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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

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Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

30
Abr20

A vida depois da vida, a sobrevivência da alma de Colin Wilson

AnnaTree

 

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Coisas lidas

 

(...)

Existem várias evidências de que povos primitivos eram muito mais psíquicos do que nós. Alguns aborígenes australianos têm a capacidade de detetar água subterrânea sem ajuda sequer de uma varinha de vedor.

(....)

De qualquer forma, parece óbvio que, em milhões de anos de evolução, diferentes poderes e capacidades são desenvolvidas e depois tornam a desaparecer, quando cessam de ser necessárias .Embora possam ter desaparecido, permanecem os códigos genéticos.

(....)

Nos últimos 3000 anos, os humanos adaptaram -se à civilização. Mas as vastas profundidades do seu ser, devem existir milhares de características que os humanos desenvolveram durante as largas eras de seca e gelo dos últimos três  milhões de anos, e que estão armazenadas na prateleira dos genes para o caso de virem revelar-se úteis um dia.

28
Abr20

A vida depois da vida, a sobrevivência da alma de Colin Wilson

AnnaTree

Coisas lidas

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(...)

Myers descreve uma série de experiências levadas a cabo por Edmund Gurney, e mais tarde pela Sra.Sidgwick, que revelaram que a maior parte das pessoas podiam ser hipnotizadas a dois diferentes níveis ou “profundidades”, e que uma das pessoas conseguira ser hipnotizada em distintas “profundidades”, e que uma das pessoas conseguira ser hipnotizada em nove distintas profundidades. A pessoa era colocada sou hipnose e contava-se-lhe um “facto” — por exemplo, que o hotel local tinha ficado destruído depois do incêndio. Depois, a pessoa era hipnotizada a um nível mais profundo, e contava-se-lhe um outro facto, por exemplo, um acidente de comboios. A seguir, uma terceira “profundidade” e mais um facto — que o imperador da Alemanha fora obrigado a encurtar a sua visita de Estado à Rainha Vitória porque falecera um parente. Ao tornar a ser hipnotizada, a pessoa recordava cada um dos factos ao chegar ao nível certo, mas não tinha memória qualquer um dos outros factos. Myers Inferiu que esta poderia ser a explicação para a personalidade múltipla — que todos nós possuímos diversas camadas ou níveis, e que um choque — como a víbora de Vivé — poderia provocar um efeito como que de hipnose , mergulhando o paciente noutro nível de personalidade. Esta explicação pode ou não estar correta, mas demonstra a determinação de Myers de tentar encontrar uma chave para os mistérios da mente inconsciente.

27
Abr20

A vida depois da vida, a sobrevivência da alma de Colin Wilson

AnnaTree

Coisas lidas

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(...)

Vivé sofria agora de paralisia no lado direito, e de um defeito na fala que o levava a gaguejar pronunciadamente. Não obstante o defeito na fala, falava sem parar e inclinava-se para a pregação do ateísmo e de revoluções violentas.

A década de 1880 assistiu um renascimento das doutrinas de Mesmer, incluindo a sua convicção de que os “puderes vitais” podem ser deslocados pelo corpo humano por meio de ímanes.Os médicos de Vivé estavam interessados numa variante desta doutrina — que diversos metais conseguiriam fazer desaparecer a paralisia. Quando tentaram passar o ferro sobre a parte superior do braço direito de Vivé , o resultado surpreendente foi a passagem instantânea da paralisia do lado esquerdo do seu corpo. Imediatamente , regressou ao Louis Vivé antigo e meigo. Não tinha memória da pessoa em que se tinha transformado depois da longa crise epiléptica.

Possuímos uma pista desconhecida dos Médicos de Vivé - que o hemisfério cerebral esquerdo controlo lado direito do organismo, e vice-versa. Portanto, quando o lado direito de Vivé “criminoso” estava paralisado,o seu hemisfério esquerdo estava afetado, e a personalidade que se estava a expressar era do hemisfério direito de Vivé . O hemisfério esquerdo é o que controla a fala - daí a gaguez.  É possível discernir os contornos aproximados do problema de Vivé . Tivera uma infância difícil, com uma mãe violenta e embriagada; adquiriu uma personalidade tímida e reprimida.O “eu social” , como constatamos, vive no hemisfério esquerdo. O seu “eu” do hemisfério direito — o Vivé “intuitivo” — não tivera hipótese de exprimir a sua agressividade e frustração. O choque da luta com a víbora causou uma afastamento total do “eu “ tímido do hemisfério esquerdo, deixando o “outro Vivé ” livre para se exprimir. A partir de então, converteu-se num caso clássico personalidade múltipla.

