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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

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Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

09
Ago07

Intervalo para a poesia decretado por o leitor oprincipal

AnnaTree
Coisas lidas (a duas mãos)

"Deixei pousar minha boca em tua fronte
toquei-te a pele como se fosses harpa
escorreguei em teu ventre como o vento
e atravessei-te em mim como se fosse farpa

Deixei crescer uma vontade devagar
deixei crescer no peito um infinito
morri da morte lenta do desejo
e em cada beijo abafei um grito

Quando desfolho o livro velho da memória
sinto que o tempo passado à tua beira
é um espaço bom que há na minha história
e foi bonito ter dito companheira

Inventei mil paisagens no teu peito
rebentei de loucura e fantasia
quando me olhavas devagar com esse jeito
e eu descobri tanta coisa que não vias

Havia em ti uma forma grande de incerteza
que conseguias converter em alegria
havia em ti um mar salgado de beleza
que me faz sentir saudades em cada dia

Quando desfolho o livro velho da memória
sinto que o tempo passado à tua beira
é um espaço bom que há na minha história
e foi bonito ter dito companheira"
Pedro barroso posta por oprincipal


Morri numa quinta-feira por volta da hora do almoço.
Senti o coração explodir em tantos pedaços, que era impossível juntá-los.
Não foi uma morte súbita e inesperada,
A agonia foi lenta, dolorosa, cansativa.
Tão cansativa que o coração explodiu.
Morri relativamente cedo, relativamente nova, relativamente…
Nessa mesma noite convidaram-me para beber um café e aceitei,
Mesmo tendo já morrido, mesmo tendo já partido.
E bebi o café e olhei em volta e a maioria das pessoas era como eu,
Ou, para ser precisa e exacta, tinha-me tornado igual à maioria.
E dizia as palavras que diziam, e ria quando riam, e fingia uma alegria ou uma tristeza que não sentia.
Fixei a data da minha morte porque tudo passou a ser Presente.
O tempo dividiu-se em dois, Passado e Presente,
E esqueci como se conjuga o Futuro.
Todos os acontecimentos passaram a ser irrelevantes, irrisórios, insignificantes.
O passado deixou de me assombrar, como até aí tinha acontecido,
E fiquei em paz.
E comecei a descansar.
Deixei de ter expectativas, objectivos, ilusões.
Aliás, todos os meus objectivos, até aí, foram ilusões,
Ilusões porque inalcançáveis, intangíveis, grandes demais.
Tinha caminhado com os olhos postos no céu,
E tropecei em todos os obstáculos possíveis,
E caí em todas as ratoeiras que a vida armadilhou.
E por isso morri relativamente cedo, relativamente nova, relativamente…
Hoje, nem levanto os olhos, nem sequer me levanto.
Passei só a descansar.
Deixei de ler, deixei de ouvir musica, deixei de ter curiosidade, deixei de procurar…
Deixei de me interessar,
Como acontece com a maioria das pessoas que conheço, ou conheci.
É confortável e pacifico este estado vegetativo,
E definitivamente, nada cansativo.
Como convém e se espera de quem morreu,
Descanso em paz.
http://eroticidades.blogspot.com/
annatree

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