Sábado, 30 de Junho de 2018

Os primeiros encontros revista DNA

Coisas Declamadas

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Cada momento passados juntos

Era uma celebração, uma epifania, 

Nós dois sozinhos no mundo. 

Tu, tão audaz,mais leve que uma asa,

Descias numa vertigem a escada

Dois a dois, arrastando -me

Através de húmidos Lilases, aos teus domínios.

Do outro lado, passando o espelho.

 

 Arséne Tarkovski oito ícones 

 


publicado por AnnaTree às 04:46
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Sexta-feira, 29 de Junho de 2018

16 setembro 2005 revista DNA Mahler, Alma e a 10.sinfonia

Coisas Lidas

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(...)

Verão de 1910, em que Mahler já doente do coração, devastado com a descoberta de que Alma,, sua mulher, o enganava com o arquiteto Walter Gropidus, e após uma viagem à Holanda para consultar Segismund Freud a fim de lhe pedir conselho sobre como salvar o casamento, consegui compor a 10ª sinfonia em apenas dois meses. Ao mesmo tempo que são cantos à morte assegurava, o paradoxo de todos todas as sinfonias de Mahler é que a vida brota delas a jorros e faz-nos sentir como é rica, variada, intensa e profunda aquela existência que vamos perder. Porque Mahler é  isso: uma antecipação atroz da nostalgia da vida que virá com a morte .

 

 


publicado por AnnaTree às 10:16
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2018

A Classe Dividida

Coisas Lidas

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No dia a seguir ao assassinato De Marther Luther King, Jane Elliot, professora primária numa cidade americana do Iowa, decidiu ensinar aos seus alunos da terceira classe, todo de raça branca, o significado da discriminação racial, propondo-lhes um jogo. Dividiu a turma em dois grupos: meninos de olhos azuis e meninos de olhos castanhos. Em seguida disse aos meninos de olhos azuis que eram as melhores pessoas da sala. Deu-lhes previlégios e comentou a sua superioridade durante todo dia . Entretanto, colocou no pescoço dos meninos de olhos castanhos uma espécie de coleira feita de pano, que os distinguia dos outros. No segundo dia, os papeis inverteram-se. Jane Elliot disse aos seus alunos que mentiu, e que afinal os olhos castanhos é que são melhores do que os dos olhos azuis . Nesse dia, “os de olhos castanhos" conseguiram melhores resultados nos trabalhos escolares em relação ao dia anterior.

Depois deste exercício as crianças de oito anos foram para casa e discutiram com os pais, dizendo-lhes que o racismo estava errado. 14 anos mais tarde, a turma voltou a reunir-se e relatou o efeito que essa lição teve nas vidas de cada um.

 


publicado por AnnaTree às 04:37
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2018

Júlio Dinis Professor

Coisas lidas 

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O Júlio Dinis foi médico e professor na escola médica cirúrgica do Porto. Sobre ele, conta Humberto Pinto Silva esta história deliciosa. Um homem com uma família numerosa, foi ter com o professor para lhe pedir uma "ajudinha" no exame de farmácia. O escritor sentiu que, para o descanso daquela família, era de facto, necessário que o homem passasse. Aberta a prova oral, porém, o desgraçado nada sabia, nada dizia de acertado. Quando chegou a vez de Julio Dinis o interrogar, ocorreu apenas ao professor  pedir isto: "conte-nos a sua vida!" O tipo assim fez, com tal vivacidade e comoção, com o júri a ouvi-lo atento e pesaroso. Foi aprovado por unanimidade


publicado por AnnaTree às 09:26
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Terça-feira, 26 de Junho de 2018

Educar vs Humilhar

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Coisas lidas 

Palavras de ataque, críticas ou ameaças feitas a uma criança vão gerar uma reação de defesa e resistência ou uma atitude desafiadora para sustentar e justificar suas ações. Assim perde-se uma ótima oportunidade de confrontar tranquilamente os pontos de vista e tornar a situação de fato, educativa. É muito importante que o adulto se pergunte antes de falar: “minhas palavras vão provocar confronto ou cooperação?”.

Se o adulto agride a criança utilizando-se de gritos, xingamentos e ameaças, ela acaba entendendo que esta é uma forma legítima de resolver as coisas e poderá passar a usá-la também. Além disso, críticas e humilhações não contribuem para mudar ou melhorar o comportamento de ninguém, ao contrário serve para reforçar comportamentos negativos e fazer a criança sentir-se inferior, desvalorizada e com a auto-imagem negativa. Em muitos casos a crítica convence a criança de que não pode mudar. Quando, por exemplo, dizemos a ela o tempo todo “você é mesmo uma preguiçosa” ou “não adianta mesmo falar com você, não é?”, a criança pode passar a se sentir realmente incapaz de alcançar qualquer mudança e progresso frente à opinião daqueles adultos que tanto admira.

No entanto, nada disso significa  que devemos deixar de assumir nosso papel de autoridade frente à criança, que inclusive necessita e espera isso de nós. Porém, é possível exercer a autoridade sem ser autoritário. Para isso, o adulto muitas vezes precisa se colocar no lugar da criança e perguntar-se como se sentiria se estivesse ouvindo palavras de humilhação contra ele, vindas de alguém que admirasse muito.

Como ressalta Telma Vinha, em seu livro O educador e a moralidade infantil, é imprescindível lembrar que não é possível para uma criança tornar-se autoconfiante se só vivencia situações de fracasso, que não se aprende a respeitar sendo humilhado, que não se aprende a valorizar o outro e nem a si própria sendo constantemente desvalorizada e que, principalmente não se aprende a dialogar e lutar pelo que deseja sendo sempre censurada.

Este é um tema que merece reflexão de todos nós, pais educadores!