O relato que Myers faz do caso ( dando a sensação que entrevistou pessoalmente Louis Vivé ) termina com uma interessante nota de rodapé; menciona que quando um íman foi colocado sobre a cabeça de Vivé , ele ficava de novo “normal” instantaneamente, exceto que a sua memória não abrangia nada do que acontecera depois do dia da luta com a víbora . Parece bastante claro que o “magnetismo “realmente funcionava e que a ciência moderna poderá estar a negligenciar uma interessante linha de investigação

26
Abr20

A vida depois da vida, a sobrevivência da alma de Colin Wilson

AnnaTree

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Coisas lidas

(...)

Louis Vivé tinha 10 anos de idade quando foi enviado para um orfanato em 1873. Tinha uma disposição calma e obediente . Quatro anos mais tarde, defrontou-se terrivelmente com uma víbora, que o deixou em estado de choque. Depois disto, começou a sofrer de ataques epilépticos e a desenvolver paralisia histérica nas pernas. Foi enviado para um hospício em Boneval  para ser observado , e nos dois meses a seguir  trabalhou tranquilamente no ofício de alfaiate. Então teve uma crise que durou dois dias , conclusões violentas e períodos de êxtase. Quando despertou, a paralisia desaparecera e ele tornou-se uma pessoa diferente.

Não tinha qualquer lembrança do que acontecera desde o ataque  da víbora . Também era violento, desonesto e malcriado. O antigo Louis era abstémio; o novo não só bebia como roubava o vinho dos outros pacientes.

Depois de cumprir serviço na Marinha e de ter passado algum tempo na cadeia por roubo , Vivé regressou aohospício de Rochford, onde três médicos ficaram fascinados  com o seu caso.

25
Abr20

A vida depois da vida, a sobrevivência da alma de Colin Wilson

AnnaTree

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Coisas lidas

(...)

No dia 11 março 1917, a Sra.Dorothy Spearman estava no seu quarto no hotel de Calcutá, dando de comer ao seu filho. A sua filhinha também se encontrava no quarto. Sentindo que estava alguém atrás de si, virou-se e viu o seu meio-irmão, Eldred Bowyer Bower, de pé ; ele era um oficial do Corpo de Aviação Real. Ele tinha um aspecto perfeitamente normal, e a Sra.Spearman assumiu que ele fora colocado na Índia e que viera visitá-la. Ela disse-lhe que iria deitar o bebé e que depois poderiam conversar longamente. Mas depois de ter aconchegado o bebé, o seu meio -irmão tinha desaparecido. A sua filha aparentava não ter visto ninguém. Mais tarde veio a saber que o seu o meio- irmão tinha sido morto a tiro na zona das linhas alemãs aproximadamente à mesma hora em que ela o vira.

(...)

A esposa de Barrett era uma médica obstetra na maternidade de Clapton, no norte de Londres. Uma mulher a que elas chamas senhora ver estava em trabalho de parto e a sofrer de insuficiência cardíaca. Estando Lady Barrett a segurar lhe as mãos, aquela disse: “está a ficar escuro.” Os pais foram chamados. Então a senhora B olhou para uma outra parte do quarto e disse: “ó, que lindo!“ “ o que é lindo?” perguntou Lady Barrett  “luminosidade linda — coisas maravilhosas.“ Depois!: “Mas é o pai!“. A sua criança foi trazida ao quarto para ela ver , e ela perguntou: “acha que eu deveria ficar a bem do bebé?” Olhou para onde estava o “pai” e disse: “não posso ficar. Quando seu marido chegou, ela olhou pelo quarto e disse: “mas está ali a Vida ! Vida era a sua irmã mais nova, que falecera duas semanas antes. A sua morte não fora  comunicada à Sra.B.para não a entristecer . Ela morreu pouco depois.

