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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

28
Jun13

2011-05-01 dm

AnnaTree

COISAS DECLAMADAS

 

aconchego tenho em ti o momento,a palavra,

o silêncio     

e um abraço para durar– tenho em ti um mundo no feminino –guia do meu ser

a querer ser.

tenho em ti mãe o aconchego do tempo e do lugar, seja ele

terra, céu, ou mar .

 

2011-05-01 dm

25
Jun13

DEUS..... SEGUNDO SPINOZA :

AnnaTree

COISAS MAILADAS

Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu:

 

“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens.

 

 

DEUS..... SEGUNDO SPINOZA :

 

“Para de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.

 

Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

 

Para de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.

 

Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

 

Para de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.

 

O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

 

Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... não me encontrarás em nenhum livro!

 

Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

 

Para de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

 

Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?

 

Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

 

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.

 

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.

 

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.

 

Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

 

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar.

 

Ninguém leva um registro.

 

Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

 

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse.

 

Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.

 

E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?

 

Para de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.

 

Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.

 

Para de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?

 

Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.

 

Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.

 

Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

 

Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres?

 

Para que tantas explicações?

 

Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti.

 

Baruch Spinoza.

 

As sábias palavras são de Baruch Espinoza - nascido em 1632 em Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677, foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Era de família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno. Acredite, essas palavras foram ditas em pleno Século XVII.

21
Jun13

Artigo de Pedro Afonso - Médico psiquiatra

AnnaTree

COISAS LIDAS

Artigo de Pedro Afonso - Médico psiquiatra

 

 Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no

 Público

 Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas

 esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

 Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo

 epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da

 Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No

 último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença

 psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas

 perturbações durante a vida.

 Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com

 impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência,

 urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das

 crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens

 infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos

 dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos

 os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na

 escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos

 terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade

 de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural

 que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos,

 criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

 Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze

 anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100

 casamentos . As crises conjugais são também um reflexo das crises

 sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não

 existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar

 a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinal mente a

 produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com

 mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para

 lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

 Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez

 mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.

 Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença

 prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e

 produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de

 três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a

 casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma

 mãe marejada de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão

 cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três

 anos.

 Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de

 desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho

 presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela

 falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição

 da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual,

 tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

 Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar

 que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês,

 enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à

 actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e

 complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de

 escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando

 já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

 Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com

 responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos

 números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de

 pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um

 mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de

 um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência

 neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

 E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o

 estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se

 há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma

 inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

 Pedro Afonso

 Médico psiquiatra

19
Jun13

Anedota

AnnaTree

COISAS ENGRAÇADAS

- Ei, Maneli, passa-me o shampoo.

- Tens aí um na casa de banho Jaquim...

- Tá bem, mas este é para cabelo seco e eu já  molhei a cabeça. 


17
Jun13

Henrique Murillo O que se passa connosco?

AnnaTree

COISAS LIDAS

 

O mais desconcertante é talvez que, apesar de tudo, a vida, de um modo ou de outro, continua» W G SEbald

(...)

Quem manda aqui? Ja era uma tortura que mandasse o corpo. Que os pensamentos tomassem o poder podia ser pior. Mas que os sentimentos o dominassem, isso raiava a humilhação e, no entanto, não tinha outro remédio senão admitir que assim era. Cheirou a cabeça loura, observou a raiz dos cabelos muito curtos, onde começava a notar-se outra cor muitíssimo mais escura e perguntou se haveria algum remédio para aquela estranha invasão de ternura que o paralisava.

(...)

- Pobre Arturo. Tu também arrastas essa história. Somos isso, não é? As historias que arrastamos, tudo o que não compreendemos.

- Tudo o que não compreendemos.

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