Segunda-feira, 29 de Junho de 2015

ENTREVISTA A HELENA SACADURA CABRAL POR ANABELA MOTA RIBEIRO DNA

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COISAS LIDAS

HELENA SACADURA CABRAL HSC: (…) na minha vida, os meus pais pais fizeram-me, os meus avós acalentaram-me, o Nuno moldou-me e os meus filhos adoçam-me. Mesmo com luta, porque de vez em quando beliscamo-nos. (…) O que faço por gosto não é sacrifício. Gosto de prescindir de fazer coisas para ter prazer de entregar essa dádiva a outro. ANABELA MOTA RIBEIRO AMR: Está a dizer-me que contava os iogurtes? HSC: Contava! Para a empregada comer de garfo e faca, comia eu o pãozinho e café com leite! Tenho muito orgulho nisso. Não podia submeter a empregada que tinha a tratar-me dos filhos e que me permitia trabalhar a alimentar-se, não digo a bifes de primeira. Mas de comida como toda a gente. Não podia dizer ao Nuno: «Fazes o doutoramento», e depois pedir-lhe dinheiro. Tinha de gerir muito bem o dinheiro. AMR: Falou com o Nuno Portas sobre a ligação dos seus filhos à política? HSC: Ah, sim. Quando são coisas sérias (…) «Nuno, estou aflita com isto”, “Nuno, o que é que eu faço?». Se for preciso choro ao pé dele. Não posso desabafar com ninguém sobre os meus filhos senão com ele.(…) Ah, amar é a maior dádiva que posso dar. Como é que amaria um homem se o quisesse exclusivamente para mim? Amar significa que tenho que pagar um preço por esse amor. (…) A vida ensinou-me que ser infeliz não custa nada. Ser feliz é que custa brutalmente. AMR: A dor da sua vida é ter falhado no grande amor? HSC: não é ter falhado no grande amor da minha vida. É ter falhado no matrimónio. Isso é uma dor, sim. Tenho um grande orgulho em mim, sou rigorosamente aquilo que gostava de ser. Construi-me. Sou a prova que uma pessoa pode ser uma coisa e fazer-se outra. Eu seria a burguesa instalada, ganhando bem, casando com um homem que ganhasse melhor, deixando de trabalhar quando os meus filhos precisassem de mim. Vivi num meio que me preparou para isso e não estou a criticar. As minhas primas são assim e eu tenho boas conversas com elas. Não tenho nada de conservadora. Conservadora é uma mulher que casa, que fica casada, que fica dramaticamente a viver o seu divórcio. Eu amei, vivi a minha vida como quis viver, nunca fiz de virgem, casei virgem já não é mau. AMR: Tem orgulho por ter casado virgem? HSC: Não tenho o mínimo orgulho. Tenho um orgulho enorme numa coisa: por ter descoberto o amor, ter-me entregue ao homem que foi o pai dos meus filhos, de os primeiros gestos de amor terem sido aprendidos com ele. Não tive filhos de mais ninguém. É uma marca e tenho um enorme prazer nessa marca. Orgulho de ter casado virgem? Se me tivesse deitado com ele antes tinha aproveitado qualquer coisinha….(risos) (…) Não tenho vergonha dos sentimentos. Posso ter vergonha de expor a parte material desses sentimentos. Ou seja, não ando nua a amar uma pessoa pela rua. Falámos aqui de sentimentos e nunca, em momento algum, passámos disso. E ao acabar-se um casamento há motivos que levam ao fim desse casamento. (…) AMR: Estamos no mesmo quem é que manda. Nunca ninguém manda em si? HSC: Não! Nem o meu pai. A minha mãe tinha uma enorme influência em mim justamente porque nunca mandou. Pelo afecto muitas pessoas mandaram em mim. Ou seja, não mandaram, conduziram-me a fazer aquilo que gostaria que eu fizesse. Mandar no sentido: “fazes isto!» tinha graça! Há quem diga que hei-de ir para o caixão a ainda a dar as últimas instruções. (…) Sabe o que eu gostaria? Que os meus filhos nunca tivessem que alterar a sua vida por mim, que quando me procurassem fosse por gosto, por prazer.


publicado por AnnaTree às 14:45
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Segunda-feira, 22 de Junho de 2015