24
Abr20

A vida depois da vida, a sobrevivência da alma de Colin Wilson

AnnaTree

Coisas lidas

(...)

Na noite de 16 outubro 1902, a esposa de um guarda de caminho de ferro acordou cerca das três da madrugada e foi beber um copo de água. Estava sozinha na cama, pois o seu marido tinha serviço noturno, e o quarto estava francamente iluminado por um candeeiro a gás. Quando olhou para a água, viu a imagem nítida de carruagens de mercadorias a chocar umas contra as outras e observou que uma delas estava mais danificada do que as outras. Ficou preocupada quanto ao seu marido, pois poderia ter sofrido um acidente. Às nove horas do dia seguinte, o seu marido regressou a casa, e ela contou-lhe o que vira. E ele respondeu-lhe que tinha ocorrido um acidente na linha nessa noite e que tinha sucedido tal como ela vira.

O que é estranho neste caso é que o seu marido tinha passado pelo local do acidente duas vezes: a primeira na altura que a sua  mulher tivera a sua “visão“ no copo d’água; e de novo quatro horas mais tarde, quando o seu comboio vinha no percurso de regresso. Quando passou pelo local da primeira vez, estava escuro e não conseguiu ver o que se passava. Às sete horas já havia luz e viu distintamente a cena — tal como a sua mulher a vira na água . Com certeza o marido pôde ter visto subconscientemente muito mais do que tinha consciência de ter visto. Se isto se tratava de telepatia, então ele foi capaz de transmitir à sua mulher muito mais do que tinha noção de ter visto.

23
Abr20

A vida depois da vida, a sobrevivência da alma de Colin Wilson

AnnaTree

Coisas lidas

(...)

a notável médium italiana Eusapia Palladino. Era uma camponesa analfabeta ,de proporções consideráveis, que fora descoberta em Nápoles em 1872, quando tinha 18 anos de idade. Era a mais poderosa médium desde Daniel Dunglas Home. As cadeiras recuavam o avançavam na sua direção quando ela franzia as sobrancelhas ou lhes fazia sinal para se aproximarem, e ficavam suspensas no ar. Ela própria conseguia flutuar no ar e lá se instalar como estivesse num sofá.(...) Ela tinha uma personalidade altamente instável: violenta, impulsiva e manhosa. Quando saía do estado de transe, fazia abertamente propostas sexuais a homens que a atraíam .O que era pior, ela cometia fraudes. O absurdo é que as suas imposturas eram desajeitadas e o mais incompetente dos investigadores conseguia apanha-la em flagrante. Eusapia afirmava que estas fraudes eram cometidas por espíritos hostis, o que poderia ou não ser verdade ( na medida em que ela estava com frequência completamente acordava quando o fazia ). Não obstante , os seus outros fenómenos eram tão impressionantes que não se punha em questão se havia embustes.

 

22
Abr20

A vida depois da vida, a sobrevivência da alma de Colin Wilson

AnnaTree

Coisas lidas

(...)

A maior parte dos investigadores modernos (...)não está disposta aceitar a hipótese dos espíritos. No entanto, existe algo que se torna muito claro para qualquer pessoa que leia os relatos dos fenómenos de Home  é que os espíritos não só constituem uma explicação mais simples, mas, em muitos casos são a única explicação. Uma grande percentagem de fenómenos apenas podem ser explicada se assumirmos a existência de presenças separados um corpo.

(...)

Wallace não duvidava que a Sra.Guppy teria capacidade para convencer os céticos, de forma que convidou três dos mais hostis — professor WB Carpenter , professor John Tyndall, e GH Lewes, o marido da escritora de romances George Elliot. Carpenter veio, ficou silenciosamente sentado durante uma saraivada pancadas, e foi-se embora sem comentários ; nunca regressou. Também Tyndall não regressou, comentando somente “mostre-nos qualquer outra coisa”. Lewes simplesmente  recusou-se a aparecer.

(...)

