Terça-feira, 31 de Janeiro de 2017

PORQUE TOLERAMOS RELAÇÕES TOXICAS E INSISTIMOS EM FALAR DE AMOR

COISAS OUVIDAS E TRANSCRITAS

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Porque toleramos relações toxicas e insistimos em falar de amor

Ouvido no programa da cadena ser contigo dentro  30/01/2017

 

Se doí é desamor ou é inexistência de amor. O amor não dói e temos que começar a entender isso de uma vez por todas.

Falta de educação ou educação errónea. E os exemplos que nos dão os nossos modelos de referência e quando somos adultos repetimos esses modelos. Dizem que estás a educar quando não estás a tentar ensinar nada aos teus filhos. Isso de «não me separo por causa dos meus filhos» que é tantas vezes ouvido como desculpa para as relações se estendam no tempo; não serve de desculpa pois as crianças assistem a péssimos exemplos dos seus modelos de referência, quando formos grandes repetimos esses comportamentos. Não sabem depois pôr limites ou distinguir o que é negociável e o q nunca devia ser negociável numa relação.

Uma pessoa sabe sempre quando não se sente bem numa relação, porque não se encaixa no que uma pessoa quer. É certo que tentamos normalizar certas situações e acabamos a desculpabilizar comportamentos tóxicos, mas depois o nosso corpo nunca nos engano e começamos a desenvolver ansiedade a sentirmos nos mal a ter pensamentos negativos.

A forma como amamos é feita de auto estima. A auto estima forma se com as doses de reconhecimento que vieram dos nossos pais e também com as doses de afecto e /ou com as doses de carência e de críticas permanentes. Em função da quantidade de afecto ou de desamor que recebes vai te fazer sentir uma pessoa capaz, valiosa ou ao invés uma pessoa incapaz sem valor. Quanto pior uma pessoa se sente com ela mesma mais medo tem de encontrar alguém a quem amar, por isso muitas vezes contentamo nos com a primeira pessoa que se fixa em nós e que muitas vezes não escolhemos


publicado por AnnaTree às 14:35
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Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2017

DO LIVRO TANTO QUE EU NÃO TE DISSE DE MARTA GAUTIER

COISAS LIDAS

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Sabe luisa, pensei escrever sobre um livro de Óscar Wilde. Agora, em frente desta folha, foi irresistível falar consigo, não através dos autores, mas através de mim. Vêm –me as lagrimas aos olhos não sei bem porquê. Talvez pela noção de paralelo, entre o sofrimento solitário e o que hoje pode ser partilhado consigo, dantes, só o papel me ouvia e apenas a ele denunciava as minhas inquietações. Agora posso contar consigo. Contar-me. É impossível não agradecer a quem nos embalou, a quem nos deu abrigo. Ninguém entenderia estas palavras que lhe escrevo, pois as acharia excessivas ou injustas. Não me interessa. As duas sabemos: apesar da minha inconsciência (pois eu teimava em esquecer), a luisa corrigiu a interpretação dessas dores e, como se eu fosse disléxica, trocou as letras das palavras equivocas. Por isso posso agora entregar lhe a dor e quase os segredos. Nem sabia o que eram os segredos, não me eram permitidos; agora até posso dar me ao luxo de os esconder. Chorarei todas as lagrimas que me foram interditas. Choro, porque já desconfio ser possível. Só depois das lagrimas, poderei ver o sol que as seca. Há muitos sóis, não há luisa? Há, não há? Preciso de saber a verdade, para continuar a levantar –me de manhã, festejar o gato e assobiar. Quero tanto acreditar que me posso erguer do seu divã e ser feliz cá fora. Sinto urgência. Mas sei que é longa a cicatrização dos golpes profundos. É preciso tempo para cuidar deles: protegê-los da terra, das águas sujas, dos fumos. Os outros ainda me doem, a natureza ainda me magoa, os animais assustam me e a culpa devora me. Nesta casa tao grande, longe de si, procuro encontrar um espaço quente. Não é fácil encontrar o meu lugar e quando adormeço, os sonhos atormentam –me e lembram-me outras vidas que vivi, bem longe da memoria. Acordo já perdida. Ai começa tudo de novo: inquieta, procuro –me nos livros, nos papeis e na jardinagem desta casa. Tudo isto na ansiedade (esse monstro) de construir a minha morada a minha cabana, onde os pesadelos desistirão de me assombrar e onde as pessoas possam entrar sem que me doam Éramos duas mulheres e nenhuma de nós tinha de ser subalterna. Devíamo-nos respeito e nada mais. Poderíamos tornarmo-nos amigas desde que respeitássemos a liberdade uma da outra. Por mim não haveria mais cobranças. Tinha sido a análise que entendera que mais nada podia exigir de quem me tinha oferecido tudo o que tinha para dar. Não podia passar o resto da vida na frustração de ser amada da forma que sonhara. Tinha chegado a hora de aceitar os meus pais com as suas limitações e não insistir na frustração de querer modifica-los. Quero-a disciplinar o meu rumo sem estar presa a acusações. De qualquer forma, não podia ignorar as feridas que não foram tratadas. Isso era o mais difícil: a minha tendência era esquecer passado e começar uma nova vida, mas percebi que não resultava porque os sonhos não desistiam de mo lembrar e tinha que integrar um passado triste num presente que se estava a tornar, aos poucos, agradável.


publicado por AnnaTree às 14:59
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