 

Helena Sellani

http://www.escolavillare.com.br/humilhacao-e-educacao-fundamental-i/


publicado por AnnaTree às 05:54
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Domingo, 24 de Junho de 2018

A vida escrita à mão com Alberto Vaz Silva e Maria Inês Almeida 16 setembro 2005 revista DNA

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Coisas lidas

(...)

Da  forma de escrever. Da cor da tinta da caneta que desliza a uma velocidade musical. Da relação com o papel. "Um papel muito liso e muito macio associa-se a uma pessoa com temperamento menos ativo. Eu gosto papeis rugosos. Gosto de sentir a resistência do papel com um aparo sensível e de o vencer. Gosto de ir à luta com o papel, o que representa uma forma de prazer, mostra-me a caneta da resistência. Usa vários . Cada uma para um fim diferente. Escreve quase sempre em azul. Derrama uma explicação colorida: "escrever com tinta azul arroxeado corresponde a uma propensão neurótica, o preto indica um temperamento saturniano, mas ao mesmo tempo com mais vocação para o dever do que para o prazer. Vermelho indica temperamentos mais autoritários mais apaixonados  ". E o que indica o tipo de caneta escolhida? "Quem usa pontas mais grossas são normalmente pessoas que têm mais complexos e que utilizam a ponta mais grossa para diferenciar as suas lacunas"  

(…) "Diz-me como escreves, dir-te-ei quem és”

 (...) quem usa um  papel aos quadrados é uma pessoa que está com um problema de saneamento da sua liberdade, ou em véspera de uma neurose. As linhas são a rede do equilibrista do circo. A pessoa cai, mas lá tem lá em baixo a rede é uma segurança. Escrever sem linhas é um risco" 

 

 


publicado por AnnaTree às 08:15
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Sábado, 23 de Junho de 2018

Jura secreta de  Sueli Costa Abel  cantada por Simone

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só uma coisa me entristece 

o beijo de amor que não roubei

A jura secreta que não fiz 

A briga de amor não causei 

Nada do que posso me alucina

 tanto quanto o que não fiz. 

Nada do que eu quero me suprime

De que por não saber ainda não quis

Só uma palavra me devora

Aquela que o meu coração não diz

Só o que me cega, o que me faz infeliz

É o brilho do olhar que não sofri


publicado por AnnaTree às 09:24
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Sexta-feira, 22 de Junho de 2018

O telemóvel revisitado por Umberto Eco New York Times 23 de setembro de 2005

 

Coisas lidas

 

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 (...)

Será possível viver sem telemóvel? Dado que “viver para o telemóvel” implica a participação total do presente e um desejo frenético de contacto que nos priva de qualquer hipótese de gozar um momento de reflexão solitária, aqueles que realmente prezam a sua liberdade, tanto exterior como interior, podem ainda explorar o vasto leque de possibilidades disponibilizado por este aparelho, além de usarem como um telefone. Quando muito podem optar por ligá-lo apenas para chamar o táxi ou para informar os familiares em casa de que o comboio  está com três horas de atraso. Mas não para receber chamadas ( é só deixá-lo sempre desligado) 


publicado por AnnaTree às 08:11
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2018

Despeito Virginia Victorino

(Virgínia Victorino)

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Despeito


Digo o que noutro tempo não diria:
Foi tudo um grande sonho enganador.
Nego o passado, e juro que esse amor
só existiu na tua fantasia.

Sinto a volúpia da mentira. A dor
não transparece. Nego. Que alegria!
Fiz crer ao mundo inteiro, por magia,
que és de todos os homens o pior...

Nunca me entonteceu esse sorriso
e, vê lá tu! se tanto for preciso,
nego também as cartas que escrevi.

Quero humilhar-te, enfim! Mas não compreendo
porque me exalto e choro e te defendo,

se alguém, a não ser eu, diz mal de ti.




publicado por AnnaTree às 09:57
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Sábado, 16 de Junho de 2018

Isabel Leal crónica Os Mais Velhos

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Os mais velhos

(...)

As preocupações e discussões das famílias sobre aonde é que os velhos hão -de viver e estão melhor, em que é que os velhos devem gastar ou não o seu dinheiro ou com quem é que se devem dar ou não, são bons e costumeiros exemplos desta diferença de critérios. 

mas o mais elucidativo é mesmo quando alguém, aos 70 80 e tal anos, enviuvou, fica inconsolável e, passados meia dúzia de meses, pega de namoro Descarado com a vizinha do lado, um velho conhecido ou um amigo recente que lhe  prestou atenção. 

Raras são as famílias em que não cai o Carmo e a Trindade. A maioria indigna-se, zanga-se, protesta e contesta até concluir que está perante um caso de demência ou senilidade. Se o namoro é com alguém mais novo ou de outra classe social, pior um pouco. Familiares e parentes assumem que estão perante a clássica versão do golpe do baú (mesmo que os bens materiais sejam irrisórios )e defendem-se com unhas e dentes dos malvados que desinquietam os  velhotes. 

Sem ser por mal, sem ser por ganância nem outros  sentimentos pouco estimáveis , à maioria dos adultos não ocorre que os seus velhos queiram mais da vida do que não ter muitas dores, viver de recordações e dar-se razoavelmente com filhos e netos . Não só não lhes ocorre como levam a mal que um velho continue a ter uma sexualidade, que se envolva emocionalmente com outras pessoas, que queira companhia e atenções, que não se interessa especialmente problemas familiares feitos a medida de outras gerações e que faça mais facilmente os seus lutos que os mais novos. 

Ainda vai demorar um tempo até se perceber que a velhice  não é nem infância nem espera passiva da morte. 

Mas, como os   "senhores que seguem" somos nós, convém que não tarde muito.


publicado por AnnaTree às 06:39
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