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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

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Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

07
Mai14

A uma freira chamada dona Beatriz Pereira de Manuel Soares de Albergaria

AnnaTree

COISAS DECLAMADAS

 

 

Crecei, meu doce amor, minha Pereira,

Na devação que tendes a João,

Que inda podeis dar fruto temporão

Se acaso vos fazeis são joaneira

 

Se não fora essa grade e a porteira,

Eu vos dera um enxerto de enche-mão,

Com o qual o travesso hortelão

Dá c'o ninho dávesso de uma freira.

 

Porém quando vos eu tal garfo der,

Haveis de dar a Amor dele tributo,

Que de qualquer trabalho sempre o quer.

 

Se saímos de aqui a pé enxuto,

Farei como homem, vós como mulher,

De outrem será a enveja, e nosso o fruto.

05
Mai14

SER MÃE É ACEITAR TUDO DE José Luis Nunes Martins Jornal i 3 de maio de 2014-05-04

AnnaTree

 

Ser mãe é receber em si um outro que lhe vem de fora e acolhê-lo em vista de um futuro que pressente mas que, de maneira nenhuma, sabe explicar. Ser mãe é, antes de mais, aceitar, Tudo.

É aceitar em si um outro para o qual ela se torna o mundo:gerando-o, alimentando-o, comendo, bebendo, e respirando com ele… ele dentro de si, ela em volta dele.

É deixar esse outro ir embora e voltar a recebÊ~lo em cada dia, quando ele volta, quando ele se revolta e, também, quando ele não volta…

(…) ser mãe é dar-se como alimento, transformando-se na vida daquele a quem se dá para depois…voltar depois ao mundo, gasta, apenas com o que lhe sobra.

Ser mãe é dar-se. Aceitando sempre qualquer resultado e resposta.

Uma mãe  mais do que dar um filho ao mundo, deve dar um mundo ao filho. Um melhor que este, cheio de esperança e sonhos, com formas  e forças para o concretizar. Dando-se. Abdicando de si.. Amando da forma mais sublime e real, pura e concreta. Humana e divina. Acolhendo como sua esta obrigação absoluta de amar quem nem sempre se dá conta do seu valor.

(…)

Uma mãe dá a paz que tantas vezes não tem.

Talvez  a familia seja uma casa com paredes duplas. A mãe é a parede interior que inpira e orienta a interioridade, O pai é a parede exterior que protege  e garante a sobrevivência … no entanto, perante a falta  do outro, uma mae é capaz de quase tudo; um pai, também.

Uma boa mãe é um misterio com três dons: a simplicidade, a presença e o silêncio.

Está sempre presente, quase sempre atenta e em silêncio, e é a partir daí que nos chegam as mais sábias perguntas e respostas. De forma simples ama-nos.

Ser mãe jé é ser perfeito. Nenhuma mãe tem em si todas as qualidades humanas e, menos ainda, viva sem erros, mas, apesar de tudo, abrraça os filhos tal como são, por poucas qualidades que tenham, por maiores que sejam os seus erros… ser mãe, assim, é quanto basta para ser perfeito.

(…) Afinal uma mae é Deus connosco

Ensina-nos a ser mais fortes que os medos , não através de discursos inspiradores, mas pela grandeza e humildade do seu exemplo

(…)

Longe da nossa mãe , não serão tanto as caricias e ternuras que nos fazem, mas a sua generosa e bondosa forma de nos aceitar assim, como somos…

Uma mae vê-nos a alma só de nos admirar o olhar.

Há poucas mães. Muitas  mulheres têm filhos mas não são mães, porque há poucas que sejam mais fortes que os egoismos… há quem julgue que ser mãe não é ter, é ser. Ser só. Ser-se quem se  é nos filhos e pelos filhos. É viver em pleno entre dois corações. É ser mais… por ser menos.

01
Mai14

O mar dorival caymmi

AnnaTree
O Mar
Dorival Caymmi

O mar quando quebra na praia
É bonito, é bonito

O mar... pescador quando sai
Nunca sabe se volta, nem sabe se fica
Quanta gente perdeu seus maridos seus filhos
Nas ondas do mar

O mar quando quebra na praia
É bonito, é bonito

Pedro vivia da pesca
Saia no barco
Seis horas da tarde
Só vinha na hora do sol raiá

Todos gostavam de Pedro
E mais do que todas
Rosinha de Chica
A mais bonitinha
E mais bem feitinha
De todas as mocinha lá do arraiá

Pedro saiu no seu barco
Seis horas da tarde
Passou toda a noite
Não veio na hora do sol raiá
Deram com o corpo de Pedro
Jogado na praia
Roído de peixe
Sem barco sem nada
Num canto bem longe lá do arraiá

Pobre Rosinha de Chica
Que era bonita
Agora parece
Que endoideceu
Vive na beira da praia
Olhando pras ondas
Andando rondando
Dizendo baixinho
Morreu, morreu, morreu, oh...

O mar quando quebra na praia

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