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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

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17
Jun11

A QUALIDADE DOS SENTIMENTOS DE WILLY PASSINNI V

AnnaTree

Coisas Lidas

 

 

 

O sexo é também fonte de emoções e de sentimentos intensos e frequentemente ambíguos (...) além das funções tradicionais que se lhe atribuem (procriadora e erótica) existem outras.

-          Para que servem os hábitos sexuais, para além de nos dar prazer e filhos?

 

Soporífero – Não se trata certamente de erotismo, mas talvez de uma questão higiênica. Tal como quando se lava os dentes.

Calmante – Entre as pessoas ansiosas, e entre os homens em particular, a sexualidade é muitas vezes utilizada para comprovar a sua própria eficiência.

Anti-depressivo – A sexualidade pode assumir o papel anti depressivo e preencher de tal forma um vazio afectivo tão bem como a sedução (...) esta mesma síndrome serve para explicar numerosos comportamentos sexuais cuja finalidade transcende a satisfação da necessidade erótica para preencher melhor as carências de afecto. O que se disse vale de uma forma especial para as personalidades com sensação de abandono, angustiadas pela solidão, em que a sexualidade genital serve para satisfazer a necessidade de contacto. (...) o caso de Myriam e Alan: ambos enveredaram por uma luta de poder cujo desfecho é incerto. Ambos utilizaram a sua relação como antidepressivo, procurando uma compensação, procurando assim sarar as feridas anteriores. Terminada a fase da cicatrização Myriam e Alan encontraram-se perante a necessidade de se escolherem novamente, desta vez não para compensar um vazio, mas sim por desejo.

Formador da identidade – Quem são? A sexualidade muitas vezes serve para responder a esta pergunta. Isto é, está mais ao serviço da identidade que do erotismo e isto acontece sobretudo durante a adolescência e a menopausa (andropausa). Mas os psicanalistas entrevêem a mesma finalidade na hiperactividade sexual (síndrome de D.Juan; no fundo, é justamente a dúvida que impele os playboy a uma continua comprovação).

Meio de comunicação – Há pessoas que depois das zangas se reconciliam na cama (...) a sexualidade dirige-se cada vez mais para a comunicação e cada vez menos para o erotismo. Antigamente comunicava-se para poder depois (raramente) fazer amor. Hoje faz-se amor para tentar comunicar.

Socializador – A função socializadora da sexualidade assume uma particular importância num momento em que entre os adolescentes se realizam cada vez menos os ritos iniciáticos (...) em substituição de festas e rituais talvez seja o sexo que, apesar da sida, marca agora o momento de acesso ao mundo adulto. Trata-se quase sempre de um passo enfrentado responsavelmente. Mas talvez se chegue ao sexo «para ir na corrente e fazer como os outros» (...) são muitos os adolescentes que enfrentam a «primeira vez» mais por espírito gregário que por opção consciente.

Instrumento de luta pelo poder

Desafio geracional – De há vinte anos para cá, a sexualidade tem vindo a ser banalmente identificada com o refilão contra a autoridade da família e da sociedade burguesa. Trata-se de facto de uma tendênciaem declínio. Mas ainda hoje há quem viva o sexo como evasão, fuga ou revolta (...) o sexo é utilizado não só como forma de lançar a luta desafiando a família mas também como instrumento de luta étnica e de classe.

Objecto de troca

Oportunidade de transferência – Os adultos tentam muitas vezes gerir a sexualidade dos filhos: e esta frequentemente serve mais para aqueles do que para quem a pratica.