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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

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Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

18
Fev08

SABER AFIRMAR-SE

AnnaTree
Coisas lidas
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Como a nossa sensibilidade pessoal se constrói e muda conforme as etapas da vida que atravessamos ou o patamar de crescimento em que nos encontramos, também a sensibilidade colectiva evolui e aquilo que nos fazia vibrar há vinte anos pode não ter interesse nenhum nos dias que correm. Consciente desta realidade, Michel Lacroix escreve que a representação da audácia mudou nas últimas décadas e os heróis dos nossos tempos são aqueles que sabem afirmar as suas convicções nas pequenas ocasiões. Leia-se no dia-a- dia. Embora a coragem tenha começado por ser uma virtude guerreira, actualmente traduz-se pela ausência de conflitos ou polémica, pois muitas vezes a coragem de ser também passa por rupturas e cortes com os que estão á nossa volta.
Reformando o fio de pensamento de Lacroix, é no relacionamento com os outros que pode revelar bravura, heroísmo e alma.
Daí esta noção dos heróis do dia-a-dia.
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Michel Lacroix fala de integridade e enuncia alguns princípios essenciais «dizer não a um grupo que nos oprime, exprimir uma opinião diferente da que têm aquelas que amamos, resistir ao politicamente correcto são actos heróicos numa sociedade que, por ser excessivamente mediática, multiplica a informação e exerce sobre nos uma pressão cada vez maior. Na família e na escola, os pais e os professores devem inventar novas maneiras de dizer não.» Recorrer á autoridade pela autoridade já não resulta. Nos dias que correm ninguém aceita ordens sem discutir e, por isso mesmo, o esforço dos pais e professores é heróico.
A integridade passa muito por evitar conflitos quando é possível mas, também, por não fugir deles quando não resta alternativa. Por palavras do autor em questão, «a grande coragem, pode ser a experiência tão banal do pai ou da mãe de família que gostariam de evitar os conflitos com o filho, e conseguir ser sempre ternos com ele mas escolhem repor a autoridade. É preciso coragem para dizer que não a um filho porque sei, á partida, que vou introduzir perturbação na relação».
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Aprender a dizer não – uma vez aqui chegados, é importante perceber que existe uma necessidade de aprender a dizer não aos outros mas, também, a nos mesmos. A coragem relacional, de que falamos, implica sempre uma luta psicológica contra nos próprios, uma espécie de debate interior permanente. Lacroix esclarece que na base deste conflito interior, desta atenção e deste conhecimento próprio está a necessidade de identificar os nossos medos, a nossa timidez e as nossas fraquezas para os tentar vencer. «Este é, aliás, o problema das dependências: temos que ser capazes de dizer não ao álcool ou a outras drogas e a tudo o que nos impede de avançar. Temos que aprender a dizer não aos nossos maus hábitos, a reconhecer em nós os traços de carácter mais inadequados e que perturbam a nossa vida pessoal, as más relações que estabelecemos com os outros, as escolhas erradas que fazemos», sublinha o filosofo.