Não obstante a recusa dos cientistas de acreditar nos seus próprios olhos e ouvidos, os fenómenos psíquicos continuaram a representar uma pedra no sapato dos intelectuais vitorianos. No fim de contas, era dever da ciência explicar mistérios, não ignora-los .

21
Abr20

A vida depois da vida a sobrevivência da alma Colin Wilson

AnnaTree

Coisa se lidas

(...)

Infelizmente , o êxito de Home começou a subir-lhe à cabeça. Não tinha uma personalidade particularmente forte e ser tratado como um mensageiro dos deuses teria sido o suficiente para desequilibrar uma natureza mais independente. Quando ele se mudou para a casa de campo de uma inglesa com títulos de nobreza, que se separara do marido, os seus antigos  admiradores ficaram escandalizados — o autocontrolo inglês produz um fascínio mórbido pelos escândalos sexuais, e Home começou a sentir uma nova atmosfera de hostilidade. Foi atacado ao regressar ao seu hotel e sofreu ferimentos ligeiros.

(...)

E no dia 10 fevereiro 1856 os espíritos disseram- lhe que a sua conduta recente não era digna de um representante do outro mundo e que os seus poderes o iriam abandonar durante um ano. Um conde polaco convidara-o para ir Nápoles e a Roma. Home sentiu-se na obrigação de admitir perante ele que os seus poderes o tinham deixado, mas a sua sorte manteve-se; o Conde insistiu que não fazia diferença e Home acompanhou-o a Nápoles . Apesar da perda dos seus poderes , não deixou de ser um gigante social. Os poderes regressaram, tal como os espíritos tinha profetizado, exatamente um ano depois, ao bater da meia-noite.

Nessa altura já Home se encontrava em Paris, tinha tomado a precaução se garantir contra a desaprovação da igreja tornando-se católico. O seu padre confessor — recomendado pelo próprio Papa — não ficou propriamente entusiasmado com o regresso dos espíritos, que ele assumia tratar-se de demónios — mas pouco podia fazer. Nem Home desejava a sua interferência, pois já se tornara um favorito do Imperador Napoleão III e da Imperatriz Eugénia. A sua sorte despertou muito inveja e hostilidade, mas depois do ano de deserção dos espíritos, Home não permitiu que a grandeza lhe subisse à cabeça.

Depois de uma viagem pela Europa do Norte, regressou a Roma, onde conheceu e cortejou uma bela Condessa russa de 17 anos chamada Sacha; foram a S. Petersburgo ( juntamente com o escritor de romances Dumas) e os parentes dela organizaram um casamento grandioso. Como foi recebido pela família real russo tão cordialmente como for por napoleão terceiro. Infelizmente, Sacha apanhou a tuberculose do marido e faleceu pouco depois do nascimento do filho  de ambos . Ao menos a sua morte não foi uma separação; Home conseguiu manter uma constante comunicação com ela.

Em 1862, a sua sorte pareceu tê-lo de novo abandonado. A polícia forçou-o a abandonar Roma , declarando que ele era um feiticeiro (os espíritos pioraram as coisas quando fizeram soar pancadas na mesa do chefe da polícia). Nos quatro anos seguintes, ele tornou-se um viajante sem destino . Em 1866, travou conhecimento com uma efusiva e vulgar senhora de idade com um sotaque da classe trabalhadora, Sra.Jane Lyon, que lhe disse que o queria adotar como filho, oferecendo-lhe numerosos cheques. Home alterou o seu nome para um Home-Lyon, mas os dois estavam longe de ser almas gémeas, a relação rapidamente começou a sofrer um forte desgaste — ele achava enfadonho o seu afeto e ela sentia-o frio. Ele teve uma recaída e fugiu para várias estâncias termais à procura de cura.  Quando regressou a Londres, descobriu que a Sra.Lyon tinha transferido para a sua fidelidade para uma médium estava a cismar em como poderia recuperar o seu dinheiro . Ela queria recuperar cerca de 30.000 libras — apenas metade do que lhe dera. Ela acusou-o de extorsão e Home foi preso. No julgamento, em abril de 1868, ela alegou que entregara o dinheiro pois ele lhe transmitira uma instrução nesse sentido do seu falecido marido. A defesa de Home centrava-se em ela ter tentado repetidamente seduzi-lo depois de ele se ter tornado seu “ filho”. Mrs.Lyon era, sem dúvida - como Home declarou -, vingativa e mentirosa, E muitas das suas mentiras foram expostas em tribunal. Mas um “médium espírita” não tinha possibilidade de ter um julgamento não preconceituoso. O juiz declarou que se a toda a gente que oferecesse dinheiro para caridade religiosa fosse permitido exigi-lo de volta, o resultado seria caótico; no entanto, como o espiritualismo era uma fraude e uma vigarice, ele faria uma exceção no caso presente. Home foi obrigado a devolver o dinheiro. O julgamento causou grandes danos a Home, agravando a impressão já criada pelo “senhor aldrabão”, de Browning , de que ele não passava de um intrujão vigarista . A notoriedade trouxe -lhe uma vantagem: uma viagem de conferências pela Inglaterra atraiu grandes audiências e ajudou-o a compensar a sua perda. 

