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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

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28
Out10

16 de Maio de 1828Os acontecimentos JOAQUIM JOSÉ DE QUEIRÓS URDE A REVOLUÇÃO

AnnaTree

Coisas da minha família

 

Secretamente, o Governo já havia dado ordens para que as populações aclamassem D. Miguel rei absoluto. Em 13 de Março de 1828, a Câmara foi dissolvida. Praticamente, a Carta Constitucional estava abolida...

O desembargador Joaquim José de Queirós, como deputado que era, achava-se bem ao facto dos manejos do Infante. Num derradeiro esforço, ainda tentou que os seus colegas protestassem contra política tão perigosa como anticonstitucional. Baldadamente, porém... Só um caminho restava: planear a Revolução.

Intemerato, rijo de ânimo, ardente no seu bem-querer à liberdade, Joaquim José de Queirós acolheu-se então à sua casa de Verdemilho, a dois passos de Aveiro. E, dia e noite, deu-se a urdir a teia na qual se haviam de enredar — não sem dilúvios de lágrimas e catadupas de sangue — as veleidades de D. Miguel, filho dilecto da famigerada D. Carlota Joaquina...

Desenvolvendo uma assombrosa actividade, aquele que viria a ser avô de Eça de Queirós promove reuniões, escreve centenas de cartas, envia emissários a todos os quadrantes de Portugal, especialmente para norte e leste, convence, alicia, batalha — e espera.

A bandeira da liberdade tremulou sempre no coração dos aveirenses. Em 1820, a cidade vibrara quase instantaneamente ao sabor da nova aragem que, fazendo-se sentir, varreria o clima improgressivo, medievo. A sublevação do Porto, que eclodira em 24 de Agosto, tinha realmente em Aveiro ramificações vigorosas.

O conselheiro Queirós veio encontrar, assim, um ambiente extremamente favorável para o combate em que seria o mais destacado dos chefes. De resto, a própria sentença da Alçada que julgou os implicados da Revolução, após o seu malogro, não deixa margem para quaisquer dúvidas, Em dada altura, fala assim:

«Do infame, perverso e façanhoso réu Joaquim José de Queirós mostra-se o haver sido não só o mais atrevido e ousado conspirador, cabeça e principal autor das tramas e maquinações que urdiram e prepararam o horroroso atentado de 16 de Maio de 1828 nas duas cidades de Aveiro e Porto, mas também incansável e poderoso agente do seu desenvolvimento e acérrimo mantenedor da sua destruidora persistência e deplorável duração. Porquanto se acha provado e demonstrado até à evidência, como se ponderou na primeira sentença desta alçada pelas correspondências originais deste mesmo audacíssimo réu, apreendidas ao co-réu Francisco Silvério de Carvalho, já justiçado, as quais constituem a parte mais essencial da devassa da rebelião a que se procedeu naquela cidade de Aveiro, juntas ao apenso 33.º, que o réu, a quem devorava o espírito da soberba e ambição, e do ódio e vingança contra a augustíssima e sagrada pessoa de sua majestade e contra as instituições salutares e fundamentais da monarquia, que o mesmo senhor se propunha restabelecer, apenas dissolvida a câmara dos deputados em Lisboa, de que o réu havia sido membro muito pernicioso e desgraçadamente muito influente, recolhendo-se ao insignificante e obscuro lugar de Verdemilho, donde era natural e morador, nas vizinhanças de Aveiro, entrou logo a idear e forjar o diabólico e sacrílego plano de arrancar das reais mãos de sua majestade a felicíssima e gloriosíssima regência, / p. 5 / que legalmente exercitava nestes reinos, e a estorvar a reunião dos três estados, convocados para salvação e segurança comum, tudo isto manobrado e procurado à custa duma subversão geral e até de uma guerra civil, se tanto fosse necessário».

(trabalho elaborado por Arnaldo Salgado)