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Arvore De Letras

Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

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Coisas lidas,ouvidas,cantadas, declamadas,faladas,escritas

19
Nov08

SABE-SE LÁ O AMOR III(In Quase gosto da vida que tenho Pedro Paixão)

AnnaTree

Coisas lidas
(...)
As famílias morrem de vergonha. Esperam ansiosamente que o par seja encontrado, amordaçado e por fim eliminado. Como a poesia. A poesia tornou-se insuportável. A poesia só sobrevive na loucura de duas pessoas que decidem amar-se, condenando-se á exaustão.
(...)
Ela é uma rapariga decidida a levar até ao fim a poesia, ele é um humano tão perigoso que deve ser apanhado logo que possível. Não é que as famílias tenham culpa e as famílias não têm mais culpa que os indivíduos que as formam. Quando a rapariga for encontrada, e apanhada pela policia será imediatamente levada para casa dos pais onde a espera uma lista completa de medicamentos para tomar. Quanto a ele, será interrogado por agentes desejosos de pormenores macabros, sicensciosos, no melhor caso pornográficos, e as televisões exultarão, mais uma vez, sobre o cadáver da poesia.
(...)
O nosso tempo prefere a imagem á coisa, a copia ao original, a representação á realidade, a aparência á palavra. O que para ele é sagrado não é senão ilusão e o cúmulo do sagrado. O espectáculo é o capital num tal grau de acumulação que se torna imagem. Num mundo realmente invertido. O verdadeiro é um momento do falso.
Guy Debord a sociedade do espectáculo 1967