Marillion - Lavender

https://www.youtube.com/watch?v=Q7sIzWKHGwQ&feature=youtu.be


publicado por AnnaTree às 10:24
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Terça-feira, 16 de Junho de 2015

o Baton devolveu -lhes a humanidade que haviam perdido

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COISAS LIDAS Impressionante este relato. Uma história bem pesada, tive que voltar a ela.... Em 1945, um grupo de soldados britânicos libertou do poderio germânico um campo de concentração chamado Bergen-Belsen. Um deles, o tenente-coronel Mercin Willet Gonin, condecorado pelo exército inglês com a Ordem do Serviço Distinto, relatou em seu diário o que foi encontrado ali. Sou incapaz de uma descrição apropriada do circo de horrores em que meus homens e eu haveríamos de passar o mês seguinte da nosa vida. O lugar é um deserto inóspito, desprotegido como um galinheiro. Há cadáveres espalhados por todo lado, alguns em pilhas enormes, às vezes isolados ou pares no mesmo local em que caíram. Levei algum tempo para me acostumar a ver homens, mulheres e crianças tombarem ao passar por eles. Sabia-se que 500 deles morreriam por dia e que outros 500 ao dia continuariam morrendo durante semanas antes que alguma coisa que estivesse ao nosso alcance fazer causasse algum impacto. De qualquer forma, não era fácil ver uma criança morrer sufocada pela difteria quando se sabia que uma traqueostomia e alguns cuidados a teriam salvado. Viam-se mulheres se afogarem no próprio vomito porque estavam fracas demais para se virar de lado, homens comendo vermes agarrados a meio pedaço de pão pelo simples fato de que precisavam comer vermes se quisessem sobreviver e, depois de algum tempo, eram incapazes de distinguir uma coisa da outra. Pilhas de cadáveres, nus e obscenos, com uma mulher fraca demais para ficar de pé se escorando neles enquanto preparava sobre uma fogueira improvisada a comida que havíamos dado a ela homens e mulheres agachados por toda parte a céu aberto, aliviando-se. Em uma fossa de esgoto boiavam os restos de uma criança. Pouco depois que a Cruz Vermelha britânica chegou, embora talvez sem ter nenhuma relação esse fato, chegou também uma grande quantidade de batom. Não era em absoluto o que queríamos. Clamávamos por centenas e milhares de outras coisas. Não sei quem pediu batom. Gostaria muito de descobrir quem fez isso, pois foi um golpe de gênio, de habilidade pura e natural. Creio que nada contribuiu mais para aqueles prisioneiros de guerra que o batom. As mulheres se deitaram na cama sem lençol e sem camisola, mas com os lábios escarlates. Podia-se vê-las perambulando por todo lado sem nada, a não ser um cobertor em cima dos ombros, mas com os lábios bem vermelhos. Vi uma mulher morta em cima da mesa de autópsia cujos dedos ainda agarravam um pedaço de batom. Enfim alguém fizera algo para torná-las humanas de novo. Eram gente, não mais um simples número tatuado no braço. Enfim, podiam se interessar pela própria aparência. O batom começou a lhes devolver a humanidade. Porque, às vezes, a diferença entre o céu e o inferno pode ser um pouco de batom.


publicado por AnnaTree às 10:29
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Segunda-feira, 15 de Junho de 2015

Dança - Ceumar e Chorolê


publicado por AnnaTree às 23:18
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Sexta-feira, 12 de Junho de 2015

pesadelos

"Pior pesadelo o que começa quando abres os olhos. Hoje não pus os óculos... Não quero ver. Só sentir... Só sentir me"


publicado por AnnaTree às 14:08
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Quinta-feira, 11 de Junho de 2015

Eddie Vedder - Society

https://www.youtube.com/watch?v=sk889GuHCiE&feature=player_embedded


publicado por AnnaTree às 14:33
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Segunda-feira, 8 de Junho de 2015

(Carlos de Oliveira, in Trabalho Poético)

COISAS LIDAS O que me espanta é a aceitação de cada dia. E desta angústia vou tecendo as palavras, desta água salgada e doce como as lágrimas e o sangue. Tecendo escuramente as palavras. Quem sou eu, no entanto, que balança tenho para pesar sem erro a minha vida e os sonhos de quem passa?

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publicado por AnnaTree às 14:07
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Terça-feira, 2 de Junho de 2015

Tori amos me and the gun

Música que conta uma violacao que a própria sofreu quando deu boleia a um cliente do bar onde trabalhava. Se for impressionável este vídeo pode pesar.


publicado por AnnaTree às 08:31
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