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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

29
Mai14

Bolero Armando Manzanero

AnnaTree

COISAS DECLAMAS

 

Será que hoy con el pie izquierdo fue que yo me levante tire el café y a media calle fue que yo me resbale. Una estación equivocada, una camisa mal planchada y hasta una cita cancelada por error. No había luz en la oficina, ni semáforo en la esquina, mala suerte el pie izquierdo me acabo. Será que hoy el cielo con smog a las espaldas me cayó tome el reloj y al escaparse de mis manos simplemente se rompió Será que hoy amanecí con el espíritu caído el biorritmo destruido en este andar o a lo mejor es que hasta hoy nunca me habías hecho tanta falta como hoy. Será que hoy con el pie izquierdo fue que yo me levante tire el café y a media calle fue que yo me resbale Una estación equivocada, una camisa mal planchada y hasta una cita cancelada por error no había luz en la oficina, ni semáforo en la esquina mala suerte el pie izquierdo me acabo. Será que hoy el cielo con smog a las espaldas me cayó tome el reloj y al escaparse de mis manos simplemente se rompió Será que hoy amanecí con el espíritu caído el biorritmo destruido en este andar o a lo mejor es que hasta hoy nunca me habías hecho tanta falta como hoy.

26
Mai14

Não Te Entendo, Coração – João De Lemos

AnnaTree

COISAS DECLAMADAS

Mas se não amo, nem posso,
Que pode então isto ser?
Coração, se já morreste,
Porque te sinto bater?
Ai, desconfio que vives
Sem tu nem eu o saber.
Porque a olho quando a vejo?
Porque a vejo sem a olhar?
Porque longe dos meus olhos
Me andam os seus a lembrar?
Porque levo tantas horas
Nela somente a pensar?
Porque tímido lhe falo,
E dantes não era assim?
Porque mal a voz lhe escuto
Não sei o que sinto em mim?
Porque nunca um não me acode
Em tudo que ela diz sim?
Porque estremeço contente
Quando ela me estende a mão,
E se aos outros faz o mesmo
Porque é que não gosto enão?
Deveras que não me entendo,
Nem te entendo, coração.
Ou me enganas, ou te engano;
Se isto amor não pode ser,
Não atino, não conheço
Que outro nome possa ter;
Ai, coração, que vivemos
Sem tu nem eu o saber.
João de Lemos
in 366 poemas que falam de amor
antologia organizada por Vasco da Graça Moura
Quetzal Editores

22
Mai14

A EMPREGADA PORTUGUESA DO RESTAURANTE ITALIANO JUNTO A RUSSEL SQUARE DE JOSE ALBERTO OLIVEIRA

AnnaTree

COISAS DECLAMADAS

 

Já não espero dormir como dormia, vitima de sobressaltos,

Ficar á chuva dois minutos que seja, certificando-me

De como fui ignorado: ainda que a chuva seja

Um dos poucos prazeres sem resíduo, como acordar de noite

E mobilar a insónia com ovos mexidos,

Café, cigarros, poemas. Aconteceu há muitos

Anos, estava na fila da inspecção com o sexo pendente

De vergonha e de frio, o médico perguntou<.«defeitos físicos?»

E eu confessei ter miopia e astigmatismo. Agora

Não tenho nenhuma relutância em deitar-me em camas estranhas,

Mas prefiro dormir sozinho.

 

Ah! Verão tumultuoso, corpos em risco de desabar,

O transito frenético de comboios, miragens

- alguém lá dentro que evita olhar,

Levanta-se do assento e quer saber quanto lhe falta,

«por favor dizia-me que horas são»(novo silêncio)

- Deus, relojoeiro magnífico!

 

- como se pode viver de boa mente numa cidade estranha,

A imprudência de estar á espera que alguém nos ouça,

Que connosco lamente quartos húmidos e manhãs frias,

Mas sem ter pena? Nunca será de mais louvar

Os solavancos do autocarro, já que perdemos rumo e destino.

 

Pois estava previsto ser um acaso

E a geografia de Abril claudica nas noites mais intensas,

Um perfume que se liberta, uma granada de ternura perdida

Na carruagem do metro. Pode chover granizo, acordar

O cheiro tumultuoso da terra e depois de tropeçar na lista

Dos perdidos, passar duas semanas em coma,

Até reconhecer num rosto o som de outra vida:

Com janelas estreitas, folgas ao domingo, nostalgia dessa morrinha

Que cai em Famalicão no inverno, que as videiras bebem

E aduba o coração, um abandono que consola

Ao dizer “gosto muito de ti», no momento em que é certo

Que já não voltaria

13
Mai14

o chamamento jorge gomes miranda

AnnaTree

COISAS DECLAMADAS

 

Parecia acontecer à beira da janela do teu quarto
no momento em que abandonaras a roupa pelo chão,
desligaras a luz do candeeiro,
cobrias com um lençol o peito.
Inicialmente um leve sopro nas cortinas,
uma exaltação nas páginas de um livro.
De novo o silêncio.
As sombras foram as primeiras a gritar.
Do que não pudemos ser ficaram
Fogueiras indecisas na banheira,
a t-shirt amarela com bâton,
marcas de molas de plástico nos ombros.
O corpo igual e diferente.
Irei contar outra vez a mesma história?
Tudo acontece vamos nós no sono mais profundo:
objectos fora do sitio,
rastilhos de sonhos nos bolsos da camisa,
mudanças que durante a manhã
nos fazem acreditar num chamamento:
voltamos a cabeça
e já não é por nós que chamam.
O tempo que era nosso pode ainda correr pelos silvados.
O sangue não.
09
Mai14

Bess Mc Neill Frnando Pinto do Amaral

AnnaTree

COISAS DECLAMADAS

 

Foi numa estranha igreja o nosso casamento.

Ninguém tocou os sinos, não havia sinos,

e enquanto os outros ainda dançavam

deixei o teu vestido muito branco

manchado de sangue.

 

Ensinei-te a voar.

O teu corpo estivera desde sempre

à minha espera, o teu sorriso

era mais do que luz,

era o espelho mais puro desse Deus

que flava contigo e era ao mesmo tempo

a tua voz.

 

fiquei naquele quarto meses, anos,

na minha quase-morte, quase-noite,

e um dia pedi-te o maior sacrificio:

que te entregasses por amor de mim

a outro, que vivesses

por mim a tua a nossa vida.

 

e tu foste e vestistes

umas roupas de puta e descestes e desceste e descestes

e acreditaste.

não sei qual é o preço ou o castigo

de cada alma ou simplesmente disso

a que chamamos salvação

- um corpo?, só um corpo?, nada mais?

 

e tu foste de novo, cordeiro de Deus,

e entraste no barco da morte

para que dessas lágrimas nascesse

a minha vida. Aqui, agora,

beijo nos teus lábios frios,

lanço ao mar o teu corpo

e escuto enfim no céu, por entre as nuvens,

os sinos que celebram a tua chegada.

 

 

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