Durante a  sua “cura termal” em Malvern, Home travara conhecimento com um jovem aristocrata, lorde Adare, e durante o ano seguinte passou grande parte do seu tempo com ele. Em 1870, Adare publicou Experiences in Spiritualism with Mister D.D.Home, talvez um dos livros mais extraordinários e impressionantes escritos sobre um médium. Adare era um jovem inglês comum, mais interessado na caça, tiro ao alvo e pesca do que em fantasmas. Foi Adare que viu Home a flutuar para fora de um quarto no andar superior, pela janela, e entrar noutro quarto pela mesma via. Também viu a materialização de vários espíritos  — incluindo Sacha e a  atriz americana Ada Mencken mãe e todos os outros fenómenos que Home me produzira nos 20 anos anteriores. Viu Home a avivar a lareira até os pedaços de carvão arderem chamas, depois a pegar numa mão cheia destes e  a esfregá-los na cara — não queimou nem a cara nem o cabelo. Também testemunhou momento em que ele se colocou contra uma parede, tendo a sua altura sido cuidadosamente medida, e depois a alongar-se para uma altura superior.

(...)

20
Abr20

A vida depois da vida a sobrevivência alma Colin Wilson

AnnaTree

Coisa se lidas 


Em agosto de 1852, sentado num círculo, Home flutuou até ao teto — uma façanha que se tornou virtualmente a sua imagem de marca. Outros fenómenos de que era responsável continuavam a ser quase tão extraordinários. Grandes pianos flutuavam pela sala, campainhas tocavam, címbalos ressoavam e ouviam se sons como de que de cantar dos pássaros e diversos ruídos de animais. Um dia, uma mesa com uma vela acesa inclinou-se num certo ângulo e a vela continuo a arder no mesmo ângulo, como se ainda estivesse sobre uma mesa na posição horizontal. Noutra ocasião, em casa do reverendo SB Brittan, entrou em transe, e uma voz anunciou: “aqui Ana Brittan.” Home começou a apertar as mãos, e na meia hora seguinte falou de forma selvagem e enlouquecida sobre os tormentos do inferno. O reverendo Brittan estava desconcertado pois tinha a certeza de que ninguém sabia que a dita senhora — uma parente — se tinha tornado presa de uma mania religiosa e falecera demente, obcecada com visões de castigo eterno.
(Numa aparição subsequente, Hannah Brittan disse-lhes que a sua vida presente era calma, pacífica e bela, e que os tormentos do inferno tinham sido uma ilusão do seu cérebro perturbado.)
A maior parte das mulheres adoravam Home, que era atencioso e amável —Ele gostava muito de mandar flores nos aniversários. Os homens gostavam dele ou o odiavam. Ele tinha modos efeminados e muitos suspeitavam que era homossexual.(Por alguma estranha razão, um número surpreendente de médiuns são - no.) Ele tinha sem dúvida uma certa vaidade na sua boa aparência pessoal e no seu cabelo ruivo e sedoso. Adorava roupas caras e era mundo snobe escandaloso, que tinha prazer em ser inacessível. (Apenas condescendia em conhecer pessoas que fossem apresentadas por um conhecimento mútuo).Ficava mortalmente ofendido se alguém oferecia dinheiro, e ressentia-se de ser tratado como um “prestidigitador ”. No que lhe dizia respeito, era o equivalente social de qualquer pessoa que conhecesse, incluindo reis. Não obstante, era convincentemente modesto relativamente às suas façanhas, insistindo que ele não tinha nada a ver com os fenómenos. Tudo o que ele fazia era relaxar e colocar-se no estado de espírito certo( e “certo” é provavelmente a palavra mais eficaz) e as coisas simplesmente aconteciam.
