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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

27.06.14

Quem elogia a velhice nunca a teve diante dos olhos Norberto Bobbio


AnnaTree

COISAS LIDAS

Quem elogia a velhice nunca a teve diante dos olhos

(…)

O tempo urge. Eu deveria acelerar os movimentos para chegar a tempo e, em vez disso, vejo-me obrigado, dia após dia, a mover-me cada vez mais devagar. Emprego mais tempo e disponho de menos tempo. Pergunto a mim mesmo; preocupado: Será que vou conseguir?

Sinto-me compelido pela necessidade… e, contudo, sou obrigado a marcar o passo, embaraçado nos movimentos, desmemoriado e portanto obrigado a deter-me para anotar tudo de que preciso em folhas que, no momento oportuno, não encontrarei.

 

25.06.14

Poemas de Alberto Caeiro


AnnaTree

COISAS DECLAMADAS


O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

   Alberto Caeiro

18.06.14

A PALAVRA


AnnaTree

COISAS LIDAS

 

Meu querido
Lembras-te quando o tempo era quente e líquido o amor? E tu sentavas-me no teu colo e era quente e húmido, como um daqueles locais onde crescem flores e árvores e tudo é verde e apetece ficar. E eu ficava sentada em ti, e o teu sexo abria-me como uma chave, mas não uma chave como as outras, a tua abria todas as minhas portas, e eu deixava e tu entravas, e eu movia-me, e tu parado, quente, esperando... E pousavas a cabeça no meu ombro e bebias no meu pescoço, aqui no espaço onde o pescoço e o ombro se encontram, e tu te encontravas matando a sede que tinhas de mim, e a tua boca era quente, mais quente que a pele de onde bebias.
E eu sorria de ser assim a tua água.
E tu matando a sede e a fome e murmurando, “não existe ninguém como tu, ninguém é assim como tu liquida e mar”.
E eu movia-me e era sólida e rocha nas tuas coxas, na tua chave abrindo portas…
Lembras-te quando o tempo era quente e líquido o amor? Quando me releio faço-o com os olhos de quem me lê.
E em cada palavra procuro encontrar a emoção,
O sentir da palavra,
Que me agarre
Que me toque
Me traduza e me diga:
Sou eu ali.
Mas há sempre a sensação, de invadindo espaços alheios,
Trilhar rumos já percorridos,
Caminhos outrora pisados.
Não volto à palavra como coisa minha.
Ninguém volta ao que era.
Ninguém sente no presente
O que no passado foi.

HYPERLINK "http://eroticidades.blogspot.com/" http://eroticidades.blogspot.com/

12.06.14

O outro (que sou eu) de Francisco Arcos


AnnaTree

COISAS DECLAMADAS

Caí das mãos de Deus num dia triste.
Não difiro do nada mesmo nada.
Por isso me procuro e pela estrada
pergunto à brisa: - O outro, acaso o viste?
- O outro ( que sou eu ), sombra esfaimada,
... que anda nas trevas de punhal em riste,
dize-me tu, luar, se o pressentiste
correndo atrás de mim em fúria alada?
E ergo-me da cor, vivo no som;
sou eco e sombra; existo na paisagem
até ao dia em que acabar no chão.
Caí da mão, desabrochada em céus,
a qual não sei - por erro de miragem -
se me procura, se me diz adeus.

Francisco Arcos (do Fb de Irene Arcos)

 

03.06.14

apetece me apanhar uma piela


AnnaTree

Coisas Escritas

:( apetece me apanhar uma piela mas chego a um ponto que tenho horror de me descompor...uma mulher descompoe se mto com os copos e nessa altura páro. nc chego assim a bebedeira que anestesia,,,fico smp um pouco mais distante da dor mas nc o suficiente que a perca de vista....hj preciso de musica a minha volta...de vozes que me distraiam de mim... doi tanto sentir que o futuro ja nao e aquela auto estrada larga que por ser infinita nos dava ate para projectarmos esperanças e sonhos....o sonho agora já não cabe e o futuro sao as proximas 24 horas...o proximo mes....e vamos assim tornando nos pequeninos e a vida apouca -se... num pais que nao tem futuro para os velhos nem para os que nascem nem para os de meia idade nem para os que pensam em nascer. não ha futuro onde caibam projectos ha so o dia de amanha...a ver se amanha me pagam.....se amanha ainda tenho emprego  se amanha ainda consigo pagar todas as contas, se amanha ainda consigo ajudar os meus....e depois levanto os olhos do meu umbigo e olho a volta e vejo filhos que partem com uma mala carregada de incertezas onde ainda cabe um sonho pequenino de um dia ser um sonho grande....e parte se me o coracao por saber que vao para longe....que nao sei qdo voltam nem qdo os vejo...e olho para os que ficam...com os sonhos a ficarem cada dia mais pequeninos....nao vejo saida..só consigo ver o dia de amanha....e voces aí?ainda sonham?tb tem vontade de apanhar uma piela?