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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

26
Jan11

Jacinto Magalhães in nas aguas daquele luar

AnnaTree

Coisas declamadas

 

 

 

 Era um cair de tarde em que cores brincavam de avermelhar os céus.

Havia um ar de despedida nas coisas e um gosto amargo na boca

Acabava o tempo de recomeçar

 

(…)

De como te dizer tardes paradas

A ver o mar. De como te

Contar esta quietude que me

Sinto e que vem das coisas vivas

Envolver-me e criar-me um tempo de estar

De como te ter e deixar

 

(…)

Deixar sorrir os olhos e as mãos

Deixar que um tempo nos penetre e erga

Deixar que o rio corra e o mar encha

 

(…)

As aguas que vão correndo, nestas pontes, nestas ilhas

e que levam a tua imagem para as areias do mar.

E a têm e aguardam nas águas com que se encontram

(…)

Ainda o sabor dos anos que não deixei.

A visão sem nuvens e um tremer das

Vozes dos tempos que não cresci. O ribeiro que eu fora nesses dias

(…)

Vinhas ao meu encontro e os

Teus braços começavam a erguer-se

Era domingo em teus olhos

Trazias contigo o sol

 

(…)

As folhas começaram a cair e

Veio um cinzento de ausência

E solidão. O rio foi ficando menos nítido, distorcido pela chuva nas vidraças.

O sol foi ficando em tuas mãos

(….)

Sem ti é mais difícil

Os verdes são agora mais claros e o sol já não aquece

Sem ti os tempos são iguais.

(…)

Cresce em mim este vazio da ausência

Rodeia-me uma cortina espessa

Que inventaram para me isolar e esquecer

Rios e sois, rumores e pássaros

Que só existem no que me lembro de outros dias