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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

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17
Dez07

Quando o coração se desliga

AnnaTree
Coisas mailadas...

Quando o coração se desliga
A boa disposição de António Aleixo, 48 anos e director-geral da Copicanola, é contagiante. E nada faria crer que o seu coração já se apagou, por instantes. Este engenheiro electrotécnico fez carreira na informática, na CIL e na Projesi, e nas telecomunicações, tendo sido um dos vice- presidentes da Ericsson. Foi ainda director na Samsung, country managcr na Sagem, director na LG, e desde Janeiro é director-geral da Copicanola (recém-comprada pela Canon). Aqui gere 212 pessoas e 35 milhões de euros de facturação.
O saltitar em sectores que estão em mutação constante sempre o fez correr no escritório, mas nunca no ginásio. Como muitos executivos, António somou falta de exercício a uma alimentação desequilibrada e três pacotes de cigarros por dia. Uma mistura explosiva para que o coração se desligasse em 1999. Tinha passado por um período de tensão resultado de problemas técnicos com impacte nos clientes da Ericsson. A guerra do mercado de telemóveis estava ao rubro, e eu tinha acabado também de sair do arranque da Optimus, sendo a Ericsson o principal player do mercado. Fazia muitas directas e trabalhava aos fins-de-semana. Resultado: Durante umas férias de Verão senti-me mal, com cima dor no braço. Quando já estava numa clínica, no Algarve, a fazer exames tive uma paragem cardíaca. Valeu-me a assistência imediata. Fui enviado para o hospital de Faro e fiquei duas semanas internado. Tinha duas veias coronárias entupidas e urna terceira estava quase na mesma situação. Desde então vive com um triplo by-pass. Com duas filhas de 8 e 12 anos, e urna carreira imparável, hoje António diz que o mais difícil é gerir as emoções. Enervo-me facilmente, mas perante os problemas tento respirar fundo, fazer exercício e os fins-de-semana são sagrados para descansar.
Como afirma Isabel Rodrigues, ir de férias pode não chegar para acabar com o stress. A bagagem mais pesada vai, e é aquela que me está a apertar, a alma. Essa não precisa sequer de mala para ser transportada. E corno acrescenta Maria da Glória Ribeiro os gestores só fazem exercício como o golfe, e só têm cuidado com a alimentação após terem sofrido acidentes cardiovasculares e crises de hipertensão.
Alfredo Cortegaça, 64 anos, é empresário. Começou a trabalhar aos 11 anos na Vespa e nunca mais parou. Este self-made mau frequentou Engenharia no Instituto Superior Técnico, mas desistiu no segundo ano. Tinha 33 anos e uma família a cargo. Desempenhou funções técnicas em companhias que davam assistência às máquinas de raios X, em hospitais. Aos 38 lançou-se nos negócios e hoje é dono das lojas de electrodomésticos ACF, na Margem Sul e em Alfragide. Ao mesmo tempo ainda ergueu a construtora Nunes e Cortegaça.
Há cerca de dois anos decidiu aprender mais e entrou num curso de Gestão da Universidade Católica. Foi um período de grande correria. Pouco tempo depois de terminar o curso desmaiei durante um almoço, e assim fiquei durante 11 dias. Fui internado no hospital e os médicos diziam que nada haveria a fazer. Nunca apuraram nada. A única explicação era stress. Alfredo nunca teve sintomas que o alarmassem, mas o stress poderia ter sido o seu life killer. Hoje está activo e de boa saúde.
Luís Freitas da Silva, presidente da comissão executiva da Spie, já sofreu as mazelas desta doença. Tratou uma úlcera e admite que o stress a terá provocado. Diz ter calma cerebral, mas o estômago não fica imune à agitação diária. Isso traduz-se ainda em taquicardia e suores frios. Sobretudo nos últimos tempos, com o LBO da Spie, onde desde há ano e meio é presidente da comissão executiva. O LBO e as negociações para aquisição da ACI, ex-grupo Gest nave (processo entretanto concluído) é estratégica pois permite-nos crescer 30% a 40% na área da manutenção, e têm sido a obsessão dos últimos meses, revela.
Antes, este engenheiro de 50 anos passou pela Lusotecna, mais tarde chamada Technip, e pela Abengoa, onde foi administrador, e foi sócio da Ambigás. Hoje gere 450 pessoas e 40 milhões de euros de facturação. O seu core business são as instalações técnicas, e são seus clientes a Petrogal, Mota-Engil, Somague, Edifer, SIL, Refer, ANA e Tap.

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