Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

Coração Embrulhado

Coisas lidas


Coração embrulhado por margarida rebelo pinto lido a 1/dez/2002

Trazes o Inverno no coração [...] só o céu de Janeiro ganha este tom perdido, onde se escondem todo o medo e a doçura de uma vida ainda por viver
[...]
Quando tu apareceste, trazias o coração embrulhado e eu percebi que me esperava um exercício de paciência. Talvez a minha missão junto de ti fosse apenas esta: ajudar-te a pensar e a sentir melhor, para que possas, um dia atrás do outro, suportar a violência de estar vivo. Nunca ninguém te explicou que viver era mesmo difícil, pois não? A mim também não, mas fui-me habituando, quando percebi que só a pouco e pouco, um dia atrás do outro, podia avançar, é que descobri o mundo e me comecei a sentir melhor.
Não sei mais do que tu, só reconheço melhor os sinais que me rodeiam, e talvez tenha mais aptidão para distinguir o essencial do supérfluo. Mas quando apareceste, trazias contigo uma vontade de ser, de crescer [...]
Eu estou aqui quentinha e tu continuas lá fora. Não posso sentir, nem pensar, nem crescer por ti. Só posso ir-te indicando com a minha intuição, que é o olhar do coração, por onde podes ir; isto é, mostrar-te que não há nenhum caminho, que nada é definitivo ou exclusivo, que o que hoje assusta amanha pode bem existir, que é mais difícil conjugar o verbo receber do que o verbo dar, que há muito mais trabalho aceitar do que querer, é que o resto tens que descobrir sozinho. Deve ser por isso que quando estamos juntos, reúnes a tristeza toda num só olhar e eu fico com cara de seta, a ver que caminho escolhes, que passos vais dar a seguir [...] e o amor constrói se a dois, não é só para quem quer dar, mas para quem quer receber. E um dia daqui a uns anos, quando o Inverno sair do teu coração e tiveres espaço para mais alguém, talvez ele nunca mais volte a entrar. Porque é dentro de nós que vivem todas as respostas, mas é quando nos damos aos outros que elas aparecem, mesmo que estejam embrulhadas e escondidas, como um tesouro perdido no fundo do mar.
Mas, é claro, há cenários e cenários: esta solidão só se pode sofrer condignamente se não tivermos ninguém em cima de nós a azucrinar-nos. Se houver em casa crianças que nos obrigam a arbitrar em discussões exasperantes sobre canais de televisão ou gavetas desarrumadas.

publicado por AnnaTree às 11:22
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