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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

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Dez07

É a capacidade de retorno ao equilíbrio que faz distinguir entre stress saudável e não saudável

AnnaTree

Coisas mailadas...


Sinais de alarme
Sete anos mais tarde, com 41 de idade, nas férias de Agosto, nova ameaça cardíaca. Eram quatro da manhã e comecei com suores frios, dor no peito e não consegui mexer-me. Fui para o hospital do SAMS e foi-me diagnosticada nevralgia provocada por mudança de ritmo. Afinal, acabara de sair de um trabalho efervescente, com uma carga pesadíssima na Jazztel, lembra.
A riqueza deste testemunho não se fica por aqui. No ISG, Eiras Antunes voltou a pisar a zona de risco. Senti-me o equivalente a um gestor hospitalar. Era preciso lidar com o mundo empresarial e afrontar os professores, que se consideravam prima-donas. As dores no peito voltaram e regressou ao hospital. Chegou a pensar que desta vez seria um enfarte, a sério. Ao meu lado tinha um gestor de topo em igual estado, recorda. No meu caso, o stress deu sintomatologias parecidas com o ataque cardíaco: dores no peito e no braço. Das três vezes tudo não passou de nevralgia, ou seja, tensão que faz pressão sobre os músculos, e as ramificações nervosas, provocando dor. Outros sintomas foram a má disposição, a irritabilidade, a falta de paciência para lidar com as duas filhas, e enxaquecas, sobretudo ao fim-de-semana.
Hoje tem 46 anos e desde há ano e meio que é director da Sogrupo GI. E faz parte da direcção da Associação Portuguesa de Marketing. Mudei de vida. Hoje tenho menos mediatização e estou mais resguardado, apesar da manter a intensidade de trabalho. Sou também menos ambicioso, mas tenho mais qualidade de vida.

Corpo em chamas
O corpo interpreta o stress como uma situação de perigo e liga o alarme, ou seja, tem uma reacção de fuga ou luta. A consequência é a libertação de adrenalina, o ritmo acelerado da pulsação e a respiração rápida. Os músculos ficam tensos devido ao excesso de sangue bombeado, e todo o aparelho digestivo passa a funcionar pior devido a um fornecimento menor de sangue. Os sentidos ficam alerta, o fígado liberta colesterol para ter mais energia, a boca fica seca e a produção de saliva abranda. Para lidar com o perigo o corpo transforma-se, fica em alerta geral. O problema é quando o alarme fica ligado demasiado tempo.
É a capacidade de retorno ao equilíbrio que faz distinguir entre stress saudável e não saudável. Este último, quando se mantém vários meses pode vir a causar um esgotamento físico, chamado cientificamente burn out. Para além dos sintomas físicos já descritos, o indivíduo fica confuso, com dificuldade em tomar decisões e torna-se menos optimista. Provavelmente, o leitor já sentiu isso ao longo da sua carreira.
Isabel Rodrigues, principal da Heidrick & Struggles, médica e com doutoramento em Psicologia estudou cerca de 250 executivos internacionais na tentativa de entender por que razão tantos iam parar aos hospitais com dores de estômago, incluindo sintomatologia de úlceras, doenças gastrointestinais, dores no peito e, depois de todos os exames médicos, concluía-se que nada tinham. Isabel provou na sua tese que tudo isso não passava de stress.

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