valeta.

E entendi finalmente a preocupação dos padres em que eu não tombasse por meu turno num sítio pouco limpo. Santos homens. Só era pena que não viessem ao picadeiro aos sábados de manhã para me ajudarem a não me despenhar no estrume de roseira dos cavalos caindo na valeta como a tia Pureza e entristecendo o Salazar, aquele senhor generoso e bom, coitado, que fazia tanto por nós.

 


publicado por AnnaTree às 13:08
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Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

norah jones - come away with me lyrics

 


 

 

 

 

 


publicado por AnnaTree às 16:13
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Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

Rilke (Correspondência

Coisas Declamadas

Tu falas num murmúrio, enquanto eu olho, intimidado.

Cada palavra que tu pronuncias é como um altar.

Erguido pela minha fé sobre o meu calmo rio

Amo-te. Estas sentada num sofá, nas tuas mãos brancas e frescas adormecidas como sobre um leito.

A minha vida, qual dobadoira de prata,

Repousa entre as tuas mãos.

Afrouxa um pouco o fio


publicado por AnnaTree às 17:00
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Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011

BELLE CHASE HOTEL - FOSSANOVA


publicado por AnnaTree às 11:44
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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

Família é prato difícil de preparar

O Arroz de Palma,de Francisco Azevedo

 

Família é prato difícil de preparar.
São muitos ingredientes.
Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo.
Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência.
Não é para qualquer um.
Os truques, os segredos, o imprevisível.
Às vezes, dá até vontade de desistir.
Preferimos o desconforto do estômago vazio.
Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio.

Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite.
O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares.
Súbito, feito milagre, a família está servida.
Fulana sai a mais inteligente de todas.
Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade.
Sicrano, quem diria?
Solou, endureceu, murchou antes do tempo.

Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante.
Aquele, o que surpreendeu e foi morar longe.
Ela, a mais apaixonada.
A outra, a mais consistente.

E você?
É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia.
Como saiu no álbum de retratos?
O mais prático e objetivo?
A mais sentimental?
A mais prestativa?

O que nunca quis nada com o trabalho?
Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo.
Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida.
Não há pressa.
Eu espero.
Já estão aí?
Todas?
Ótimo.

Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados.
Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola.
Não se envergonhe de chorar.
Família é prato que emociona.
E a gente chora mesmo.
De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco.
Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.

Atenção também com os pesos e as medidas.
Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre.

Família é prato extremamente sensível.
Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido.
Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional.

Principalmente na hora que se decide meter a colher.
Saber meter a colher é verdadeira arte.
Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada. 
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita.
Bobagem.
Tudo ilusão.

Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini; Família à Belle Meunière; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria.

Família é afinidade, é "à Moda da Casa".
E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces.
Outras, meio amargas.
Outras apimentadíssimas.
Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta,
que você suporta só para manter a linha. 
Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo.
Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa.
A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia.
A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel.
Muita coisa se perde na lembrança.
Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu.
O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer.
Se puder saborear, saboreie.
Não ligue para etiquetas.
Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.
Aproveite ao máximo.
Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete


publicado por AnnaTree às 12:22
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