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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

26
Ago15

PARIS , 1845, FRANCA POR ANTONIO RISCO 6/09/2003 DNA

AnnaTree

COISAS LIDAS (…) Vinham vultos que a escuridão permitia com um devaneio, e a tirania das faces humanas tinha desaparecido. Dizia-o Baudelaire que já estava a viver endividado. E ia passando toda academia da França sem uniformes. Gerard de Nerval, Alexandre Dumas, Flaubert, Eugene Delacroix, Rimbaud. Tudo para o segundo piso alugado por Boissard, o pintor e músico. (…) Punham-se 3kg de haxixe numa panela com água suficiente para as folhas boiarem. Fervia-se bem e acrescenta-se 3 kg de manteiga, deixando-se em ebulição por 12 horas, e repondo a agua evaporada. A manteiga ia ganhando uma cor verdosa e ao esfriar viria boiar suculenta e resinosa, pronta para o Dawamesk que haveria de nascer de 500 g de açúcar e metade de mel mais umas 200 g de gordura anterior acompanhada de avelãs, amêndoas e pinhões, tudo ao fogão até se tornar em mescla homogénea. Era assim, com colheres de porcelana do Jajão provando sucessivas doses desta mistela que os Haschischins famosos, narinas dilatadas (…) abraçavam a alucinação. (…) E Baudelaire, com uma lucidez excepcional nele, ponderaria que «o haxixe não revela o homem mais do que ele é»

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20
Ago15

O MARINHEIRO E O GUARDA FREIO Desconheço o autor

AnnaTree

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COISAS LIDAS

(…) Contava-me coisas da sua vida de marinheiro. Queimado do sul do convés, dizia-me que tinha saudades do mar. “uma noite estava fardado de marinheiro em frente ao cinema Tivoli e vinha um eléctrico já para a recolha. Fiz sinal para abrandar mas o guarda freio ainda meteu mais dois pontos á velocidade . Passou-me uma coisa pela cabeça, atirei-me para o eléctrico e caí lá dentro. Enchi o peito de ar e fui andando devagar para o pé do guarda freio. Quando cheguei , ele ficou espantado de me ver ali. Pôs-se a guiar sem desviar os olhos da frente com medo de me encarar. Eu disse-lhe com uma voz calma:”então você julgava que eu não entrava no eléctrico? Não vê que sou marinheiro? Sou um homem superior” Depois dei-lhe duas palmadinhas nas costas:” Ou você julga que foram os gajos da Carris que descobriram o caminho marítimo para a India?” Desconheço o autor

17
Ago15

voltei-me para Deus e chamei-lhe os nomes todos que sabia. (DESCONHEÇO AUTOR)

AnnaTree

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fotografia Sebastião Salgado COISAS LIDAS

(…) De dúvida em duvida, uma noite foi para trás da igreja. Contou-me:” voltei-me para Deus e chamei-lhe os nomes todos que sabia. Depois, pus as mãos a proteger a cabeça e ajeitei-me á espera que me desse , ao menos, um pontapé. Esperei, esperei, e não me fez nada. Foi quando cheguei á conclusão que Deus não existia…” mas porquê?, perguntei-lhe. “Porque ninguém que existisse se ficava com os nomes que eu lhe chamei!”

13
Ago15

Os subsídios

AnnaTree

Este meu amigo de férias na Manta Rota, com três mil hectares de terrenozinho no Alentejo e o seu novo BM a brilhar no estacionamento da praia, pergunta-me o que será da agricultura portuguesa, maxime a alentejana, quando acabarem os subsídios da comunidade. Pois eu parece-me só que de facto isto a lavoura está má e que os apoios deveriam ser renegociados, senão qualquer dia ainda obrigam estes pobres agricultores a fazer agricultura, e não está certo. Publicada por Blogger à(s) 7/09/2003 06:40:00 da tardeHiperligações para esta mensagem http://umpoucomaisdesul.blogspot.pt/2003_07_01_archive.html

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06
Ago15

Diogo Infante

AnnaTree

« Em miúdo, sempre que tinha um problema, sentia muita vergonha, um pudor quase estranho e, por isso, calava-me. O resultado é que cada um desses problemas se foi tornando uma espécie de segredo absoluto e ganhando uma dimensão insustentável. Até que um dia consegui partilhar. E aquilo que me parecia terrível, uma vez dito, já não me ameaçava tanto» Diogo Infante

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