Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

Pouco a pouco

 

O sol caminha sem que o vejas mover-se. E vem o entardecer e anoitece. Estás de novo em casa. Passou um dia.

Olhas-te ao espelho, um dia e outro, e não te vês crescer. É também assim que crescem as árvores e que o Inverno se torna Primavera e que a natureza produz flores e frutos, lagos e montanhas.

Pouco a pouco. Devagar. Sem que se note.

Há uma paciência imensa em tudo o que te rodeia. Um labor silencioso que alcança sempre os seus objectivos.

Pouco a pouco.

Uma semente pequena faz-se árvore grande com o tempo. E fica ali no seu lugar, sólida e generosa. Um dia, vens e abrigas-te à sua sombra. Mas essa sombra é uma obra de arte que esteve escondida por muito tempo e não pudeste acompanhar.

Não seria acertado que, na tua vida, desejasses a sombra refrescante - ou as flores, ou os frutos - sem que tivesse havido antes a semente aparentemente imóvel no lençol silencioso da terra, aquele sugar lento de minerais, a alternância repetida das estações.

Há uma grande sabedoria em saber esperar. Não me refiro a uma espera feita de inactividade e de indolência, mas àquela outra que é preenchida por pequenos passos firmes iluminados pela esperança.

A esperança não consiste simplesmente em aguardar com optimismo que a boa sorte nos bata à porta, em ter "pensamentos positivos", mas na certeza de que aos passos correctos e constantes está prometido o objectivo bom que procuramos. Quando se vai no caminho certo, quando se trabalha nos alicerces de uma coisa boa, ter esperança é ter a certeza de que se chega.

Tudo aquilo que é bom se pode alcançar. Tudo se consegue. Pouco a pouco. A seu tempo. E há frutos que, por serem tão grandes, só chegarão depois de nós passarmos.

É bom que tenhas grandes objectivos, ideais elevados e nobres. Mas deves considerar que, precisamente por serem grandes e elevados, só podem estar no final de um caminho longo, frequentemente cheio de obstáculos; e que não é sensato procurar atalhos para chegar a eles.

Se alguém te quiser oferecer a noz descascada, a vitória sem combate, o diploma sem a sabedoria, foge depressa. Encher-te-ias de vazio.

Quando queres resultados rápidos em coisas grandes - quando prescindes do esforço prolongado, da lentidão, dos métodos apropriados a um objectivo - saltas para fora da realidade. Podes magoar-te e magoar outras pessoas. Tudo o que fizeres a partir desse ponto não te levará a nenhum lugar. Será tudo falso, por ter perdido esse ajustamento à realidade a que chamamos verdade. Hás-de ver que te apodrecerá nas mãos, mais cedo ou mais tarde.

A tua impaciência, porém, não é necessariamente um defeito. Ela pode ser como o vento que empurra o navio. Serve-te dela não para te poupares a esforços, mas para te obrigares a crescer todos os dias. Para aperfeiçoares os teus gestos. Para te tornares mais capaz de ir longe e alto.

 

Paulo Geraldo

 

 


publicado por AnnaTree às 21:23
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1 comentário:
De Raqui a 25 de Julho de 2008 às 11:58
Grão de Amor
Arnaldo Antunes
Composição: Carlinhos Brown / Marisa Monte

Me deixe sim
Mas só se for
Pra ir ali
E pra voltar

Me deixe sim
Meu grão de amor
Mas nunca deixe
De me amar

Agora as noites são tão longas
No escuro eu penso em te encontrar
Me deixe só
Até a hora de voltar

Me esqueça sim
Pra não sofrer
Pra não chorar
Pra não sentir

Me esqueça sim
Que eu quero ver
Você tentar
Sem conseguir

A cama agora está tão fria
Ainda sinto seu calor
Me esqueça sim
Mas nunca esqueça o meu amor

É só você que vem
No meu cantar meu bem
É só pensar que vem
Láia laia

Me cobre mil telefonemas
Depois me cubra de paixão
Me pegue bem
Misture alma e coração

Aqui deixo esta letra para a minha querida sogrinha
Beijinhos


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