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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

28
Mar14

Guilherme de Azevedo, in 'Antologia Poética'O Seu Nome é Muito Próprio Dela

AnnaTree

COISAS DECLAMADAS

 

O Seu Nome é Muito Próprio Dela

 

O seu nome é gracioso e muito próprio dela: 
Respira um vago tom de música inocente; 
E lembra a placidez de um lago transparente; 
Recorda a emanação tranquila duma estrela. 

Lembra um título bom, que logo nos revela 
A ideia do poema. E todo o mundo sente 
Não sei que afinidade entre o seu ar dolente, 
a sua morbidezza, e o próprio nome dela. 

E chego acreditar - ingenuamente o digo - 
Que havia um nome em branco, e Deus pensa consigo 
Em traduzi-lo enfim numa expressão qualquer: 

De forma que a mulher suave e graciosa 
Faz parte deste nome um tanto cor-de-rosa, 
E este nome gentil faz parte da mulher. 

Guilherme de Azevedo, in 'Antologia Poética'

26
Mar14

Antonio Feijó O Amor e o Tempo

AnnaTree

COISAS DECLAMADAS

 

Pela montanha alcantilada

Todos quatro em alegre companhia,

O Amor, o Tempo, a minha Amada

E eu subíamos um dia.

 

Da minha Amada no gentil semblante

Já se viam indícios de cansaço;

O Amor passava-nos adiante

E o Tempo acelerava o passo.

 

— «Amor! Amor! mais devagar!

Não corras tanto assim, que tão ligeira

Não pode com certeza caminhar

A minha doce companheira!»

 

Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,

Abrem as asas trémulas ao vento...

— «Porque voais assim tão apressados?

Onde vos dirigis?» — Nesse momento,

 

Volta-se o Amor e diz com azedume:

— «Tende paciência, amigos meus!

Eu sempre tive este costume

De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!

 

 

 

21
Mar14

Recado aos Amigos DistantesCecília Meireles, in 'Poemas (1951)'

AnnaTree

COISAS DECLAMADAS

 

 

Meus companheiros amados, 
não vos espero nem chamo: 
porque vou para outros lados. 
Mas é certo que vos amo. 

Nem sempre os que estão mais perto 
fazem melhor companhia. 
Mesmo com sol encoberto, 
todos sabem quando é dia. 

Pelo vosso campo imenso, 
vou cortando meus atalhos. 
Por vosso amor é que penso 
e me dou tantos trabalhos. 

Não condeneis, por enquanto, 
minha rebelde maneira. 
Para libertar-me tanto, 
fico vossa prisioneira. 

Por mais que longe pareça, 
ides na minha lembrança, 
ides na minha cabeça, 
valeis a minha Esperança. 

19
Mar14

(Antologia de Poesia Erótica e Satírica) (Edição de Fernando Ribeiro de Melo) “Afrodite”

AnnaTree

COISAS DECLAMADAS

CÂNTICO

Num impudor de estátua ou de vencida,
Coxas abertas, sem defesa..., nua
Ante a minha vigília, a noite, e a lua
Ela, agora, descansa, adormecida.

Dos seus mamilos roxos-azuis, em ferida,
Meu olhar desce aonde o sexo estua.
Choro... e porquê? Meu amor, irreal, flutua
Sobre funduras e confins da vida.

Minhas lágrimas caem-lhe nos peitos...
Enquanto o luar a nimba, inerte, gasta
Da ternura feroz do meu amplexo.

Cantam-me as veias poemas nunca feitos...
E eu pouso a boca, religiosa e casta,
Sobre a flor esmagada do seu sexo.


17
Mar14

In “Passagem de Nível” Portugália Editora Sidónio Muralha 1920 – 1982

AnnaTree

COISAS DECLAMADAS

 

ROMANCE

 

Depois daquela noite os teus seios incharam;

as tuas ancas alargaram-se;

e os teus parentes admiraram-se

e falaram, falaram…

 

Porque falaram de uma coisa tal bela,

tal simples, tão natural?

Tu não parias uma estrela

nem uma noite de vendaval…

 

Mas tudo terminou porque falaram.

Tu fraquejaste e tudo terminou.

– Os teus seios desincharam;

só a tristeza ficou.

 

Ficou a tristeza de uma coisa tão bela,

tão simples, tão natural…

 

– Tu não parias uma estrela,

nem uma noite de vendaval…

 

 

 

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