Em 1855,a tosse tuberculosa de Home tinha de tal forma degenerado que os seus admiradores decidiram que ele deveria ser levado para um clima mais saudável. Por alguma razão inexplicável, ele escolheu Inglaterra. Os admiradores pagaram -lhe a passagem, e, com uma multidão a acenar freneticamente, ele embarcou em Boston em março; tinha apenas 22 anos de idade.
Como de costume, os espíritos tomaram conta de Home . Em Londres, ele instalou-se no hotel Cox na Jermyn Street. O dono, William Cox, era um espiritualista, e recebeu Home “ como um pai recebe o filho”. De forma que Home conseguiu o alojamento gratuito e a apresentação à sociedade londrina que utilizava regularmente o hotel. Em pouco tempo, começou a fazer visitas a marquesas e baronesas. Visitou o escritor de romances lorde Lytton, que fez uso literário de muitos dos fenómenos das sessões espíritas de Home — uma forma luminosa que se dissolvia num globo, uma mão sem corpo, pancadas sonoras, faíscas ardentes — no seu famoso conto “o assombrado e as assombrações”. Lytton recusava-se a acreditar que os espíritos eram responsáveis; ele pensava que os fenómenos que eram causados pela mente inconsciente de Home . Tornou-se amigo do socialista Robert Owen, que se convertera ao espiritualismo e que o apresentou ao seu velho amigo lord Henry Brougham, um céptico voltairiano . Brougham e Sir David Brewster tiveram com Home uma sessão espírita em privado, na qual a mesa se ergueu no ar e uma campainha flutuou pela sala. Brewster descreveu estas coisas no seu diário e contou -as aos amigos, mas mais tarde insistiu que a mesa apenas “aparentava” ter-se erguido , e que provavelmente Home tinha movido a campainha através de algum mecanismo escondido. A controvérsia daqui resultante trouxe muita publicidade a Home e forneceu aos espiritualistas excelentes munições contra o dogmatismo científico, pois os diários de Brewster davam razão a Home .
Elizabeth Barrett Browning fez uma visita a Home, juntamente com o seu marido, Robert. Materializaram -se mãos fantasmas, ouviu-se música no ar, da mesa vinham pancadas violentas espíritos invisíveis fizeram-lhes carícias. Elisabete Browning ficou totalmente convencida; o seu marido — vigoroso, forte, com um pouco mais de metro e meio de altura — ficou sentado, de olhar carrancudo, resolvido a recusar aceitar a evidência a seus olhos. O nome de Home passou a não ser mencionado na casa dos Browning, e após o falecimento da esposa Browning escreveu o flagrantemente injusto “ Sr.Aldrabão, o médium”. O preconceito pode ter resultado de um episódio que ocorreu noutra sessão espírita de Home, quando uma mão sem corpo pegou numa coroa de flores e a colocou na cabeça da poetisa; Browning tinha inveja da esposa. Home piorou as coisas ao contar às pessoas que Browning tentara colocar-se no caminho da grinalda, para esta lhe vir enfeitar a cabeça.
A pedido da comunidade inglesa, Home foi viver para Florença. Ali, as manifestações foram mais fortes do que nunca. Um piano de calda flutuou no ar e manteve-se assim enquanto uma Condessa tocava nele; um espírito manteve uma conversa com uma princesa polaca na língua natal desta; num convento assombrado, Home conversou com o espírito de um monge — também um assassino — e fez com que as mãos deste, ossudas e amareladas, se materializassem.

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