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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

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Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

02
Set11

MUSICA AO ACASO POR HUGO GONÇALVES CRONICA DIA A DIA JORNAL i

AnnaTree

Coisas Lidas

Picasso queria pintar mas faltavam-lhe tintas. Em vez de sair de casa e entrar numa loja, como faria grande parte das pessoas, decidiu usar apenas as tintas que lhe sobravam, mesmo que fossem todas da mesma cor. E assim começou o período azul. Já ouvi esta história contada algumas vezes. É improvável. No entanto, serve para explicar como a necessidade apura o engenho criativo. Na gravação de «twist and shout» John lennon canta com voz de noitada de copos cocaína. Os beatles endureciam dessa forma o seu rock & roll. Tudo porque Lennon estava com problemas de garganta e teve de gritar a canção. Quando perguntaram a Paul Thomas Anderson por que razão, nos primeiros 15 minutos do filme «there will be blood», não há diálogo, o realizador respondeu: «não me lembrei de nada que as personagens pudessem dizer». O chileno Roberto Bolaño escreveu muito (e com mais qualidade) após ficar doente, porque queria deixar um meio de subsistência para a família antes de morrer. Na China de hoje, há um milhão de escritores a ganhar a vida com livros que são vendidos na internet. Cada livro custa 50 cêntimos e os autores ficam com 50 a 70 por cento da receita, mas tem um de produzir um determinado número de palavras por dia e chegam a cumprir turnos de 10 horas. Há mais um constrangimento á criatividade: a censura. Mas estamos a falar de um milhão de pessoas a escrever. O que agora nos parece uma fábrica de salsichas literárias gerida a chicote, pode muito bem produzir alguns dos grandes escritores do século.