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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

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Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

19
Fev07

CRITICA LITERÁRIA AO LIVRO A IMPERFEIÇÃO DE JOÃO PAULO SOUSA

AnnaTree

Coisas lidas

(...)
Esse verbo quebrado serve com grande adequação a mesma fragmentação dos afectos, das vontades, as pontes tombadas, as ruínas das almas mais preocupadas com a perfeição que com a felicidade que se pode colher nos pequenos gestos. Estas personagens ignoram os dias solares com uma decisão feita de tristeza e reprovação, ou seja, com um abandono ao acidente, com uma recusa perante a vontade própria. Elas tentam a perfeição. E de tanto a perseguirem por atentos que estão a todas as possibilidades de falha – a todas as formas de que o mundo se pode revestir para nos mostrar como somos pequenos e impotentes face aos outros (e ás suas intenções) e a nós mesmos de tanto a desejarem, perdem-na constantemente, como aquele que persegue o horizonte se mantém sempre longe dele
(...)
Dionísio era o Deus grego do vinho e da irracionalidade.
(...)
Procuram as razões, como todos nós. E falham. Porque esse equilíbrio possível, tentado sempre na ilusão de que, se escolhemos, estaremos condenados a ficar com o pior, leva finalmente, á indefinição, outro possível nome para o medo. Sonha-se, assim, poder permanecer num limbo de situações, numa ideal idade alimentada pela ilusão de que a recusa do livre – arbítrio nos garante a máxima liberdade: a de não ter de escolher. Mas não querer magoar, não querer que nada nos doa não acentuara mais a dor, a dor de nada ser
(...)
Eis um tempo infeliz este nosso. Diria que muito bem retractado nestes retratos que João Paulo Sousa nos oferece um tempo feito de sonhos que preferem permanecer intocáveis, na sua irerredialidade, do que converter-se em alicerces para a construção. Um tempo apenas alimentado do crescente e mentiroso apelo da solidão. Percebemos um dia que sozinhos não poderemos ser? E a vontade de verdade e de vida pagar-se-á mesmo, apenas, com a vida?
(...)
Precisaremos nós também que todos desapareçam das nossas vidas para percebermos que só somos porque eles nos tocaram?

lido

DN JOVEM /2002


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